DIÁRIO DE VALENTINA: FISIOTERAPIA AJUDA BEBÊ COM MICROCEFALIA A SUPERAR RIGIDEZ MUSCULAR

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No 16º dia de dezembro, com 37 semanas de gestação, Valentina Vitória nasceu por meio de cesariana. As perninhas, com músculos rijos, recusavam-se a baixar. Os pezinhos gordinhos, flexionados para cima. E as mãozinhas cerradas escondiam o dedão. Sequelas da microcefalia que vêm sendo tratadas com fisioterapia. Toda terça-feira, a diarista Fabiane Lopes, de 32 anos, leva a filha ao Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, de Saracuruna, em Duque de Caxias, para sessões de exercícios e alongamentos. Animada com os resultados, a mãe capricha no modelito da menina. Rola para cá, gira para lá, roda, estica, dobra. E o laço permanece, intacto.

— Está sendo muito bom para Valentina. Eu só fui ver a palma da mão da minha filha numa sessão de fisioterapia, porque ela ficava sempre com a mão dura, fechada. Agora, as perninhas já abaixam, e os pés estão menos flexionados. Ela está bem mais relaxada — diz Fabiane.

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A rotina de exames e consultas da criança é acompanhada pelo EXTRA desde fevereiro. E, há sete domingos, a série de reportagens “Diário de Valentina” mostra o desenvolvimento da menina, cuja fisioterapia começou ainda na UTI neonatal do Hospital de Saracuruna, onde ela passou as primeiras 48 horas de vida.

— O posicionamento terapêutico do bebê já trabalha o seu desenvolvimento motor. Também atuamos com fisioterapia respiratória. Depois que recebem alta, os bebês com microcefalia são agendados para o ambulatório — diz a coordenadora da fisioterapia no Saracuruna, Elizabeth Silva.

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Foi assim que, pouco antes do carnaval, em fevereiro, Valentina fez sua primeira sessão de exercícios no ambulatório da unidade de Duque de Caxias. Pelas mãos da fisioterapeuta Sara Mello, que realiza os atendimentos semanais, a criança ganha movimentos de braços e pernas.
— O objetivo da estimulação precoce é que a criança consiga se desenvolver e ficar adequada à faixa etária dela. Nosso cérebro é um caminho reto, mas quando há obstáculos, ele faz rotas alternativas, e isso acontece de um jeito diferente em cada paciente — explica Sara, que, ao fim de cada atendimento, ensina exercícios para a mãe fazer com a filha em casa. — A lição de hoje é colocar a Valentina de barriga para baixo, sempre sob vigilância.

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Sob o olhar apreensivo da mãe, Valentina desliza pelo rolo e resmunga. Quer mamar.

— Mas, se ela mamar, vai dormir. Primeiro, a fisioterapia — diz Fabiane, que, na semana passada, iniciou a introdução de papinhas doces e salgadas na dieta da filha.

Quando chega a hora da massagem nas costas, Valentina relaxa. Fecha os olhinhos.

— Ela adora — diverte-se a mãe, que já aprendeu com Sara como massagear as pernas da menina para que se desenvolvam de forma adequada: — Tudo isso vai ajudar Valentina a crescer e a se desenvolver.

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Elizabeth explica que a fisioterapia oferece os estímulos, mas o grau de desenvolvimento que será alcançado só o tempo dirá:

— E é o paciente que vai ditar. Casos neurológicos são uma surpresa. E precisamos trabalhar a angústia das mães. Para elas, é uma eterna espera.

Quando meu filho vai falar? Quando vai comer? Quando vai andar? E ir para a escola?

— A gente espera que a criança consiga e mostramos para essas mães exemplos positivos, porque ela precisa ter esperança. A mãe tem que ser parceira e trabalhar em casa. Ela não pode desanimar — enfatiza Elizabeth.

Os dias nem sempre são fáceis para Fabiane. Principalmente as noites, que Valentina tem escolhido para suas serenatas.

— Tem hora que bate desespero. Mas olho para ela e me encho de forças. Dei a vida à minha filha e vou ensiná-la a viver.

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16.05.2016

Fabiane sente dores nos pontos da cirurgia de apendicite, realizada de emergência em 20 de abril. Decidiu tirar os pontos ela mesma. E, sem ter com quem deixar Valentina, não foi à consulta no Hospital Moacyr do Carmo, em Caxias, agendada para o dia seguinte.

18.05.2016

O Ministério da Saúde informou que foram notificados 7.534 casos suspeitos de microcefalia desde o início das investigações, em outubro de 2015, até o último dia 14. Desses, 3.332 permanecem em investigação e 1.384 foram confirmados. O ministério considera que houve infecção pelo zika na maior parte dos registros. A mãe de Valentina apresentou os sintomas da doença no terceiro mês de gestação

Fonte: Extra

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