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Estudo indica que dor lombar é tratada de forma errada

Lêda Gonçalves estava fazendo a unha do pé em janeiro de 2013 quando, ao abaixar, sentiu as costas “repuxarem”. Com muita dor, ela procurou um médico e recebeu remédio e repouso como receita para o tratamento e mesmo após ter feito infiltração por algumas semanas, o sintoma não passava e já não conseguia fazer quase nada por causa da dor. Quatro meses depois, após procurar pela especialista em patologias da coluna vertebral Silvia Canevari, é que conseguiu controlar e aliviar a dor. Hoje, após quatro anos, Lêda continua muito bem e fazendo exercícios.

Assim como Lêda, muitos pacientes com dor lombar estão sendo tratados de forma inadequada por profissionais de saúde, no mundo todo. Essa foi a conclusão de uma série de estudos publicada pela revista americana The Lancet. Baseada em dados levantados por 33 profissionais de saúde, médicos cirurgiões, reumatologistas e fisioterapeutas, de 195 países, durante 26 anos, a série de estudos mostrou que a dor na região lombar é o principal motivo de incapacitação no trabalho.

O problema atinge 540 mil pessoas no mundo, ou seja, quase 1 em cada 10 habitantes no planeta. Um dado bem preocupante nesse estudo, é a forma como alguns médicos têm lidado com a dor lombar dos pacientes: prescrevem remédios desnecessários e até cirurgia, quando o mais indicado seria fisioterapia especializada, exercícios e reeducação da rotina e postural.

Diego Ito também teve o primeiro diagnóstico inadequado. Há nove anos, ele passou por uma cirurgia na coluna por conta de um acidente em uma piscina. Mas há dois anos, após o nascimento do seu filho, ele começou a sentir dores na coluna. Um dos profissionais consultados por ele receitou exercícios físicos para fortalecimento. Na academia, entretanto, a sua dor apenas aumentou.

Segundo Silvia Canevari, fisioterapeuta do Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral de Jundiaí (ITC Vertebral Jundiaí), repouso e medicação contribuem para que a dor lombar se torne crônica. Porém, os exercícios devem ser elaborados pelo fisioterapeuta especialista, pois é o profissional mais preparado para avaliar e indicar o exercício adequado. “Após o tratamento, a academia ou Pilates bem orientados pelo fisioterapeuta seria a melhor forma de fazer a manutenção do tratamento”, comenta Silvia.

Pela ineficácia dos tratamentos, é comum encontrar pacientes de dor lombar que já passaram por inúmeros profissionais, fizeram vários exames de imagem e muita medicação. Muitos são afastados do serviço, diminuindo a renda da família, ou fazem cirurgias desnecessárias.

No Brasil entre 1995 a 2017 houve um aumento de 226% do número de cirurgias na coluna e um aumento de 540% no custo relacionado às cirurgias de coluna. Em 2011, o INSS apontou que a dor nas costas foi a principal causa de pedidos de compensação (afastamento e aposentadoria), representando um aumento de 17% nos últimos 5 anos. “Quando tratado de forma correta, o custo causado pela dor lombar por parte do paciente, convênios empresas e governo, são muito menores”, frisa Silvia.

Exame clínico é o mais importante, segundo a fisioterapeuta, uma conversa cuidadosa individualizando o paciente, a investigação da rotina, as características da dor, os testes específicos realizados no consultório que, mais do que exames de imagem, vai conseguir entender e prosseguir com o tratamento de uma forma mais assertiva. “É muito importante entender o dia a dia do paciente”, explica a especialista.

A fisioterapeuta do ITC aponta os três pilares que devem ser utilizados para fazer o tratamento correto: “Informação/orientação, exercícios e profilaxia.”

Então, qual caminho seguir? “É necessário alterar o modelo de atendimento clínico para os pacientes de dor lombar para assim reduzir o desperdício com os gastos em saúde tanto das famílias, empresas, convênios e governo.”

Fonte: Jornal de Jundiaí

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