3 NOVIDADES EM FISIOTERAPIA INTENSIVA ADULTA PARA SABER JÁ

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Segundo dados do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito), o Brasil conta com pouco mais de 90 mil profissionais de fisioterapia, enquanto o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 100 mil a mais em relação à população do país.

Além disso, os conhecimentos básicos e específicos da Terapia Intensiva de Adultos são exigidos durante a formação, porém, a atuação nessas unidades requer uma constante atualização sobre procedimentos, técnicas e tratamentos.

— Como o mercado de trabalho tornou-se mais seletivo, é fundamental que o fisioterapeuta adquira conhecimento dentro de Unidades de Terapia Intensiva — ressalta Bruno Prata, especialista em Fisioterapia em UTI e Doutor em Medicina e Saúde Humana.

De acordo com ele, o papel do fisioterapeuta nas unidades de terapia intensiva é promover a prevenção, minimizar e tratar os distúrbios de movimento, que são muito frequentes ao longo da internação.

— Para isso, o profissional utiliza de instrumentos de avaliação para confeccionar o diagnóstico fisioterapêutico e, posteriormente, o seu plano de tratamento — explica Bruno Prata.

Com base no Programa de Atualização em Fisioterapia Intensiva Adulta, selecionamos alguns temas. Confira:

1. Avaliação muscular em terapia intensiva

A força muscular é o principal vetor responsável pelo movimento humano e diversas situações no ambiente de terapia desencadeiam alterações dessa força. Assim, a avaliação muscular é fundamental para que alterações possam ser reconhecidas como a fraqueza, para posterior direcionamento das condutas. Segundo Bruno Prata, especialista em Fisioterapia em UTI, é necessário estar atento aos novos desafios trazidos por outras possibilidades tecnológicas que surgiram e podem auxiliar na avaliação.

— A principal novidade é a avaliação da ultrassonografia muscular para reconhecimento de alteração da massa muscular, que tem associação com sarcopenia — explica ele.

2. Atuação fisioterapêutica no pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca

O fisioterapeuta que atua em Unidades de Terapia Intensiva Adulta possui papel fundamental na manutenção da funcionalidade do paciente, lançando mão de técnicas e recursos que otimizem e minimizem as perdas dos sistemas osteomioarticular e cardiorrespiratório.

Segundo Daniel Lago Borges, especialista em Fisioterapia Respiratória e Terapia Intensiva, o paciente submetido à cirurgia cardíaca apresenta disfunções orgânicas que impactam diretamente na sua funcionalidade.

— É fundamental o entendimento de todas as alterações decorrentes da cirurgia cardíaca, a fim de instituir as melhores condutas — diz.

Ainda de acordo com o especialista, além de conteúdo atual sobre técnicas e recursos que podem ser aplicados precocemente nessa fase da reabilitação, é necessário que os fisioterapeutas compreendam a ventilação mecânica no pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca.

— Isso proporciona ao fisioterapeuta conhecimentos que podem auxiliar a minimizar as complicações respiratórias e diminuir o tempo de ventilação mecânica – explica.

3. Mobilização precoce de pacientes críticos durante a diálise

A mobilização precoce de pacientes críticos tem sido preconizada para evitar ou minimizar os efeitos deletérios da imobilização. Entretanto, existem algumas barreiras para esta prática, como a realização da diálise na Unidade de Terapia Intensiva.

De acordo com Maycon Reboredo, fisioterapeuta e professor-adjunto do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFJF, em vários centros, a mobilização de pacientes durante a terapia dialítica não é recomendada.

— As evidências iniciais mostram que a mobilização precoce para pacientes críticos durante a diálise é viável, segura e bem tolerada pelos pacientes quando os critérios de segurança são adotados — explica.
Um ponto sobre o qual os profissionais de fisioterapia precisam ter atenção é que a mobilização precoce para pacientes críticos durante a diálise deve ser realizada nas duas horas iniciais, quando a terapia não for contínua.

— A queda da pressão arterial, que ocorre ao longo da sessão de diálise, pode limitar a realização do exercício, sendo que este efeito é mais significativo após a segunda hora do procedimento. Portanto, é importante conhecer as repostas hemodinâmicas da realização do exercício durante a diálise — ressalta Maycon, que é autor do Programa de Atualização em Terapia Intensiva Adulto.

Fonte: Secad

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