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CLASSIFICADOR FUNCIONAL É OPORTUNIDADE PARA COMPLEMENTAR RENDA E TRABALHAR COM O PARADESPORTO

Daniel Dias, nadador e maior medalhista da história da Paralimpíada, não tem uma perna e as duas mãos. Seu rival britânico Andrew Mullen compete sem os pés e sem as mãos. Já o americano Roy Perkins tem má formação nas mãos e numa das pernas. Eles competem entre si porque um profissional especialista em fisioterapia ou educação física fez uma análise técnica mostrando que os movimentos do trio eram equivalentes e, portanto, a disputa era justa. Esse é o trabalho do classificador funcional, bom para complementar a renda, conhecer outros profissionais, viajar para competições e atuar no paradesporto.

O classificador funcional não é uma carreira, mas um trabalho que os profissionais fazem eventualmente para Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), que dá a capacitação pelo menos uma vez por ano para quem está interessado. Médicos também atuam, fazendo uma classificação clínica do estado físico dos atletas.

— Não é justo botar para correr um atleta que falta uma perna contra um que não tem um braço. Trabalhamos para diminuir as injustiças tentando igualar as competências — explica a médica Rubia Trés Medina Ligiero, de 56 anos, que virou classificadora de competições de atletismo após acompanhar o filho Marcos Ligiero, que tem paralisia cerebral, em campeonatos.

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Rúbia Trés Medina Ligiéro e seu filho Marcos Medina Ligiéro com Foto: Fabiano Rocha

Uma diária de trabalho gira por volta de R$ 200. Rubia explica que não dá para viver apenas como classificador profissional, mas há outras vantagens envolvidas. O professor de fisioterapia Luciano Teixeira, da Universidade Veiga de Almeida (UVA), aponta que o encontro de profissionais de diferentes partes do país nas competições é um dos pontos positivos da função. Além disso, o seu trabalho de classificador funcional do rugby é, segundo ele, uma oportunidade ideal para aliar a prática à teoria.

— Tenho um laboratório que estuda o movimento e como o deficiente físico se adapta. E é isso que a gente faz na classificação. Avalia a função e o movimento deles — diz.

Classificação por competição

Teixeira, que atua há cinco anos na área, explica que, nos esportes coletivos, cada atleta recebe uma pontuação e os times têm que ter o mesmo número de pontos para jogar.

O número de vagas para classificação funcional é sempre alto porque todos os atletas são submetidos ao exame a cada competição. Rubia explica que há patologias que progridem e os competidores podem ficar mais frágeis com o tempo — o que vai obrigar a disputar o campeonato em outra série.

Além disso, há testes específicos para cada esporte. Thiago Nunes, fisioterapeuta e classificador da natação paralímpica, conta que, além dos exames clínicos, também tem um teste na piscina.

— São dois momentos. Um teste clínico, específico para cada patologia, feito por fisioterapeutas, para ver o que ele apresenta. De acordo com a condição do atleta, a gente vai avaliar em qual série ele vai disputar. Depois, tem um teste dentro da água, que é mais funcional e normalmente tem a presença de um profissional de educação física — afirma.

Thiago diz que na natação também sempre há vagas para profissionais interessadores na classificação funcional.

Quem pode

Profissionais de Fisioterapia, Educação Física e Medicina estão aptos a fazerem o curso do Comitê Paralímpico Brasileiro. Só é liberado a atuar quem completa o treinamento.

Vagas

O próprio comitê aproveita os alunos para trabalharem em suas competições. Com o tempo, os classificadores podem continuar estudando para atuarem em competições internacionais.

Falta gente

O professor da UVA afirmou que o trabalho ainda é pouco conhecido e, por isso, há pouca gente. Teixera conta que a equipe de classificadores do rugby tem cinco pessoas, mas seriam necessárias mais sete.

Fique atento

O calendário dos cursos do comitê pode ser acompanhado pelo site da entidade: www.cpb.org.br. Ele é o oferecido, normalmente, uma vez por ano.

Peça Chave

“Essa é uma função fundamental. Sem ela, não tem esporte paralimpíco”, afirmou Teixeira.

Fonte: Extra Digital

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