CORRENTE AUSSIE OU RUSSA?

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A dúvida de muitos, qual corrente escolher? Para esclarecer essa dúvida convidei uma especialista em correntes terapêuticas para fins estéticos, a Doutora Paulline Paiva que é Fisioterapeuta Especializada em Dermatofuncional, Coordenadora dos Estágios da Faculdade AESPI, Coordenadora da pós Graduação de Fisioterapia Dermatofuncional e Coordenadora da pós graduação em Fisioterapia Oncológica. Neste artigo iremos apresentar os objetivos dessas correntes, o profissional mais indicado para usar o equipamento e a corrente ideal para cada paciente.
De acordo com o Centro de Estudos e Informação Avançada IBRAMED – CEFAI, a corrente aussie recebe esse nome por ter sido desenvolvida na universidade de LaTrobe na Austrália pelo professor Alex Ward. Foram muitas pesquisas que a relacionava com a reabilitação física. Logo a marca IBRAMED inseriu essa corrente em cinco equipamentos: HECCUS, Neurodyn 10 canais, novo Neurodyn, Neurodyn Rubi e Neurodyn AUSSIE SPORT. Isso ocorreu por que o Diretor Comercial da empresa IBRAMED, e o fisioterapeuta Rafael Davini, atual gerente de Marketing da IBRAMED, embarcaram com destino à Austrália. Lá, junto ao professor Alex Ward, passaram alguns dias em contato com os trabalhos realizados em seu Laboratório de Pesquisa na Universidade. Atualmente a corrente é utilizada por milhares de fisioterapeutas para fins de fortalecimento.

Já a corrente Russa criada alguns anos antes da corrente aussie para estimular a tonificação dos músculos dos astronautas russos, que passavam muito tempo em missões fora da terra. Como eles não podiam se exercitar, o tratamento ajudava a evitar a perda de tônus muscular durante as viagens. É possível observar que ambas correntes foram criadas para o objetivo de reabilitação física e isso perdura até hoje. Mas por que ela ficou mais conhecida nas clínicas de estéticas? Ambas as correntes promovem um estímulo elétrico que promove a contração muscular melhorando o tônus muscular, reduzindo flacidez da pele, estimulando a circulação sanguínea e linfática e a oxigenação celular sendo muito importante no tratamento, também, da celulite (fibro edema geloide).
A doutora Paulline explica que essas correntes de média frequência são capazes de promover uma contração muscular por meio de uma corrente elétrica. Essa estimulação elétrica provoca ou pode recrutar um numero maior de unidade motora tendo como consequência um maior recrutamento de fibras musculares em maior sincronia entre as mesmas durante uma contração promovida o que difere de uma contração voluntaria que muitas vezes ele não consegue fazer um recrutamento de todas as unidades motoras. “Quando eu faço uma contração muscular associada à eletroterapia ou a estímulos da eletroestimulação eu consigo recrutar um maior número da musculatura e por isso eu consigo fazer o fortalecimento. Isso se dá não somente na corrente russa, mas também na corrente aussie”, ressaltou.

Como todo e qualquer tratamento existem as indicações e contra indicações, sobre as indicações a fisioterapeuta informou que a principal indicação é o fortalecimento muscular, porém no aparelho da corrente aussie temos outros caminhos que podem ser seguidos, como por exemplo, drenar essa paciente, fazer um pré e pós operatório que também é indicado a fazer com essa corrente devida a sua sensação. E auxilia no fortalecimento da musculatura melhorando a circulação e fluxo linfático por isso tem essas outras indicações.

3Sobre as contra indicações ela aponta que, como qualquer aparelho de eletroterapia, não pode ser utilizado em pacientes que usam marca-passo, pois pode ter interferência, pacientes cardiopatas, os que possuem implantes metálicos (pois pode dá interferência), fraturas recentes (pois estarei aumentando o estresse na lesão), gestantes (eu não vou aumentar o fluxo sanguíneo de uma gestante que já está com o fluxo aumentado) e em pacientes que possuem câncer, pois é um caso delicado por ter que ser feita uma avaliação mais detalhada para se identificar quais os tipos de correntes que ainda se pode usar nesse paciente, e ainda entra quais os tipos de câncer, por isso neste caso é uma contra indicação relativa. E é contra indicado em pacientes com alteração de sensibilidade.

Mas qual corrente utilizar? Aussie ou russa? A doutora Paulline Paiva explicou que existem 2 coisas que diferenciam elas, a principal é a diferença de sensação, pois a corrente aussie é muito mais confortável. Por isso, nossos pacientes preferem a corrente aussie que a russa, principalmente os de dermato-funcional e outra grande diferença é a frequencia da portadora e na parte da modulação que na corrente russa vamos ter uma portadora de 2500Hz e é possível modular essa onda em uma variável de até 100Hz e na corrente aussie vamos ter uma portadora de 1000Hz a 4000Hz e pode ser modulada acima de 100hz.

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Apesar das diferenças na frequência e modulação ainda são necessários mais estudos sobre as correntes. “Não tem como eu dizer cientificamente quais das duas correntes é a melhor, pois não existem muitos estudos na área de dermato-funcional. Como muda muito rápido os aparelhos, é lançado um aparelho e daqui a um mês lançam outro fornecendo um intervalo de tempo para a elaboração de novas pesquisas muito pequeno. O que se sabe hoje é que a sensação da corrente aussie é mais agradável e por isso os pacientes preferem mais esse aparelho, porém ainda existem outros pacientes que ainda preferem a corrente russa”, disse.

