DOENÇAS ASSOCIADAS AOS RISCOS ERGONÔMICOS

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Dor

  • A dor é, antes de mais nada, parte integrante do ciclo da vida: gestação, nascimento e morte. É responsável por desencadear eventos para a defesa da vida do indivíduo, exercendo função protetora, e perpetuando a espécie humana. Ao mesmo tempo, pode ser causa de sofrimento extremo a um, ou mesmo a um grupo de indivíduos, que interage de forma direta ou indireta, com o indivíduo sofredor.
  • Há diferentes enfoques relacionados a terapêutica da dor, e o primeiro limite a ser estabelecido é o que diferencia dor aguda de dor crônica. Mas, antes de tudo, o que consideramos dor?
  • A IASP (International Association for the Study of Pain) define a dor como uma “experiência sensorial e emocional desagradável, associada a dano presente ou potencial, ou descrita em termos de tal dano”, demonstrando que a dor sempre apresenta um componente subjetivo.
  • Dor como sintoma, normalmente, DOR é conseqüência de algum distúrbio em algum órgão ou sistema do nosso organismo, sendo quase sempre possível estabelecer uma correlação entre eles. Múltiplas causas podem dar origem à DOR, como por exemplo ferimentos, queimaduras, fraturas, inflamações, distensão ou estreitamento de  vísceras ôcas, ou alteração de função de um órgão, da circulação sangüínea, e tantas outras mais.
  • Então, a dor é uma sensação, e a reação a esta sensação. Mas a dor gera sofrimento. E o que consideramos sofrimento? Consideramos sofrimento a um conceito mais global, um sentimento negativo que prejudica a qualidade de vida do sofredor.

Classificação Neurofisiológica da Dor

  • A classificação neurofisiológica da dor baseia-se nos mecanismos dolorosos desencadeantes, diferenciando as dores em Nociceptivas e Não Nociceptivas.
  • Dor Nociceptiva:
    • Dor Somática: sensação dolorosa rude, exacerbada ao movimento (dor “incidental”). É aliviada pelo repouso, é bem localizada e variável, conforme a lesão básica. Ex.: dores ósseas, pós-operatórias, dores músculo-esqueléticas, dores artríticas, etc.
    • Dor Visceral: é provocada por distensão de víscera oca, mal localizada, profunda, opressiva, constritiva. Freqüentemente associa-se a sensações de náuseas, vômitos, e sudorese. Muitas vezes há dores locais referidas, como por exemplo, em ombro ou mandíbula relacionadas ao coração, em escápula referente a vesícula biliar, e em dorso, referente ao pâncreas. Ex.: câncer de pâncreas, obstrução intestinal, metástase intraperitoneal, etc.

Classificação Neurofisiológica da Dor

  • Já a Dor Não-Nociceptiva subdivide-se em Dor Neuropática e Psicogênica.
    • Dor Neuropática: é fruto da lesão ou disfunção do Sistema Nervoso Central (SNC) ou Sistema Nervoso Periférico (SNP). Em geral, persistem por longo tempo após o evento precipitante. A dor neuropática pode ser episódica, temporária ou crônica, persistente, podendo inclusive não estar associada a qualquer lesão detectável. Esta dor também pode ser conseqüência de algumas doenças degenerativas que levam a compressão ou a lesões das raízes nervosas, ao nível da coluna. Os pacientes descrevem a dor neuropática como “ardente ou penetrante”, podendo haver a presença de alodínia (estímulos inócuos em situações normais, mas que nesta situação são percebidos pelo organismo como estremamente dolorosos, muitas vezes o simples “roçar” de um tecido sobre a pele desencadeia dor intensa imediata). Os pacientes queixam-se de dores recorrentes. A dor neuropática manifesta-se de várias formas, como sensação de queimação, peso, agulhadas, ferroadas ou choques, podendo ou não ser acompanhada de “formigamento” ou “adormecimento” (sensações chamadas de “parestesias”) de uma determinada parte o corpo.
    • Dor Psicogênica: considera-se a existência da dor psicogência quando nenhum mecanismo nociceptivo ou neuropático pode ser identificado e há sintomas psicológicos suficientes para o estabelecimento de critérios psiquiátricos estabelecidos na classificação DSM-IV. Na prática, a dor psicogênica é diagnóstico de exclusão e de ocorrência muito rara. Muitos autores consideram-na virtual, uma vez que mesmo patologias puramente psiquiátricas são manifestações de alterações orgânicas e identificáveis, mesmo que somente bioquimicamente.

Dor Aguda

  • A dor aguda é relacionada temporalmente a lesão causadora, isto é, deve desaparecer durante o período esperado de recuperação do organismo ao evento que está causando a dor, sendo tratada com analgésicos e suporte terapêutico da causa desencadeante da dor. Não há um limite preciso estabelecido para sua duração na literatura mundial, variando entre 3 a 6 meses, limite máximo em que a maioria dos autores passam a considerar sua presença como crônica. Contudo, a dor aguda pode ter duração extremamente curta, desde alguns minutos, até a algumas semanas, decorrentes das mais variáveis situações, incluindo causas inflamatórias, causas traumáticas, causas infecciosas, pós-operatórios e procedimentos médicos e terapêuticos em geral.

Dor Crônica

  • A dor crônica é considerada por alguns autores aquela com duração maior que 3 meses, ou que ultrapassa o período usual de recuperação esperado para a causa desencadeante da dor (alguns consideram a esse limite 6 meses). Para efeitos práticos, o importante é que a dor crônica não apresenta utilidade a qualquer processo biológico, ou seja, não apresenta propósito biológico, e não assume qualquer outra função senão a de causar sofrimento ao indivíduo, em seu aspecto mais amplo: físico, emocional e financeiro.
  • Muitas vezes, na dor crônica, o fator causal pode já não estar mais atuante ou não ser passível de remoção, sendo um exemplo importante a dor oncológica, que deve ser tratada como um processo patológico distinto, e não mais como apenas um sintoma.
  • Segundo o Dr. Heinz Konrad a DOR AGUDA pode e deve ser interpretada como um sinal de alerta, a DOR CRÔNICA já não tem mais essa função. Uma dor pode tornar-se crônica pelos mais variados motivos, mas ela certamente não tem mais uma função de alerta ou defesa. A dor crônica merece maior atenção por parte da medicina moderna, pois é a dor crônica que acaba com a qualidade de vida, é ela que limita a movimentação, a agilidade, a atividade e o bem-estar das pessoas.

Princípios básicos para o controle da dor:

  • A relação médico-paciente-família deve ser baseada em confiança mútua.
  • Avaliação multidisciplinar e multifatorial completa em relação a causa da dor.
  • Tratamento precoce em todos os estadios da doença.
  • O controle da dor é parte integrante da assistência médica ao paciente oncológico.
  • O paciente deverá ser avaliado e reavaliado sob aspecto álgico, sempre que achar necessário.
  • Em princípio, sempre acreditar que o paciente que sofre dor, realmente sente dor.

Fonte: ebah

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