CARBOXITERAPIA: PLANOS DE APLICAÇÃO – NOVO CONCEITO

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1981

Compreendemos a carboxiterapia como sendo a infusão subcutânea controlada de dióxido de carbono (CO2) medicinal, nas diferentes camadas da pele e tecido adiposo, produzindo efeitos como melhora da circulação e oxigenação dos tecidos, neoangiogênese, fibrogênese, produção de colágeno, e a indução da lipólise pela ação do CO2 (Carbolipólise).1

A aplicação do gás carbônico é feita diretamente no interior dos tecidos através de um equipamento próprio que permite ao profissional total controle do fluxo (velocidade do gás injetado em mililitros/minuto) e volume do gás utilizado no tratamento (quantidade de gás injetado em mililítros).

A primeira via de utilização do CO2 foi a transcutânea, realizada através dos banhos em água enriquecida com CO2 termal ou industrial no tratamento de arteriopatias e insuficiência venosa crônica de membros inferiores 2. A via percutânea (pele) ou subcutânea (tecido subcutâneo) foi utilizada secundariamente em feridas crônicas, observando como resultado a diminuição da infecção local e antecipação da cicatrização (ação terapêutica).3 Posteriormente, passou a ser utilizada para recuperar alterações morfológicas da pele e acúmulos localizados de gordura, promovendo o rejuvenescimento facial e melhora do contorno corporal.

A profundidade de aplicação do gás carbônico depende da finalidade do procedimento. Aplicações percutâneas buscam normalmente a oxigenação, vasodilatação, e produção de colágeno na pele; mas nas áreas mais profundas como afecções no tecido adiposo, e também em comprometimentos musculoesqueléticos e doenças de caráter reumático obrigam o uso do gás em maiores profundidades.

Baseando-se nisso, encontramos na literatura a divisão dos planos de aplicação da carboxiterapia em: Superficial(Mesoepidérmico), Médio (Dérmico) e Profundo (Hipodérmico);4 ou ainda em Dérmico Superficial (Mesocarboxi),Dérmico Profundo (Descolamento) e Subcutâneo (Clássico).5 O primeiro plano tem como objetivo aumentar a oxigenação (potencialização do Efeito Bohr) e vasodilatação; o segundo plano objetiva o aumento da produção de colágeno e o terceiro plano tem como objetivo estimular a lipólise (degradação dos triglicerídeos)4,5.

Dentre as indicações da Carboinsuflação, citamos: deiscências de sutura, necrose tecidual, úlceras de pressão, queimaduras, envelhecimento tecidual, flacidez cutânea, rugas, acúmulo de gordura localizada e celulite. Como mencionado anteriormente, cada afecção tem sua particularidade na forma de aplicação em virtude do efeito fisiológico que se quer obter e da profundidade que se encontra a afecção.

O acúmulo irregular de gordura nos tecidos subcutâneos e conjuntivo, formando saliências e depressões que deformam a superfície da pele, pode ser chamado de celulite. Um dos recursos disponíveis no mercado para o tratamento desta afecção é a Carboxiterapia. Assim, analisando anatomicamente a celulite, verificamos que esta afecção está instalada na parte mais superficial do tecido subcutâneo, acima da camada de reserva de gordura.

Diante disso, idealizamos um plano de aplicação para a celulite, chamado de Plano Subcutâneo Superficial ou Celucarboxi. Neste caso, a agulha é introduzida totalmente numa angulação em torno de 30° para atingir a camada mais superficial do tecido subcutâneo. Neste plano teremos a ação vasomotora do gás carbônico, degradação dos triglicerídeos e ruptura da membrana dos adipócitos (quando usado um fluxo acima de 150 ml/min).

Em resumo, dividimos a carboxiterapia em 4 planos distintos, como mostra a figura 1: Plano Epidérmico (ação vasomotora), Plano Dérmico (produção de colágeno), Plano Subcutâneo Superficial ou Celucarboxi (tecido celulítico) e Plano Subcutâneo Profundo ou Plano da Gordura (reserva de gordura).

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Figura 1: Esquema da profundidade dos planos de inserção do CO2 na ténica de carboxiterapia.

 

Obs 1. Apesar da dificuldade em mensurar as camadas da pele, a epiderme apresenta espessura média de 0,07 a 0,12 milímetros e a derme uma espessura média de 1 a 2 milímetros, 6 portanto em muitas aplicações, os planos Epidérmico e Dérmico se sobrepõem, parecendo formar um único plano.

Obs 2. Existe esta divisão dos planos de aplicação da carboxiterapia, entretanto a ação vasomotora (aumento da oxigenação e vasodilatação) ocorre em todos, pela ação do CO2 nos tecidos independente do plano. Já a produção de colágeno e lipólise ocorre em camadas específicas.

Referências

  1. Scorza FA, Jahara, RS. Carboxiterapia. In Borges FS. Dermato-funcional: Modalidades Terapêuticas nas Disfunções Estéticas, 2ed. São Paulo: Phorte. 2010.
  2. Schmidt J, Monnet P, Normand B, Fabry R. Microcirculatory and clinical effects of serial percutaneous application of carbon dioxide in primary and secondary Raynaud’s phenomenon. VASA, 2005; 34:93-100.
  3. Wollina U, Heinig B, Uhlemann C. Transdermal CO2 Application in Chronic Wounds. L. Extr Wounds, 2004; 3:103-6.
  4. Kaffer EN. Carboxiterapia: infusão terapêutica dermatológica de CO2 em tratamentos capilares, faciais e corporais – novas práticas em Carboxiterapia capilar, facial e corporal. Produção: Assista, DVD 1, 2009.
  5. Carvalho ACO. Carboxitherapy: curso teórico e prático de Carboxiterapia. Produção: Assista. DVD 2, 2005.
  6. Bloom W, Falcet DW. Skin. In: A Textbook of Histology. 10th Edition. 1975, W.B. Saunders Company. Philadelphia and London, p.514-43.

Por: Flávia Scorza

Fonte: Prof Fabio Borges

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