ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NA LESÃO DO MANGUITO ROTADOR

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O ombro é a articulação de maior mobilidade do corpo humano e como conseqüência uma das mais vulneráveis do ponto de vista de lesões. A estabilização desta articulação classificada como sendo do tipo glenoumeral é devida, em grande parte, à ação dos músculos: subescapular, supra-espinhal, infra-espinhal e redondo menor, cujos tendões se fundem e constituem o que chamamos de manguito rotador.

manguito
O manguito funciona na verdade como uma convergência de tendões, semelhante a um capuz ao redor da cabeça do úmero. Os tendões dos quatro músculos se unem a cápsula articular ao redor da articulação glenoumeral e segundo Craig (2000) suas principais funções são:

Potencializar as rotações da articulação glenoumeral, em decorrência da ação primária dos músculos infra-espinhal, redondo menor e subescapular. A rotação lateral é imprescindível durante a abdução da articulação glenoumeral, pois libera a tuberosidade maior do úmero do atrito com o acrômio.

• Estabiliza a dinâmica da articulação glenoumeral. O músculo subescapular é o principal estabilizador dinâmico anterior da cabeça do úmero, enquanto o músculo infra-espinhal é responsável pela estabilização dinâmica posterior. No músculo supraespinhal parece proporcionar uma restrição estática à migração superior da cabeça do úmero. Nos músculos infraespinhal, redondo menor e subescapular exercem ação primária na depressão da cabeça do úmero, em razão de sentido oblíquo de suas fibras em direção a esse osso, o que gera um vetor de força no sentido caudal sobre sua cabeça. Na realidade, os músculos do manguito rotador e o músculo deltóide formam um mecanismo force couple sobre a cabeça do úmero, sendo que o vetor de força no sentido cranial exercido pelo músculo deltóide durante a elevação do membro superior é equilibrado pela ação centralizadora e depressora do manguito rotador sobre a cabeça do úmero, resultando em um movimento de rotação harmônica e preciso.

• Proporciona um compartimento fechado importante para a nutrição das superfícies articulares da cabeça do úmero e da cavidade glenoidal.

Músculos que compõe o manguito rotador são:
Músculo Origem na escápula Fixação no úmero Função Inervação
Músculo supra-espinhal
fossa supra-espinhal
tubérculo maior
abdução do braço
Nervo supra-escapular (C5)
Músculo infra-espinhal
fossa infra-espinhal
tubérculo maior rotação externa do braço Nervo supra-escapular (C5-C6)
Músculo redondo menor
borda lateral
tubérculo maior rotação externa do braço Nervo axilar (C5)

Músculo subescapular
fossa subescapular
tubérculo menor
rotação interna do úmero
Nervo subescapular (C5-C6

As lesões do manguito rotador podem ocorrer devido a degeneração ligamentar, traumatismo, uso excessivo da articulação (atividades realizadas com as mãos acima da cabeça), ou problemas vasculares. Geralmente acometem com maior predominância indivíduos do sexo masculino, acima dos 40 anos de idade, porém esses números tendem a mudar rapidamente devido ao grau de complexidade que os trabalhos atuais estão exigindo de ambos os sexos, associados ao alto grau de sedentarismo da população. Com a lesão do ombro aparecem sintomas fáceis de identificar, entre eles: dor profunda e irradiada, diminuição da amplitude de movimento em especial ao afastar lateralmente o braço (abdução de ombro),diminuição da força muscular devido a imobilidade e por fim uma hipomobilidade escapular.

Dentre as fases de evolução da lesão podem ocorrer edema, hemorragia, fibrose, inflamação  e até ruptura do tendão em casos mais graves.
Os pacientes portadores de lesão do manguito rotador podem ser divididos em 3 grupos:

I- aqueles sem risco de desenvolver alterações irreversíveis num futuro próximo com o tratamento não cirúrgico (apresentam tendinite ou rupturas parciais e podem ser tratados de forma não cirúrgica);

II- aqueles em risco de desenvolvê-las (portadores de lesão completa ou médias, tratados cirurgicamente);

III- aqueles que já as desenvolveram (geralmente acima dos 70 anos de idade portadores de rupturas crônicas);

Nas fases iniciais da lesão do manguito rotador objetiva-se o controle da dor, através do repouso, utilização de anti-inflamatórios não esteróides, crioterapia, manutenção da amplitude de movimentos e cinesioterapia com uso de alongamentos. Após o controle da dor e da melhora da mobilidade a fisioterapia deverá buscar fortalecer gradualmente a força muscular do grupo manguito rotador e em seguida da musculatura abdutora de ombros (deltóide). Associado a isso o paciente deverá reeducar suas atividades de vida diária, evitando permanecer longos períodos com os braços elevados acima da cabeça e cuidar principalmente com a elevação de cargas excessivas.

