ARTESÃ DOA POLVOS DE LÃ PARA AJUDAR RECUPERAÇÃO DE PREMATUROS EM HOSPITAL DE BARBACENA

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Sônia Barbosa soube de projeto por redes sociais e pesquisou para fazer os bonecos. Fisioterapeuta destaca que este é mais um instrumento que ajuda a dar conforto aos bebês internados na UTI.

Os bebês prematuros não estarão sozinhos nas incubadoras da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal da Santa Casa de Barbacena, no Campo das Vertentes. Eles vão ter a companhia de polvos de lã, devidamente esterilizados. A coordenadora do serviço de fisioterapia Juliana Eliza Moreira, ressaltou que eles ajudam na postura das crianças, mas não substituem a técnica da “mamãe canguru”. A iniciativa partiu da artesã Sônia Barbosa, que procurou o hospital, explicou o projeto e se dispôs a confeccioná-los.

“Eu estava pesquisando técnicas de crochê, especialmente o amigurumi, e descobri o projeto no final de março. Resolvi que poderia fazer para ajudar. Perguntei quantos leitos eles tinham. Na época, eram sete bebês internados nos dez leitos. Usei minhas próprias linhas. Não existe comprovação científica, mas os profissionais da UTI perceberam a diferença e me contaram que eles estavam tranquilos, calmos”, disse Sônia em entrevista ao G1.

A artesã soube por meio de grupos em redes sociais sobre o Projeto Octo, que começou na Dinamarca em 2013 e chegou ao Brasil no final do ano de 2016, em Brasília. De acordo com a assessoria da unidade, a UTI Neonatal da Santa Casa de Barbacena é a primeira entidade da região a utilizar dos polvos de crochê. Prática que o Ministério da Saúde não proíbe, mas também não recomenda.

Enquanto isso, Sônia Barbosa já doou à Santa Casa 17 bonecos feitos com linhas em fios 100% algodão, com a cabeça com oito centímetros e oito tentáculos de 22 centímetros de comprimento. Para continuar a produção, uma amiga doou sete novelos e a artesã está disposta a ensinar para outras pessoas. “O custo para fazer é de menos de R$ 15. Faço um polvo por dia, tem enchimento, tem que bordar olho e boca, fazer detalhes. Ainda não consegui outras pessoas que queiram aprender a técnica para fazer e doar. Meu objetivo é entregar 40, porque o hospital tem demanda alta e o bebê quando tem alta leva o polvo. Tem que ter a mais para atender aos prematuros que chegarem”, disse a artesã, que confessou que fazer e doar os bonecos trouxe resultados além de qualquer previsão.

Todo mundo conhece alguém que teve ou que perdeu um bebê prematuro. A Santa Casa é um hospital que atende pelo SUS e também filantrópico. Se eu já era feliz dentro das minhas limitações, hoje me sinto muito mais feliz, mais útil por fazer uma coisa que está ajudando a salvar a vida destes bebês. Tento fazer os polvos bem bonitos porque imagino que também é um conforto e uma alegria para os pais que passam pelo sofrimento de ter que ficar longe e esperar a recuperação do recém-nascido”, comentou.

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Em duas doações, Sônia Barbosa (de branco) entregou 17 polvos à Santa Casa de Barbacena (Foto: Santa Casa de Barbacena/Divulgação)

Na primeira doação dos sete polvos, Sônia Barbosa descobriu que poderia fazer ainda mais. “A Santa Casa estava com carência de gorrinhos para agasalhar os bebês nas incubadoras. Resolvi abraçar este projeto também. Barbacena é uma cidade fria, é um aconchego que fará bem a eles. Intercalo a confecção dos gorrinhos com os polvos”, disse. Na segunda doação, além dos dez polvos, a artesã doou 20 gorrinhos e sapatinhos.

A coordenadora do Serviço de Fisioterapia da Santa Casa de Barbacena, Juliana Eliza Moreira, disse que o polvo é um instrumento que ajuda na postura do bebê dentro da incubadora. “Evidências científicas relatam que o posicionamento adequado do recém-nascido na incubadora traz muito benefícios, como o desenvolvimento adequado, a estabilização da frequência cardíaca e respiratória, diminuição do trabalho respiratório, aumento dos níveis de oxigênio no sangue, diminuição da dor, do estresse, favorecendo o ganho de peso, estimulação precoce, estimulação táctil, promovendo o desenvolvimento adequado e a qualidade de vida dos prematuros. Ele é o que podemos chamar carinhosamente de amigo do bebê prematuro, um aliado de forma lúdica no cuidado humanizado”, destacou.

A equipe da UTI Neonatal ficou agradecida à iniciativa da artesã, assim como os pais, segundo o relato da fisioterapeuta do hospital. “Muitos já conheciam e ficaram satisfeitos de verem os filhos com o polvo porque é como se o bebê tivesse com um brinquedo dentro na incubadora, brinquedo que ainda não podem dar aos seus filhos. Os pais ficam felizes por acreditar que o bebê deles está feliz”, destacou Juliana Moreira.

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Polvos têm tipo de lã e medidas específicas. Eles são esterilizados na Santa Casa de Barbacena antes de serem colocados nas incubadoras (Foto: Santa Casa de Barbacena/Divulgação)

No entanto, a coordenadora do Serviço de Fisioterapia reforçou que o polvo não substitui técnicas já estudadas e comprovadas como o método “canguru”, que também é realizada na UTI Neonatal. “O polvo não substituiu esse cuidado humanizado e o contato pele a pele com a mãe ou com o pai. O método canguru é comprovado cientificamente, onde o bebê sente a respiração e o coração e se acostuma e passa a reconhecer o cheiro da mãe. Ele tem toda esta estabilidade fisiológica, organização comportamental, consequentemente vai diminuir gasto de energia e vai perder menos peso, vai ter estimulação sensório-motora e favorecendo a alta para que ele não fique muito tempo na UTI”, ressaltou.

Campanha

Para manter a produção voluntária dos polvos, a Santa Casa lançou a ‘Campanha da Linha de Crochê’. Quem quiser ajudar pode doar linha das marcas Anne 100% algodão e Barroco 100% algodão e entregar na própria Santa Casa, na Rua Padre Toledo, s/nº, Bairro São Sebastião. O telefone de contato é (32) 3339-2400.

“Os polvinhos que a gente usa na UTI são individuais, cada bebê recebe o seu. A nossa ideia é que o boneco vá embora com o ele depois da alta. Apesar de não ter estudo, acreditamos que o bebê cria um vinculo com o polvo e então é uma lembrança e recordação para ele”, concluiu Juliana Eliza Moreira.

Por: Roberta Oliveira, G1 Zona da Mata

Fonte: http://g1.globo.com

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