ALGUMAS PATOLOGIAS LIGADAS AO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

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Embora haja vários tipos de doenças ligadas ao Sistema Nervoso Central, separamos algumas que são comuns como a Esclerose Múltipla, Epilepsia, Mal de Alzheimer e Doença de Parkinson.

Esclerose Múltipla

É uma doença onde há destruição da mielina por autoanticorpos. Essa mielina é um envoltório dos axônios que recobrem e isolam as fibras nervosas e responsáveis em fazer com que o impulso nervoso corra em alta velocidade. Por causa da destruição da mielina, o impulso nervoso corre vagarosamente alterando a função cerebral e dos nervos.

A Esclerose múltipla é uma doença crônica que ataca principalmente adultos e jovens na idade de 21 a 40 anos.

O sistema imunológico das pessoas que sofrem de esclerose múltipla não reconhece a mielina como sendo um tecido da própria pessoa, mas como sendo um corpo estranho, motivo pelo qual o sistema imunológico ataca e destrói como ele faria com qualquer bactéria.

As regiões afetadas do sistema nervoso central são a medula espinhal e o cérebro.

A figura abaixo exemplifica como funciona a Esclerose Múltipla, nesse caso com o nervo danificado.

Sintomas

• Fala inarticulada; • Perda súbita da visão;

• Tremores de uma mão;

• Sensação de fadiga;

• Perda de sensibilidade;

• Sensação de peso nos braços ou nas pernas;

• Fraqueza;

• Perda de coordenação;

• Visão borrada ou dupla;

• Instabilidade do corpo, especialmente de um lado;

• Sintomas faciais, incluindo perda da sensibilidade.

Prevenção

A ciência ainda não descobriu a real causa da doença, só se sabe que na doença há um reação auto imune do organismo, por isso não há como prevenir a esclerose múltipla. Se o pai ou a mãe de uma determinada pessoa tiver esclerose múltipla, o risco de seu filho desenvolver a doença será multiplicado por 20 a 50.

Diagnóstico

Alguns sintomas mencionados anteriormente tendem a desaparecer em poucos dias ou semanas.

Podem-se obter o diagnóstico através do exame físico, estudos laboratoriais e diagnósticos por imagem.

Exame Físico Observa-se no paciente a desatenção, euforia, choro súbito, atrofia do nervo óptico entre outros sintomas.

Exames Laboratoriais O estudo eletrocerebral da resposta evocada por estimulo monocular visual mostra diminuição da propagação neuronal ao nível do tronco cerebral, nervo óptico e suas vias. São realizados exames tais como, Hemograma, Linfócitos, Proteínas do Líquido Cefalorraquidiano e Eletroforese das Proteínas.

Exames Radiológicos Ressonância Magnética da Cabeça e Ressonância Magnética da Coluna a fim de

evidenciar lesão ou cicatrização.

Tratamento

Visto que não há cura para a Esclerose Múltipla, o tratamento busca o retorno das funções após um ataque e evita novos ataques prevenindo assim a incapacitação.

Para se tratar a esclerose múltipla recomenda-se fisioterapia, psicoterapia e o uso de antivirais afim de às vezes melhorar os sintomas causados pela doença.

Fisioterapia Esse tratamento tem como objetivo ajudar o paciente a realizar as atividades da vida diária de uma maneira tão fácil quanto possível e assim melhorar sua qualidade de vida. Visto que a esclerose aumenta o nível de incapacidade, fica como tarefa para o fisioterapeuta maximizar a capacidade funcional do paciente.

Psicoterapia À medida que o paciente vai sentindo os sintomas causados pela doença, é de extrema importância que se associe a psicoterapia para minimizar os efeitos psicológicos trazidos pela incapacidade progressiva. Antivirais Podem ser por Imunomodulação, onde se usam medicamentos a fim de ajustar o nosso sistema imunológico, diminuindo a ação da doença no organismo, ou por Imunossupressão, onde se usam medicamentos corticóides, quimioterápicos ou outros que geralmente são aplicados através de pulsoterapia. Esses são encarregados de diminuir drasticamente o funcionamento do sistema imunológico.

Epilepsia

É uma alteração na atividade elétrica no cérebro que produz manifestações motoras, sensitivas, psíquicas ou neurovegetativas. A epilepsia também é conhecida como convulsão. Uma pessoa é considerada epilética quando o mesmo apresenta alguma alteração cerebral que o predispõe a desenvolver periodicamente crises convulsivas, sem que haja alguma agressão ao cérebro para desencadeá-la.

A Epilepsia pode ser dividida em dois grupos; crises parciais e crises generalizadas.

Crises Parciais Disfunção temporária de uma pequena parte do cérebro. Ocorre quando os impulsos elétricos ficam restritos a apenas uma região do cérebro. Pode ser crise parcial simples no qual ocorre sem alteração do nível de consciência do paciente, e pode ser crise parcial complexa onde o paciente normalmente apresenta comportamentos e movimentos repetidos como andar em círculos, ficar puxando a roupa, virar a cabeça de um lado para o outro. As crises costumam durar em média 1 minuto.

