DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA, COM A FISIOTERAPEUTA ALESSANDRA DORÇA

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Caracterizada pela dificuldade respiratória e pela dispneia, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é causada, em 85% dos casos, pelo tabagismo e não tem cura. A fisioterapia pulmonar tem sido utilizada para oferecer maior qualidade de vida aos pacientes, mantendo sua capacidade pulmonar e prevenindo crises da doença e riscos de internações. É o que conta a Fisioterapeuta Alessandra Dorça, reconhecida nacionalmente pelo trabalho de excelência que realiza, mestre em Ciências da Saúde pela Unifesp e, pós-graduada em Fisioterapia Hospitalar, pelo Ceafi/PUC-GO.

Boa Vida Online – Sabemos que a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) caracteriza-se por um conjunto de condições pulmonares que bloqueia a passagem do ar, dificultando a respiração. Seus sintomas são bem comuns, sobretudo em pessoas mais suscetíveis aos problemas respiratórios. O que acontece com os pulmões de quem tem essa doença?

Dra. Alessandra Dorça – A doença ocasiona dano alveolar, o que compromete a troca gasosa. Dessa forma, a dificuldade respiratória e a falta de ar acontecem. A falta de ar, ou, dispneia, é o sintoma mais comum, porém outros problemas estão sempre acompanhando o paciente, como tosse constante e, muitas vezes, com muita secreção.

A dificuldade respiratória faz com que os músculos respiratórios sejam usados em excesso e, por isso, muitos pacientes ficam emagrecidos e com excessivo uso de músculos, chamados acessórios da respiração, que não são tão exigidos durante uma respiração normal.

Boa Vida Online – Quando sintomas comuns, como tosse, expectoração e falta de ar devem se tornar preocupantes?

Dra. Alessandra Dorça – Quando a falta de ar aumenta e a secreção fica mais amarelada, é preciso procurar um médico, pois pacientes DPOCs são susceptíveis às doenças respiratórias e, a infecção, é um grande problema.

Boa Vida Online – Diferencie asma, enfisema pulmonar e DPOC:

Dra. Alessandra Dorça – O DPOC e o enfisema pulmonar têm como principal causa o fumo. A asma é considerada uma doença obstrutiva crônica, porém, diferente da DPOC, ela não pode ser adquirida. A asma aparece em crianças e adultos com predisposição genética para desenvolvê-la. Além dessas diferenças, a asma tem relação direta aos componentes alérgicos e, seu início está associado à infância. Enfim, os mecanismos das doenças são diferentes, mas os sintomas são muito semelhantes: tosse, falta de ar e presença de um sibilo expiratório, aquele conhecido “chiado de gato”.

Boa Vida Online – Essas três condições podem acontecer simultaneamente? Uma pessoa com asma e que fuma pode desenvolver enfisema, por exemplo?

Dra. Alessandra Dorça – Sim, com certeza! Mas a mistura dessas condições clínicas estão relacionadas no DPOC. Pode ocorrer hiperinsuflação pulmonar e estreitamento dos brônquios, o que ocasiona os sintomas já falados. Diferenciar a asma da DPOC no adulto é mais difícil, o diagnóstico deve ser realizado pelo médico pneumologista

oa Vida Online – Podemos considerar que a DPOC seja uma doença que acomete preponderantemente fumantes e ex-fumantes?

Dra. Alessandra Dorça – Sim, com certeza! A maior causa da doença é o tabagismo.

Boa Vida Online – É possível se prevenir contra essa doença, além de se manter bem longe do cigarro?

Dra. Alessandra Dorça – Manter-se longe do cigarro é a maior prevenção, mas associar uma vida saudável, com a prática de exercícios, auxilia na manutenção da capacidade pulmonar, principalmente com o nosso envelhecimento.

Boa Vida Online – Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) estimam que, em 2020, a DPOC seja a terceira causa de morte no mundo. Falta conscientização da população sobre essa doença? Ela ainda é pouco conhecida?

Dra. Alessandra Dorça – Sim, falta educação! O fumo mata e isto deve ser ensinado desde criança.

Boa Vida Online – Uma vez diagnosticada a DPOC, que não é curável, quais são as perspectivas do paciente?

Dra. Alessandra Dorça – Assim que o médico diagnosticar a doença, é fundamental a interrupção do cigarro! O paciente que utilizar a medicação e mudar o seu hábito de vida tem uma sobrevida aumentada, ou seja, vive mais e melhor!

oa Vida Online – Como funciona a fisioterapia pulmonar?

Dra. Alessandra Dorça – A fisioterapia respiratória é um grande auxiliar na manutenção pulmonar, pois trabalha principalmente a parte muscular do paciente. O incremento do trabalho muscular global, a melhora da mobilidade do tórax e do músculo diafragmático, fazem com que a respiração fique muito melhor.

Inúmeros trabalhos na literatura apresentam o resultado de um bom programa de reabilitação pulmonar. A qualidade de vida é melhorada, diminuem as crises de falta de ar, diminuem as intercorrências e as internações, com isso aumenta a sobrevida deste paciente.

Boa Vida Online – É possível evitar medicamentos, principalmente aqueles à base de corticóides, com a fisioterapia?

Dra. Alessandra Dorça – Sim, a fisioterapia respiratória auxilia para evitar crises e agudizações da doença. Dessa forma minimiza-se o uso de muitos medicamentos, entre eles, o corticóide.

Boa Vida Online – Podemos considerar que a fisioterapia pulmonar seja tão importante quanto a fisioterapia motora, na recuperação do paciente e na melhoria de sua qualidade de vida, sobretudo em casos de pacientes hospitalizados?

Dra. Alessandra Dorça – Realizar uma reabilitação respiratória, junto a uma equipe que entende do assunto, é fundamental para evitar os problemas da DPOC. A fisioterapia hoje é essencial para muitas recuperações, desde o paciente internado até o paciente domiciliar. Porém, no caso da DPOC, o papel da reabilitação é imprescindível para evitar as internações e as infecções. Por isso, preventivamente o paciente DPOC deve ser acompanhado pelo fisioterapeuta respiratório.

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Exercícios de expansão pulmonar com o “ambu”, são fundamentais para a expulsão das secreções, que representam um enorme risco às pneumonias, tanto na AMEP, quanto em pacientes com DPOC.

Boa Vida Online – E qual a sua opinião sobre os inaladores?

Dra. Alessandra Dorça – Hoje, os medicamentos são utilizados por meio de bombinha inaladoras. O uso de nebulizadores está sendo muito questionado, pois a melhor forma de hidratar a via aérea e, facilitar a saída da secreção, é pela hidratação oral. Por isso, o incremento da quantidade de água ingerida é que vai facilitar a tosse. Com o medicamento sendo inalado, sempre bem orientado pelo médico, com o uso da bombinha ou puff, dispensa o uso de nebulizadores

Boa Vida Online – Qual a sua opinião sobre a reabilitação respiratória feita com aquele aparelhinho em que o paciente assopra e mantém as bolinhas elevadas?

Dra. Alessandra Dorça – Não existem estudos que comprovem a efetividade desses equipamentos! Eles realmente não deveriam ser indicados. Por isso que a reabilitação respiratória deve ser realizada por quem realmente entende da funcionalidade respiratória. É preciso orientar tratamentos que dão resultado ao paciente. Não podemos permitir que o paciente passe por um procedimento e continue se sentindo mal.

Dra. Alessandra Dorça é sócia-proprietária do Ceafi. Um centro de tratamento que possui 15 anos de experiência na reabilitação de todas as patologias.

Fonte: http://www.boavidaonline.com.br

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