ALTERAÇÕES ORTOPÉDICAS EM CRIANÇAS OBESAS

0
1160

As crianças obesas, em idade infanto-juvenil, podem ter alterações ortopédicas muito precocemente, sobretudo alterações posturais.

O que são alterações ortopédicas em crianças obesas?

A obesidade infantil tem crescido muito e já é considerada um problema de saúde pública por quase sempre estar relacionada a um grande número de situações patológicas, nas quais se incluem disfunções do aparelho locomotor. As crianças obesas, em idade infanto-juvenil, podem ter alterações ortopédicas muito precocemente, sobretudo alterações posturais.

Nos últimos cinquenta anos, a prevalência de crianças obesas no Brasil e em outros países, como os Estados Unidos, por exemplo, aumentou mais de três vezes.

Quais são as causas das alterações ortopédicas em crianças obesas?

Os principais fatores que causam esses problemas são o aumento da sobrecarga articular associado à fragilidade óssea da fase de crescimento.

Qual é o mecanismo fisiológico das alterações ortopédicas em crianças obesas?

O aumento da sobrecarga nas articulações dos membros inferiores, devido à obesidade, pode afetar as articulações desses membros, causando desalinhamentos e dores em idades precoces.

A relação entre a obesidade e o sistema musculoesquelético em crianças não é inteiramente clara, mas acredita-se que ela afete o aparelho locomotor tanto estrutural quanto funcionalmente. O tecido ósseo sofre uma modelagem segundo a carga exercida sobre ele. Durante a infância, os ossos possuem uma maior quantidade de colágeno e são mais flexíveis e, por isso, são mais susceptíveis à deformação plástica.

Os indivíduos obesos exercem maior sobrecarga sobre os ossos do que os indivíduos com peso normal e, por isso, têm maiores chances de sofrerem alterações ortopédicas. E ainda, o abdome protruso dos obesos desloca o centro de gravidade para frente, ocasionando readaptações na coluna vertebral e nos membros inferiores.

Quais são as principais características clínicas das alterações ortopédicas em crianças obesas?

Em geral, as complicações ortopédicas da obesidade são menos abordadas que outras. No entanto, doenças musculoesqueléticas decorrentes do excesso de massa corporal aumentam as necessidades mecânicas do corpo e o gasto de energia, dificultando a realização de atividades físicas, inclusive da marcha. Assim, elas propiciam a instalação de quadros dolorosos e anomalias de postura.

Além dessas alterações, as crianças obesas podem mostrar outras alterações ortopédicas ou da marcha. Os problemas mais comuns nas crianças obesas são hiperlordose lombar, joelhos valgos, dores, principalmente na coluna lombar e nos membros inferiores, epifisiólise da cabeça femoral, osteocondrites e tíbia vara.

Na coluna, pode haver um aumento da lordose lombar e da cifose dorsal compensatória, com hiperlordose cervical e projeção anterior da cabeça. Pode estar presente também uma anteversão pélvica, associada à rotação interna dos quadris, joelhos valgos e pés planos.

Essa postura, que inicialmente é temporária e flexível, surge de forma compensatória para melhorar a estabilidade e só é considerada patológica a partir do momento em que se torna fixa, resultante de adaptações musculares e retrações cápsulo-ligamentares, podendo causar dores no sistema osteomioarticular. A angulação em valgo do joelho pode levar ao desaparecimento do arco plantar medial, causando o pé pronado ou o pé plano.

Como prevenir as alterações ortopédicas em crianças obesas?

As complicações ortopédicas das crianças obesas podem ser, se não totalmente prevenidas, minimizadas por um adequado controle do peso corporal.

Quais são as complicações possíveis das alterações ortopédicas em crianças obesas?

A ocorrência de fraturas ósseas é maior nas crianças obesas que nas demais. Elas podem cair com maior força e de maneira mais inusitada e drástica que crianças com peso adequado. Também nelas são mais frequentes as dores lombares, nos quadris, pernas, tornozelo, pé ou joelho.

O estirão puberal aumenta a fragilidade óssea e altera a qualidade e arquitetura dos ossos. O desbalanço peso/massa óssea pode levar à osteoartrite nos anos posteriores, alterações na postura e diminuição do equilíbrio. Além disso, crianças que apresentam dores musculoesqueléticas são menos predispostas a gostar de atividades físicas, o que favorece ainda mais o aumento do peso.

A prática de atividades físicas, além de favorecer o controle do peso, aumentaria a noção do corpo no espaço, daria mais equilíbrio, aumentando o tônus muscular e a massa óssea. As complicações musculoesqueléticas podem persistir e progredir na vida adulta.

Autor: abc.med.br

Fonte: abc.med.br /www.onortao.com.br

SEM COMENTÁRIOS

O QUE ACHOU DESTE CONTEÚDO? DEIXE SEU COMENTÁRIO.

*