Sempre antes de iniciar a corrente eu explico como ela vai atuar no corpo, para que o paciente não sinta medo e nem susto ao iniciar a avaliação e o tratamento, assim de forma mais simples eu apresento o modo e intensidades além da melhor corrente. Sobre como utilizar o aparelho, a fisioterapeuta explica que geralmente temos o modo continuo e o sincronizado, eles funcionam da seguinte forma: o modo contínuo é o modo que o paciente vai sentir a sensação contínua, constante o tempo inteiro; Já sincronizado é aquele que não mantem constante a contração, o paciente não se acostuma com aquele parâmetro, para este modo é necessário lançar o momento de subida, o tempo de contração, a rampa de descida e o tempo de relaxamento.
A fisioterapeuta ainda explica que no modo sincrônico o tempo de relaxamento é sempre maior que o de contração e que os tempos de cada um deles é de acordo com cada paciente, por isso é necessária uma avaliação por um profissional que tenha conhecimento sobre o aparelho e fisiologia e anatomia humana, pois na avaliação é realizado um cálculo para se verificar o tempo de contração conforme a resistência muscular de cada paciente. Então modulação de aparelho é individual para cada paciente.

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Em meus tratamentos sempre há o respeito do limite do corpo do paciente, em relação ao modo e intensidades aplicadas. É realizada uma avaliação e escolha do melhor protocolo de tratamento para o que se quer tratar. “Todo o tratamento vai depender da avaliação, pois depois que você descobrir o tipo de fibra que sua paciente tem a fraqueza é que se traçará um plano com objetivo e os parâmetros do aparelho para o paciente. O tempo numa corrente russa ou aussie  depende de paciente para paciente. Na avaliação a gente faz o teste e identifica o tipo de fibra que deveremos tratar e ver quanto tempo é possível fazer aquele fortalecimento daquela musculatura sem proporcionar fadiga, estresse ou algum tipo de lesão”, revela.
Nesses equipamentos sempre vem alguns acessórios, como o gel condutor, eletrodos de diversas formas e modelos, cabos, entre outros. A doutora Paulline informou que hoje é preferível usar as placas autoadesivas.“É muito difícil eu usar placas que precisam de gel, pois não corre o risco de sair do local, além de sujar a paciente com o gel, ao contrário das auto adesivas que ao movimento ela não corre esse risco de sair do lugar, é mais pratico e seguro.Ainda uso o gel nas terapias combinadas, quando uso o manthus, Eccus, entre outros que geralmente é um aparelho de ultrassom de alta potencia associado a uma corrente russa que faz os dois ao mesmo tempo em uma única manobra, apenas nesse caso uso o gel específico ao aparelho que pode ser a base de água ou de outras substâncias que ajudam da redução de gordura localizada”, explicou.
É muito importante procurar saber a formação do profissional que estará trabalhando essas correntes, atualmente há uma disputa da profissão nessa área de dermato-funcional. Sobre isso, a doutora Paulline informa que hoje existem outros profissionais que podem trabalhar com a dermato funcional, não só a esteticista como a enfermeira que pode ter especialização em estética, assim como os profissionais de biomedicina, nós fisioterapeutas e médicos, então não existe uma limitação dessa corrente apenas para o fisioterapeuta, mas em contra partida nos fisioterapeutas conhecemos mais o aparelho. “nós temos mais conhecimentos fisiológico anatômicos do que os esteticistas para fazer essa intervenção, pois não é apenas aplicar o aparelho”, ressaltou.

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Ela ainda informa que o aparelho é fácil de aplicar, qualquer representante de aparelho te fala isso e em 5 minutos você sabe ligar o aparelho, o problema é você saber avaliar. Para você colocar um tipo de aparelho você precisa saber se essa paciente tem fraqueza muscular e qual o tipo de fortalecimento, se é nas fibras brancas ou nas vermelhas, nas fibras lentas ou nas fibras rápidas, então para isso precisa sim ter um conhecimento maior de anatomia e fisiologia. Para fazer uma avaliação bem feita e determinar qual parâmetro essa paciente precisa.
Fica clara a importância do fisioterapeuta no uso dessas correntes, não existe curso de especialização em dermato ou em qualquer tipo de aparelho utilizado na área de dermato para a profissão de esteticista. Entender de fisiopatologia, fisiologia e anatomia, além de avaliação clínica, é de direito e dever dos enfermeiros, fisioterapeutas, médicos e biomédicos para este tratamento. Isso é fornecido na graduação dessas profissões e pós-graduação. Não é que o esteticista não possa usar, mas aconselho que se procure alguém que possa ter capacidade para avaliar o paciente e maior conhecimento sobre o corpo humano e o equipamento em questão. Nem tudo é preço, o importante é a qualidade do serviço.

 

Por: Luciana Hipólito de Sousa Coêlho  é graduada em Fisioterapia com Especialidade em Fisioterapia em Terapia Intensiva -UTI em Fortaleza pela Inspirar com atualização em cardiorespiratório e capacitação em fisioterapia funcional neurológica (estimulação precoce e neuro-infantil) e capacitação em fisioterapia em terapia intensiva e cárdio-respiratória neonatal, infantil, e adulto em Fortaleza

 

Fonte: Teresina Diário

 

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