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FISIOTERAPEUTAS DEVEM ATUAR EM UNIDADES DE EMERGÊNCIA?

A saúde tem caminhado cada vez mais para o trabalho interprofissional a fim de oferecer um atendimento mais completo ao paciente. Saiba mais

A emergência é o ambiente de entrada do paciente crítico ou potencialmente crítico na rede hospitalar.  O fisioterapeuta, por muito tempo, foi um prestador de assistência para a equipe da emergência. Porém, hoje, em alguns serviços, ele é componente fundamental dessa equipe.

O fisioterapeuta que atua na Unidade de Emergência (UE) tem como função prestar assistência ao paciente, avaliar, identificar aqueles que apresentam maior risco de complicações e grau de funcionalidade, executar tratamento das morbidades, promover a saúde e bem-estar social. Atualmente no Brasil, o principal objetivo do atendimento fisioterapêutico na UE é o suporte rápido e eficiente para disfunções cardiorrespiratórias, evitando, assim, um possível agravamento no quadro clínico, como a necessidade de intubação orotraqueal (procedimento pelo qual o médico introduz um tubo na traqueia do paciente, através da boca ou do nariz, para mantê-lo respirando, quando alguma condição impede sua respiração espontânea.), utilização de ventilação mecânica invasiva e evolução para  a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Esse tema torna-se importante pela possibilidade de inserção do fisioterapeuta em um campo ainda pouco explorado.  Observando-se que em muitos hospitais públicos do Brasil a escassez de leitos de terapia intensiva propicia que muitos pacientes evoluam com piora do quadro ainda no serviço de emergência, a presença do fisioterapeuta nessa unidade pode proporcionar uma otimização do quadro clínico do  paciente na  descompensação respiratória, cardiovascular e  musculoesquelética, diminuindo, assim,  a   necessidade   de   internação hospitalar, reduzindo custos hospitalares e reinserindo precocemente o paciente na sociedade.

Contudo, a atuação dos fisioterapeutas nas UE dos hospitais ainda não está consolidada ou definida pelos gestores atuais. A sua inserção nas UEs tem promovido o questionamento e a investigação dos benefícios e dos espaços de atuação desses profissionais, gerando discussões no Reino Unido e na Austrália.

O papel do fisioterapeuta

Com base nos achados dos ensaios clínicos randomizados, o fisioterapeuta tem um papel central em UE principalmente em relação à diminuição de quadro álgico, melhora da  satisfação do paciente e  diminuição da  necessidade  de  readmissão hospitalar.

…o fisioterapeuta tem um papel central em UE principalmente em relação à diminuição de quadro álgico, melhora da  satisfação do paciente e  diminuição da  necessidade  de  readmissão hospitalar.”

Recente estudo afirma que existe uma necessidade de inovação na maioria das UEs no mundo e que uma alternativa é a inclusão do fisioterapeuta nesses serviços. Nesse mesmo trabalho, os autores verificaram que 89% dos pacientes que adentravam essa unidade tinham condições não graves, diagnóstico pelo médico da emergência e que o retorno para as unidades primárias também foi em grande proporção, aproximadamente 46%15.  Ainda nesse trabalho, quarenta e seis por cento dos pacientes atendidos foram geridos de forma independente, sem qualquer apoio da equipe médica sendo, assim, a  aplicação  de  procedimentos fisioterapêuticos avançados significativamente eficientes.

Com base no que foi visto, pode-se concluir que o fisioterapeuta tem um papel fundamental nas Unidades de Emergência, principalmente no que se refere à diminuição do quadro álgico (dor) e redução da necessidade de readmissão hospitalar ou tempo de permanência  no  hospital. A capacidade de agregar trabalho, a possibilidade de discussão de casos com a equipe interdisciplinar e o cuidado integral e humanizado com o paciente e a família refletem a necessidade de inserção do profissional nas emergências.

 

Leia o artigo científico na ÍNTEGRA

Referências:

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Por: André Luiz Cordeiro / Crefito 126997-f Fisioterapeuta. Professor na Faculdade Nobre. Feira de Santana, Bahia, Brasil e

Tiane Greice Lima / Crefito – 185163-Fisioterapeuta – Pós-graduada em Fisioterapia Hospitalar pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

Fonte: http://www.isaudebahia.com.br/

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