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Estudo realizado pelo Mestrado em Ciências da Reabilitação UNISUAM é divulgado em veículo internacional

Após a divulgação de uma série de reportagens que afirmaram que o grande vilão e causador de cervicalgia e hérnia de disco cervical seria a postura em flexão durante o uso do celular, já conhecida mundialmente como “Text Neck” ou “Pescoço de Texto”, um grupo de pesquisadores do Mestrado em Ciências da Reabilitação UNISUAM realizou um estudo mais aprofundado para verificar a relação entre a utilização do aparelho e a patologia, que ganhou repercussão internacional após ser publicado no European Spine Journal e repercutir no Dailymail, The Sun e na rádio BBC, todos do Reino Unido.

De acordo com o Prof. Dr. Ney Meziat Filho, um dos responsáveis pela pesquisa, existem realmente alguns estudos biomecânicos mostrando que há uma tendência à flexão cervical e projeção anterior da cabeça e de que isso exerceria um estresse mecânico importante nas estruturas da coluna cervical por conta do uso prolongado do aparelho. Por isso, se tornou comum culpar a postura ruim durante o uso do celular como causa de dor no pescoço.

No entanto, ao constatarem uma total ausência de estudos científicos mostrando a associação entre o “Text Neck” e a dor cervical, o grupo decidiu, com o intuito de investigar se realmente existe essa correlação, realizar um estudo observacional transversal, que contou com a participação de 150 jovens, entre 18 e 21 anos de idade, que responderam a questionários e foram fotografados de perfil digitando um texto no celular, além de três fisioterapeutas experientes que avaliaram tanto os dados coletados quanto as imagens.

“O objetivo do estudo foi observar se aqueles que ficam com a maior flexão cervical ou projeção anterior da cabeça, segundo a opinião de três fisioterapeutas experientes e também segundo a autopercepção do próprio participante, se queixavam mais de dor cervical. Testamos essa associação não apenas com o desfecho presença de dor cervical, mas também com frequência de dor cervical, considerando uma série de outras variáveis, como tempo de uso e problemas de visão”, explica o pesquisador.

Segundo ele, após avaliação dos dados, não foi constatada nenhuma associação entre o “Text Neck” e dor cervical ou frequência de dor cervical. “No mínimo, podemos dizer que houve precipitação em todas essas reportagens culpando o uso do celular pelo aumento das queixas de dor cervical, já que essa associação não havia sido testada. Atribuir o aumento nas queixas de dor cervical ao “Text Neck”, possivelmente reforçará a falsa ideia de que a coluna cervical é frágil e precisa ser protegida. Esse comportamento excessivamente protetor, por parte da população e dos profissionais da saúde, pode contribuir ainda mais para o excesso de realização de exames de imagem como ressonância magnética e de tratamentos como cirurgia, na maioria das vezes desnecessários”, ressalta o Prof. Dr. Ney Meziat Filho.

Segundo o Altmetrics, site de métricas alternativas para medir o impacto científico de um estudo, o artigo já é o 6º mais compartilhado da história do European Spine Journal, periódico científico que conta com mais de 2.500 artigos publicados e que é o 3º mais importante na área de coluna.

A repercussão do estudo é extremamente gratificante, não apenas para os pesquisadores como também para a Instituição, pois aumenta ainda mais a visibilidade internacional do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Reabilitação UNISUAM, configurando-se, ainda, como um grande diferencial no currículo de cada um dos autores.

Pesquisadores responsáveis pelo estudo

O primeiro autor desse estudo é Gerson Moreira Damasceno, que teve como Orientador o Prof. Dr. Ney Meziat Filho, que finalizou a pesquisa com a fundamental colaboração dos coautores Prof. Dr. Arthur Ferreira – Coordenador, Docente e Pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, Prof. Dr. Leandro Nogueira – Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação UNISUAM e do Instituto Federal do Rio de Janeiro, Prof. Dr. Felipe Reis – Docente do Instituto Federal do Rio de Janeiro e Igor C. S. de Andrade – Fisiológica Fisioterapia Especializada.

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2 comentários

  1. boa tarde me diZ existe fisioterapia para quando o canal que passa os nervo na coluana vai compressando o nervo e doi demais ,eu digo coluna …me d~e uma resposta estou com esse problema será que só fisioterapia resolve? atenciosamente
    obrigada Manira

    1. Bom Dia Manira, sim, existe fisioterapia para casos de compressão nervosa. O ideal seria um acompanhamento de um médico primeiramente, para um diagnóstico com exames de imagem, e logo após passar por uma avaliação fisioterapêutica, para que o profissional possa determinar qual é o melhor tratamento a ser realizado.

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