A BATALHA CONTRA A ESPONDILITE ANQUILOSANTE

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A espondilite anquilosante é uma doença reumática inflamatória, crônica, que afeta principalmente as articulações sacroilíacas e a coluna vertebral. Literalmente, a expressão é composta da palavra grega “spondylos”, que significa vértebra, e o sufixo “ite”, que é utilizado para designar um processo inflamatório. Anquilose vêm do grego “agkúlos” (em forma de gancho) e implica a fusão de ossos e perda de mobilidade de uma articulação.

A espondilite anquilosante progride insidiosamente com o tempo. Inicia com lesões inflamatórias em ossos, tendões, ligamentos e outros tecidos ao redor das articulações. O indivíduo passa então a apresentar dor, rigidez, vermelhidão, inchaço e temperatura elevada nas áreas afetadas. Ocorrem pontos de erosão óssea e posteriormente a formação desordenada de tecido ósseo nas articulações comprometidas, resultando em  anquiloses associadas a limitações de movimentos, tensão muscular e alterações posturais, que aceleram o processo degenerativo da coluna vertebral. Na medida em que a doença progride, o indivíduo sofre perda importante de funções e redução significativa da qualidade de vida. Pesquisas indicam que pelo menos um terço das pessoas portadoras de espondilite anquilosante desenvolve incapacidade física severa.

Em alguns casos, a doença está associada com o desenvolvimento de aterosclerose, que aumenta o risco de doenças cardiovasculares, e osteoporose, que aumenta o risco de fraturas. Recentemente, diversos estudos da Europa e dos Estados Unidos demonstraram a influência prejudicial do fumo na atividade e na progressão da espondilite anquilosante.

O principal objetivo do tratamento é controlar adequadamente os sinais e sintomas da doença, reduzindo a inflamação e mantendo a funcionalidade do indivíduo normal ou o melhor possível, aumentando sua qualidade de vida. Para isso, a estratégia de tratamento deve se compor de uma combinação de terapias medicamentosas e não medicamentosas, como orientações educativas e fisioterapia.

Com um tratamento medicamentoso bem planejado e aplicado, o paciente pode obter melhora clínica importante, além de evitar a progressão da doença. Algumas evidências indicam que certos medicamentos obtêm uma resposta clínica melhor do paciente quando utilizados em fases precoces da espondilite anquilosante, de modo que o diagnóstico precoce da doença torna-se importante.

Embora ainda escassa, a evidência científica da eficácia da fisioterapia na espondilite anquilosante está crescendo. Deve-se enfatizar entretanto que a fisioterapia deve ser utilizada em combinação com os medicamentos, e não os substituindo.

exercicio em grupo

Um dos recursos da fisioterapia mais recomendados para indivíduos com espondilite anquilosante é o exercício. Em comparação com indivíduos que não realizavam nenhum tipo de exercício, aqueles que se exercitavam apresentaram efeitos de melhora da dor, mobilidade e funcionalidade. Portanto, é fundamental a prática regular de exercícios durante toda a vida. A prescrição de programas de exercícios para realização individual em casa é benéfica, contudo a realização de exercícios em grupo de modo supervisionado alcança resultados melhores. Como o comprometimento com a prática regular de exercícios normalmente é difícil, sua prescrição deve ser individualizada, levando em consideração as preferências dos pacientes. Uma parte pode preferir algumas horas de exercício por semana em grupo, enquanto outros são mais motivados por exercícios recreacionais feitos individualmente em seu tempo de lazer. Exercícios convencionais em solo, como o alongamento por exemplo, são recomendados. Contudo alguns estudos sugerem que técnicas especiais de reeducação postural global melhoram ainda mais a postura. Há também evidências de que a natação produz efeitos positivos adicionais de melhora da expansão torácica e da função pulmonar, do que os exercícios convencionais.

Um recurso menos investigado para a espondilite anquilosante são as terapias manuais, como a mobilização da coluna vertebral e a massagem. Um estudo comparou um grupo tratado com terapia manual com outro não tratado e apresentou resultados positivos de melhora da expansão torácica, postura e mobilidade, que sugerem que a terapia manual pode ser benéfica no tratamento da espondilite anquilosante. São necessárias mais pesquisas para confirmar esses resultados.

Outra opção de tratamento é a terapia de spa, em que se combinam intervenções fisioterapêuticas com tratamento por imersão em águas termais no ambiente diferenciado de um resort. Evidências fortes de estudos apontam os benefícios desse tipo de terapia, com melhora da funcionalidade e da qualidade de vida dos pacientes.

REFERÊNCIAS

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Fonte:https://susanyuan.wordpress.com

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