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ESTUDO REVELA QUE NOVO MEDICAMENTO AJUDA A BAIXAR COLESTEROL

Apesar de serem campeãs de causas de mortes, as doenças do coração parecem não gerar muita preocupação. Poucos dos que já sofreram problemas cardíacos conseguem seguir o tratamento à risca e ter hábitos minimamente saudáveis, como ingerir pouca gordura e fazer atividades físicas com regularidade. Diariamente, 820 brasileiros morrem vítimas de doenças cardiovasculares (o equivalente à queda diária de três aviões por dia). Não à toa, todo mundo conhece ou tem algum familiar que tenha morrido vítima de infarto ou AVC.

Colesterol elevado é um importante fator de risco para doenças cardiovasculares. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 43% dos brasileiros adultos têm níveis elevados de LDL-C, o chamado ”colesterol ruim”. Em excesso no sangue, ele pode acumular-se nas paredes das artérias, criando uma condição conhecida como aterosclerose. Se com o passar do tempo a gordura se depositar nas artérias coronárias, ela pode causar seu estreitamento, levando à angina (dor no peito) e até a um infarto; por fim, caso o acúmulo de colesterol se dê nas artérias cerebrais, ele pode ocasionar um derrame.

Após um primeiro evento, o risco de uma pessoa sofrer outro infarto ou derrame nos próximos 10 anos aumenta em 30%. Portanto, esse paciente automaticamente passa a ser considerado de alto risco e a ter de conviver com a ameaça de um segundo evento. Além da mudança de hábitos, que se torna fundamental, suas taxas de LDL precisam estar sempre abaixo de 70 mg/dL.

O tratamento de primeira linha do colesterol consiste em doses diárias de estatinas e, dependendo da gravidade, de uma outra droga complementar. Mas, como ocorre com grande parte das doenças crônicas, a adesão terapêutica é baixíssima. Dr. Andrei Sposito, professor de cardiologia da Unicamp (SP), explica que o tempo médio de adesão à medicação é de 60 dias. “Normalmente, o paciente interrompe o tratamento por conta própria e não avisa o médico, pois pensa que está bem. Só que a interrupção do tratamento não traz nenhum benefício, somente mais despesa. Alguns anos depois, o paciente volta ao médico, já com o colesterol muito alto, e dessa vez fica mais difícil baixar [os níveis de colesterol].”

Dr. João Francisco Kerr Saraiva, professor da PUC-Campinas (SP), comenta a falta de percepção da população em relação aos problemas cardíacos e cita um trabalho recente feito na faculdade e que avaliou indivíduos que sofreream infarto e foram encaminhados para o ambulatório. “Apenas 5% dos pacientes estavam com todos os fatores de risco controlados. Infelizmente, as pessoas ainda não sabem com clareza que doenças do coração matam. É difícil lidar com essas questões, pois elas interferem nos hábitos.” 

O tratamento para baixar os níveis de colesterol de quem sofreu um infarto é restrito. Além da questão da aderência, existe uma parcela considerável de brasileiros que é completamente resistente ao tratamento das estatinas (sem contar os pacientes que têm níveis elevados por fatores genéticos).

Nova opção terapêutica

Durante o Congresso do Colégio Americano de Cardiologia, que ocorreu no início de março de 2017, em Washington, nos Estados Unidos, foi apresentado o resultado de um estudo clínico duplo cego randomizado, chamado FOURIER, que avaliou outro recurso terapêutico, uma droga chamada evolucumabe. O medicamento age no fígado, inibindo a proteína PCSK9, o que faz com que o colesterol ruim seja eliminado.

O estudo, que avaliou quase 30 mil pessoas de diversas nacionalidades, entre elas 693 brasileiros, por um período de 26 meses, mostrou  que os pacientes que receberam a nova droga associada às estatinas sofreram reduções significativas nos níveis de LDL-C (média de 92 mg/dL para 30 mg/dL). O resultado final foi publicado recentemente no New England Journal of Medicine. 

Dr. João Francisco Kerr Saraiva, que comandou no Brasil uma parte desse estudo, afirma que com a pesquisa foi possível perceber que reduções significativas de colesterol em uma população de alto risco trazem benefícios. “Não chegamos a uma redução da mortalidade, mas os pacientes apresentaram diminuição do risco de um novo infarto (27%), de AVC (21%)  e de revascularização coronariana (ponte de safena) (22%), mostrando que o uso do medicamento traz benefícios”, comenta. 

“Para os indivíduos mais vulneráveis, cujo tratamento padrão não era suficiente para reduzir o risco, agora existe uma segunda opção”, afirma Sposito, que também acompanhou de perto os resultados do estudo.

Desde a chegada das estatinas, no início da década de 1980, não havia mais novidades no tratamento do colesterol. Os medicamentos biológicos estão se mostrando uma alternativa importante para várias doenças, como o câncer.

O grande problema, como com toda nova tecnologia, é o preço. Muitos governos, incluindo o brasileiro, possivelmente não terão condições de incorporar um medicamento desse gênero ao sistema público de saúde. Nos Estados Unidos, o custo anual da droga, que deve ser administrada via injeção subcutânea a cada 15 dias, é de 10 mil dólares. Lá, inclusive, eles estão discutindo quem pagaria essa conta, já que as estatinas, como se sabe, são mais acessíveis. 

A expectativa é que, conforme surjam novos medicamentos, os preços caiam, mas isso leva tempo e requer muita pesquisa. Enquanto isso, a melhor alternativa é começar pela prevenção: comer pouca gordura, fazer atividade física regular e não fumar.

Fonte: Drauzio Varella

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