Crises Generalizadas Disfunção envolvendo os dois hemisférios do cérebro. A crise convulsiva mais comum, que também é conhecido como ataque epilético, é a crise Tônico Clônica, aonde a pessoa apresenta rapidamente uma súbita rigidez dos músculos e cai inconscientemente, a partir daí segue-se uma sequência de movimentos rítmicos e rápidos dos membros além do mesmo salivar podendo até mesmo morder a língua durante a crise.

Causas

As causas para epilepsia podem ser várias visto que vários fatores podem lesar os neurônios, ou células nervosas através de um traumatismo craniano que provoca cicatrizes cerebrais, drogas e/ou tóxicos, problemas cardiovasculares, tumores ou doenças infecciosas.

As crises podem se desencadear através de alguns dos fatores a seguir; • Ingestão alcoólica;

Ansiedade;

• Cansaço;

• Verminose como neurocisticercose;

• Nervosismo;

• Mudanças súbitas da intensidade luminosa;

• Privação do sono.

Diagnóstico

Através de exames de imagem como a Tomografia Computadorizada pode se identificar lesões no cérebro. Há também o Eletroencefalograma que ajuda no diagnóstico, mas deve ser feito preferencialmente durante a crise.

Complicações

Se o paciente não buscar tratamento adequado para epilepsia, poderá ter as seguintes complicações com o passar do tempo;

• Hipotensão arterial;

• Hipoglicemia;

• Acidose metabólica;

• Falência renal (Mioglobinúria, Hipóxia e Hipotensão)

• Edema Cerebral

Tratamentos

O tratamento para o epilético deve ser medicamentoso, com o objetivo de controlar a atividade anormal dos neurônios, diminuindo as cargas cerebrais anormais. Talvez com o uso de diversas medicações não sejam suficientes para se controlar essa atividade anormal dos neurônios, nesse caso é indicada ao paciente uma cirurgia que consiste na retirada da parte da lesão ou das conexões cerebrais que levam a propagação das descargas anormais. O tratamento pode ser feito com medicamentos tais como;

Hidantal Ácido orgânico fraco pouco solúvel. Interfere no transporte de sódio através da membrana neuronal.

Carbamazepina (Tegretol) Bloqueia os canais de sódio a nível pré e pós sináptico.

Valproato de sódio Interfere na condutância de sódio e aumenta a inibição neuronal.

Fenobarbital (Gardenal) Induz os enzimas do citocromo. Clonazepam Inibição leve das funções do sistema nervoso central permitindo ação anticonvulsivante.

Mal de Alzheimer

É uma doença neurológica degenerativa, irreversível e progressiva que começa de maneira insidiosa que se caracteriza por perdas graduais da função cognitiva, diminuição das atividades mentais em especial da memória e distúrbios no comportamento afetivo.

O Alzheimer é uma forma de demência, um transtorno cerebral complexo causado por uma combinação de diversos fatores.

Áreas do cérebro afetadas pelo Mal de Alzheimer:

A doença de Alzheimer pode ser divida em três estágios: • Leve;

• Moderada;

• Grave.

A lesão neuronal acontece principalmente no córtex cerebral e resulta em tamanho cerebral diminuído. Muitos fatores contribuem para a doença de Alzheimer como ambiental, nutricional e inflamatória, embora o avanço da idade muitas vezes seja o maior risco para a doença.

Estágio Leve

• Esquecimento de eventos recentes; • Comprometimento de novas informações;

• Relação de tempo levemente alterado;

• Orientação espacial prejudicada;

• Necessidade de ser lembrado sobre os cuidados pessoais.

Estágio Moderado

• Esquecimento do nome e identidade de familiares e amigos; • Dificuldade para encontrar palavras certas;

• Incapacidade de lidar com dinheiro;

• Incontinência urinária e fecal;

• Irritabilidade.

Estágio Grave

• Perda da memória de longo prazo; • Dificuldade em terminar uma frase;

• Torna-se dependente do outro;

• Aparência fragilizada.

Sintomas

O sintoma mais comum é a perda de memória. O Mal de Alzheimer afeta as áreas associadas à aprendizagem, coordenação motora e memória. À medida que a doença avança o paciente apresenta novos sintomas como irritabilidade, agressividade, falhas na linguagem, confusão mental e alterações de humor.

Causas

Estudos apontam como fatores de risco a predisposição genética é considerado fator de risco predominante, não necessariamente hereditário, traumatismo craniano, alcoolismo, acidente vascular cerebral, estresse psicológico, depressão, hipotensão e hipertensão arterial.

