AS TRÊS SÍNDROMES DE MCKENZIE

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Síndrome Postural

           De acordo com McKenzie, os pacientes portadores da síndrome postural, em geral, têm menos de 30 anos de idade e, por definição, não apresentam barreiras restritivas. Esses pacientes desenvolvem sintomas locais e, em geral, adjacentes à coluna vertebral. A dor é provocada por deformação mecânica do tecido sadio normal, quando os segmentos vertebrais são submetidos a uma carga estática durante períodos prolongados. A dor resultante desaparece, quando a estrutura submetida à carga é liberada de qualquer tensão.

           A dor da síndrome postural não é induzida pelo movimento e nunca se irradia para um local distante. Por não existir qualquer inflamação associada, elas jamais é constante. O exame desses pacientes não consegue revelar um comprometimento, pois não existe patologia tecidual subjacente. O único achado consistente é o desencadeamento da dor com uma sobrecarga estática na amplitude final. Simplesmente a dor postural se manifesta gradativamente quando os tecidos normais são submetidos a um estiramento excessivo.
A intervenção mais útil consiste em corrigir o alinhamento defeituoso sempre que este for encontrado (i. e., na posição sentada, ereta, deitada, ao caminhar etc.). Isso pode envolver também uma avaliação ergonômica dos móveis, colchões, travesseiros etc., assim como uma análise das condições de trabalho do paciente.
A complicação em longo prazo da síndrome postural é que ela pode levar a alterações patológicas dos tecidos moles, o que resulta em comprometimento. Entretanto, é provável que isso não ocorra a partir de uma orientação apropriada acerca da postura correta, da intervenção ergonômica e da mecânica corporal apropriada.

Síndrome da Disfunção

           Um problema postural não corrigido causará alterações patológicas com o tempo. Por exemplo, um operador de computador com 35 anos de idade que passa 8 horas por dia em uma posição com a cabeça deslocada para a frente acabará desenvolvendo um encurtamento adaptativo dos músculos extensores occipitais. Da mesma forma, um motorista de caminhão com 40 anos de idade que passa 10 horas por dia em uma posição sentada e encurvada acabará descobrindo uma incapacidade de adotar uma lordose lombar normal na posição ereta, em virtude do encurtamento adaptativo dos flexores do tronco.
De acordo com o Modelo de Limitações Funcionais de Nagi, essas alterações adaptativas no tecido conjuntivo (i. e., aderências, diminuição de ácido hialurônico etc.) representam eventos fisiopatológicos que levam a uma alteração tecidual macroscópica, como mobilidade articular diminuída, fraqueza muscular e alinhamento defeituoso que está frequentemente associado a um desequilíbrio no sistema músculo-esquelético. Se o paciente não corrige seu comprometimento com intervenções apropriadas, poderá desenvolver limitações funcionais e incapacidade, que podem afetar negativamente o desempenho no trabalho, em casa etc.
Uma característica diferencial do paciente com a síndrome da disfunção inclui os sintomas dolorosos que tendem a se manifestar mais ao final da amplitude do que durante o movimento. Esse paciente queixa-se de dor intermitente semelhante àquela do paciente com síndrome postural, porém a diferença está no fato de seus tecidos moles estarem anormalmente retraídos. Os sintomas, em geral, são adjacentes à coluna vertebral e nunca se irradiam distalmente, exceto no caso de uma raiz nervosa pinçada. Pode-se dizer simplesmente que a dor da síndrome da disfunção é produzida imediatamente, quando os tecidos encurtados são alongados.
À semelhança da síndrome postural, a síndrome da disfunção também apresenta uma complicação em longo prazo. Se não for tratada com uma intervenção apropriada (i. e., manipulação terapêutica), pode causar uma patologia mais destrutiva e resultar na última das três síndromes de McKenzie, ou seja, a síndrome do desarranjo.
Entretanto, em alguns casos um evento traumático, na ausência da disfunção preexistente, é suficiente para causar desarranjo do disco intervertebral.

Síndrome do Desarranjo

As características dessa síndrome podem incluir sinais e sintomas neurológicos, dor durante o movimento, deformidade aguda (p. ex., torcicolo, cifose lombar, fenômenos de desvio lateral), além de dor intensa e incapacitante. Os pacientes com a síndrome do desarranjo (derangement) relatam frequentemente uma história de má postura e rigidez progressiva. Acredita-se que a falta de nutrição induzida pelo movimento, em combinação com as cargas aplicadas fora do centro e que agem sobre o disco intervertebral, causa o deslocamento do material discai. É mais provável que os jovens tenham um deslocamento nuclear, enquanto aqueles com mais de 50 anos de idade desenvolvam lesões anulares. Com o início da doença discal degenerativa, os pacientes podem desenvolver instabilidade segmentar, que exige o treinamento de estabilização do(s) segmento(s) hipermóvel(eis) associado à terapia manual para os segmentos rígidos e hipomóveis acima e/ou abaixo.
Os pacientes com a síndrome do desarranjo (que ocorre principalmente nas colunas cervical e lombar) descrevem com frequência que seu pescoço e/ou costas estão “fora”. É imperativo que esses pacientes sejam diagnosticados corretamente, pois do contrário serão privados da intervenção correta. O disco lesionado exige uma abordagem bastante diferente daquela da síndrome da disfunção e não responderá a menos que seja corretamente tratado. Os objetivos da intervenção são:

  1. O desarranjo deve ser devidamente reduzido.
    2. A redução deve ser estabilizada.
    3. Depois que o desarranjo se torna estável, a função perdida deve ser recuperada.
    4. Deve ser enfatizada a prevenção de recidiva
    do desarranjo.

A classificação da deficiência vertebral em uma das três síndromes de McKenzie (Quadro abaixo) constitui apenas o início do estabelecimento de uma intervenção correta. Existem outras subclassificações das síndromes tanto da disfunção quanto do desarranjo. Essas são feitas durante o processo de avaliação e são necessárias para estabelecer o diagnóstico correto. A teoria responsável pela abordagem de McKenzie pode e deve ser apresentada em toda e qualquer referência sobre terapia manual vertebral, porém somente após frequentar um curso intensivo sobre as teorias de McKenzie que o terapeuta terá uma compreensão real sobre essa abordagem ímpar baseada em problemas para os pacientes com patologias vertebrais.

Síndrome Postural 1 – Tecidos sadios e normais;

2 – A dor é induzida por uma carga estática ao final da amplitude do movimento e não pelo movimento;

3 – A dor nunca se irradia nem é constante.

 

Síndrome da Disfunção 1 – Os tecidos moles encurtados apresentam uma elasticidade reduzida;

2 – A dor ocorre ao final da amplitude de movimento, quando as estruturas encurtadas são colocadas sob tensão;

3 – A dor nunca é percebida durante o movimento nem é irradiada.

 

Síndrome do Desarranjo 1 – O alinhamento inadequado do material do disco intervertebral (anel ou núcleo) causa bloqueio;

2 – Os sintomas são agravados ou minorados por movimentos específicos, podem irradiar-se distalmente e tendem a ser constantes e frequentemente intensos;

3 – O paciente pode apresentar uma deformidade vertebral aguda (p. ex.. cifose, torcicolo ou desvio lateral), que cede rapidamente com frequência através de terapia manual e exercício terapêutico.

 

Referências

MAKOFSKY, H. W. Coluna Vertebral: Terapia Manual. 1a edição, editora LAB, 2005

Fonte:http://www.terapiamanipulativa.com.br

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