Aos primeiros sinais de dor, edema e principalmente perda da amplitude de movimento deve-se buscar uma avaliação médica com um ortopedista e caso seja realmente necessário este lhe encaminhará para um serviço de fisioterapia. Uma detecção precoce da lesão pode ser fator crucial na reabilitação do paciente.
A melhor maneira de prevenir uma nova lesão é manter os músculos e tendões bem fortalecidos e alongados.

Exercícios de reabilitação da lesão do manguito rotador:
Os exercícios a seguir são apenas um guia de tratamento básico, por isso o paciente deve-se fazer reabilitação acompanhado de um fisioterapeuta, para que o programa seja personalizado. A fisioterapia conta com muitas técnicas e aparelhos para atingir os objetivos, como: analgesia, fortalecimento muscular, manutenção ou ganho da amplitude de movimento de uma articulação, etc, e por isso, o tratamento não deve ser feito sem a supervisão de um profissional.

1 – Amplitude de Movimento Escapular:
Em pé, Levar os ombros para cima, comprimir as escápulas, uma de encontro à outra.
Depois, empurrá-las para baixo como se estivesse colocando as mãos nos bolsos de trás da calça.
Manter por 5 segundos, relaxar e repetir 10 vezes.

2 – Exercícios Com Bastão:
A – Flexão do Ombro:
Em pé, segurar um bastão com as mãos, com as palmas para baixo.
Levar os braços esticados até a cabeça.
Manter por 5 segundos, relaxar e repetir 10 vezes.

B – Rotação externa:
Em decúbito dorsal, segurar um bastão com ambas as mãos, palmas para cima.
Os braços devem ficar apoiados no chão, ao lado do corpo e os cotovelos flexionados a
90º.
Com o braço são empurrar o braço lesionado e afastá-lo do corpo.
Os cotovelos devem ficar imóveis.
Manter por 5 segundos e repetir 10 vezes.
C – Extensão do Ombro:
Em pé, segurar o bastão com as mãos atrás de seu corpo afastá-lo das costas.
Manter por 5 segundos, relaxar e repetir 10 vezes.

3 – Isométricos:
A – Rotação Externa:
Em pé, de frente para uma porta aberta, com o cotovelo dobrado a 90º e com o dorso da mão encostado no batente.
Aplicar força contra o batente.
Manter por 5 segundos, relaxar e repetir 10 vezes.
B – Rotação Interna:
Em pé, de frente para uma porta aberta, com o cotovelo
dobrado a 90º e com a palma da mão encostada no
batente da porta.
Aplicar força contra o batente.
Manter por 5 segundos, relaxar e repetir 10 vezes.

4 – Exercício de Rotação Externa Com a Faixa Terapêutica:
Em pé e com a mão do lado lesionado encostado no o abdômen, segurar a faixa que deve se encontrar presa a uma maçaneta de porta, do lado oposto ao braço lesionado e puxá-la rodando o braço para fora e afastando a mão da cintura, sem desencostar o cotovelo do corpo.
O cotovelo deve estar dobrado a 90º e o antebraço, paralelo ao chão.
Repetir 10 vezes e evoluir para 3 séries de 10.

Fazer 3 séries de 10 repetições.

5. Exercício Supra Espinhoso:
Em pé, braços descansados na lateral do corpo e polegares apontados para o chão, inclinar levemente o tronco para frente e levantar os braços lateralmente.
Conservar os cotovelos (braços) estendidos.
Levar as mãos até a altura do ombro.
Manter por 10 segundos, descansar e repetir 10 vezes.
Gradualmente, adicionar carga ao exercício, segurando pesos com as mãos para aumentar o fortalecimento.

Referências:
AINSWORTH R, Lewiis JS. Exercise therapy for the conservative management of full thickness tears of the rotator cuff: a systematic review. Br J Sports Med 2007;41:200-10.
BERRY H, Fernandes L, BLOOM B, Clark RJ, Hamilton EB. Clinical study comparing acupuncture, physiotheraphy, injection and oral anti-inflammatory therapy in shouldercuff lesions. Curr Med Res Opin 1980;7:121-6.
EJNISMAN B, ANDREOLI CV, CARRERA EF, (2003), “Ombro diagnóstico e tratamento” in, COHEN M, ABDALLA RJ, (orgs.), Lesões nos Esportes Diagnóstico – Prevenção – Tratamento. Rio de Janeiro – RJ, REVINTER, 429-447.
COELHO RSA.: Os instrumentos de avaliação do estado funcional do ombro. Fisioterapia Brasil. Vol. 8, Nº. 3. Maio/Junho, 2007. Pág. 202-209.
ELLMAN, H.; HANKER, G.; BAYER, M.: Repair of the rotador cuff: End – result study of factors influencing reconstruction. J Bone Joint Surg 68A: 1136-1144, 1986.
DUTTON M (2006) “O Complexo do Ombro” in, DUTTON M, (org.), Fisioterapia Ortopédica – Exame, avaliação e intervenção. Porto Alegre – RS – ARTMED, 399-506.

Por: Resenha escrita por Drª Luana Monteiro

Fonte: Edfisicasaudeesporte

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