Diagnóstico

A fazer um exame físico e através de perguntas ao paciente ou familiar pode-se diagnosticar o Alzheimer por causa dos sintomas. Mas também há exames laboratoriais que ajudam no diagnóstico, como análise do sangue, urina ou liquido cefalorraquidiano além de outros tais como Eletroencefalograma, Cisternografia Isotópica e Biópsia Cerebral.

Tratamento

São usados os inibidores de acetil-colinesterase que são medicamentos que inibem a ação da enzima responsável pela degradação da acetilcolina, aumentando de forma indireta a concentração dessa substância a nível sináptico. O tratamento e feito com o objetivo de melhorar a cognição que é o processo de conhecer, tratar os sintomas e as alterações de comportamento e retardar o curso natural da enfermidade.

Parkinson

É um distúrbio neurológico do movimento com progressão lenta, que leva a incapacidade. O Parkinson mais comum é a forma degenerativa.

A doença geralmente afeta mais os homens do que as mulheres com idade acima de 65 anos. Ocorre pela perda de neurônios do sistema nervoso central em uma região conhecida como substancia negra e corpo estriado.

Sintomas

Os primeiros sinais pode ser uma sensação de cansaço ou mal estar no fim do dia. A fala pode se tornar mais monótona e menos articulada, o paciente torna-se deprimido sem motivo aparente, ocorrem lapsos de memória, dificuldade de concentração e irritabilidade, dores musculares são comuns na região lombar.

Com o tempo aparecem os sintomas clássicos que são tremores, rigidez, bradicinésia, alteração de equilíbrio, artralgia, depressão e déficit cognitivo.

Causas

Os sintomas da doença devem-se à degeneração dos neurônios da substancia negra, no entanto na maioria das vezes é desconhecido o motivo pelo qual leva a essa degeneração. Algumas das causas da doença são:

• Fator genético que pode influenciar na propensão da doença; • Uso exagerado e contínuo de medicamentos;

• Isquemia cerebral;

• Freqüentar ambientes tóxicos (ex. indústrias de manganês)

• Trauma craniano repetitivo; • Aterosclerose;

• Acumulo excessivo de radicais livres de oxigênio;

• Infecções virais.

Diagnóstico

A doença é diagnosticada a nível clinico a partir da historia do paciente e da presença de duas das três manifestações cardeais. E através de uma tomografia pode-se notar uma diferença cerebral conforme exemplificado pela figura.

Tratamento

O tratamento para a doença de Parkinson pode ser em medidas não farmacológicas, farmacológicas e tratamento cirúrgico de acordo com a gravidade e o estagio em que se encontra a doença.

Não farmacológicas Através de educação, tratamento de suporte, exercícios e nutrição.

Farmacológicas Selegilina, Amantadina, Anticolinérgicos, Levodopa e Agonistas dopaminérgicos.

Cirúrgico Técnicas lesionais, estimulação cerebral e transplantes.

Conclusão

A Esclerose Múltipla é uma doença neurológica crônica com causa ainda desconhecida no qual ocorre à destruição das bainhas de mielina. O tratamento pode ser feito através de fisioterapia, psicoterapia e antivirais.

A Epilepsia é um conjunto de sintomas relacionados com a hiperatividade súbita e temporária das células do córtex. Pode ser tratado com medicamentos com o objetivo de controlar a atividade anormal dos neurônios.

O Mal de Alzheimer se manifesta clinicamente inicialmente pela perda de memória, agitação, lentidão no raciocínio, depressão alternada com agitação entre outros sintomas. Trata-se essa doença usando medicamentos que inibem a ação da enzima que degrada a acetilcolina.

O Parkinson aparece entre os 45 e os 65 anos, embora evolua de maneira lenta, apresenta sintomas característicos tais como tremores involuntários, instabilidade na postura e dificuldade no andar. O tratamento para Parkinson pode ser por meio de educação, exercícios e nutrição que é conhecido como tratamento não farmacológico, por meio de Levodopa, dopaminérgicos entre outros que é conhecido como tratamento farmacológico e transplantes e técnicas lesionais que é o tratamento cirúrgico.

Referências Bibliográficas

1. ATLAS – Anatomia Radiológica e Patologia Edição 1998 – Revinter.

2. Universidade Castelo Branco – Intervenção de Enfermagem na saúde do adulto idoso.

3. Patologia Estrutural e Funcional Segunda Edição 2000 – Cotran, Kumar e Robbins.

4. OSVALDO ALMEIDA – Tratamento da doença de Alzheimer 1998, vol. 56 páginas 688-696.

5. BRASILEIRO FILHO, G. Bogliolo: Patologia Geral – Guanabara Koogan, 2006 página 916-918.

6. MOACIR ALVES BORGES: Epidemiologia das epilepsias no Brasil – Zanetta 2002.

7. WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre (w.wikipedia.com.br)

8. Universidade de São Paulo (w.unifesp.br/dneuro/neurociencias/vol12_4/esclerosemultipla.htm)

 

Por: Henrique Silva

 

Fonte: Ebah

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