FISIOTERAPIA NAS DOENÇAS REUMÁTICAS

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05/07/2012 – TN Família – foto do modelo Jorge Gofu, matéria sobre dor generalizada - foto: Alex Régis/H:/selecionada

Entrevista com a Dra. Lia Mara Wibelinger – fisioterapeuta -Doutora em Gerontologia Biomédica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul-PUC-RS.
Docente da Faculdade de Fisioterapia da Universidade de Passo Fundo  -UPF – nas Disciplinas de Fisioterapia Reumatológica e Fisioterapia Geriátrica
Docente do Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia Neurofuncional , Fisioterapia Hospitalar , Fisioterapia Músculo – esquelética e Ergonomia da Faculdade de Fisioterapia da Universidade de Passo Fundo – UPF.
Professora Colaboradora do Programa de Mestrado em Envelhecimento Humano da Universidade de Passo Fundo

LIAMARA

Professora do Programa de residência Multiprofissional em Saúde da Universidade de Passo Fundo.
Autora dos Livros Fisioterapia em Reumatologia e Fisioterapia em Geriatria-Editora Revinter – RJ – e dos Livro Disfunções Músculo  -Esqueléticas I e II – Prevenção e Reabilitação (organizadora) e do livro Segredos para Envelhecer Bem – Editora Ifibe.

RF – O que são doenças reumáticas?

Dra – São doenças distintas caracterizadas por envolvimento do aparelho locomotor como  articulações, músculos e tendões. Existem mais de 100 “doenças reumáticas diferentes”. As doenças reumáticas estão entre algumas das doenças mais comuns do ser humano.

RF- Quais  são as doenças reumáticas mais prevalentes no Brasil ?

Dra – Os tipos mais comuns no Brasil, são a artrite, a artrose, a tendinite, as dores na coluna e a osteoporose. Além de acometer grande parte da população, são causas frequentes de incapacidade.

RF – O aumento da população idosa pode aumentar a incidência destas doenças ?

Dra – Com o aumento da popula­ção idosa, também existe uma tendência a maior incidência de doen­ças crônico-degenerativas, o que acaba gerando uma situa­ção na qual a saúde e a educa­ção dos pacientes precisam concentrar-se não apenas na preven­ção das doen­ças, mas também na minimiza­ção de suas consequências e na qualidade de vida dos indivíduos, visando à independência funcional.

RF – Quais os impactos de ser portador de uma doença reumática ?

Dra – Indivíduos com doen­ças reumáticas são confrontados, geralmente, com uma afec­ção cuja origem é desco­nhecida, e o prognóstico é incerto, o que gera com certeza um conflito constante.Visto que , a possibilidade de conviver com a incapacidade é fator de preocupação constante entre as pessoas.

RF- Como deve ser a reabilitação destes indivíduos?

Dra – Quando falamos em doen­ças crônicas, é importante que lembremos sempre que a reabilita­ção é um processo diário, que não termina simplesmente com um número pequeno de sessões de ­fi­sio­terapia, que envolve interven­ção diária e passa por ­vá­rias etapas, por isto a importância da educa­ção destes indivíduos no sentido de que aprendam a ter autocontrole e a se educarem dentro das limita­ções impostas pela condi­ção clínica.

RF – É importante que os portadores de doenças reumáticas sejam educados para conviver com as doenças reumáticas?

Dra – Sim. Por meio de um programa de educa­ção é possível que se produzam resultados positivos na funcionalidade e na qualidade de vida dos indivíduos com diag­nóstico de doen­ças reumáticas, pois permite que estes participem efetivamente de seu próprio tratamento, desenvolvendo a capacidade de lidar com os problemas, fazendo esco­lhas conscientes sobre seus tratamentos e pesando as consequências de suas próprias atitudes.

O próprio momento de tratamento é importante para que se possa traba­lhar a educa­ção do paciente, visto que este se transforma numa oportunidade de poder demonstrar o quanto a fraqueza muscular interfere na limita­ção das atividades de vida diária, por exemplo: as mãos são órgãos diretamente ligados à funcionalidade, pois as usamos para abrir uma porta, desempe­nhar atividades profissionais, vestir-se, alimentar-se, fazer higiene, os músculos da coxa para facilitar a mar­cha, o equilíbrio e até mesmo a preven­ção das quedas ­quan­do se tratar principalmente de indivíduos mais idosos.

RF- Qual o papel do trabalho em equipe no tratamento destes indivíduos ?

Dra – O traba­lho em equipe também é ­mui­to importante pois pode proporcionar o aperfei­çoamento do tratamento do paciente, oferecer efetiva educa­ção, aumentar a comunica­ção e obter resultados mais satisfatórios com a discussão das me­lhores condi­ções clínicas e terapêuticas. Uma equipe ideal (multidisciplinar) deve estar ­cons­ti­tuída de reumatologista, clínico geral, ­fi­sio­terapeuta, equipe de enfermagem, terapia ocupacional, nutricionista, fonoaudióloga, dermatologista, profissionais especializados em órteses e próteses, psicólogos entre outros. A intervenção fisioterapêutica, inserida no contexto multidisciplinar, tem o objetivo de minimizar o quadro de comprometimento osteomuscular, reduzindo a incapacidade física e promovendo a melhora ou até mesmo a manutenção da função em níveis adequados ao desenvolvimento das atividades de vida diária (AVD’s) do paciente.

RF- Por que é importante criar programas de educação  para estes pacientes ?

Dra – A criação de programas que visem educar os portadores de doenças reumáticas justifica-se cada vez mais, em decorrência dos seguintes fatores: a crescente demanda de pacientes, a melhor qualidade na reabilitação e a importância do relacionamento interdisciplinar, valorizando a educação como fator de promoção da saúde.

RF – Como se pode fazer para manter o paciente o mais ativo possível?

Dra – É importante que se realize sempre exercícios domiciliares para que se mantenham o mais funcionais possíveis , visto que a tendência a incapacidade esta presente no dia a dia destes indivíduos , em função da dor crônica e alterações da capacidade funcional.

RF – As expectativas do paciente podem interferir nos resultados da intervenção fisioterapêutica ?

 Dra – É ­mui­to importante, também que se consigam detectar quais as expectativas do indivíduo com rela­ção à realiza­ção do ­exer­cí­cio, que se estabele­çam objetivos reais, simples e atingíveis (que te­nham uma gradua­ção, ou seja, au­mentem de forma progressiva do leve para os mais exigentes), que os pacientes te­nham no­ção da importância da realiza­ção dos ­exer­cí­cios, que recebam instru­ções por escrito, meio digital ou através de grupos de apoio e que principalmente sejam orientados a realizar os ­exer­cí­cios de forma correta.

 RFIndivíduos com doenças reumáticas podem participar seguramente de programas de exercício regulares?

DraSim. Sempre procurando alcançar uma melhor condição aeróbica, aumento da força muscular, da resistência e flexibilidade, facilitando tarefas do dia a dia, como caminhar,  se abaixar, cuidar dos afazeres domésticos. Dentre os exercícios indicados , estão o  alongamento, o condicionamento muscular e aeróbico, cada qual com um papel na melhora da saúde, reduzindo a incapacidade e a dor relacionada à patologia.

Os ­exer­cí­cios devem ser realizados de forma lenta, suave e livre de estresse. Para alguns existe uma tradi­ção de que quanto mais forte a atividade me­lhor, isto é um engano, pois em se tratando de doen­ças inflamatórias e crônica isto pode ser um facilitador na ocorrência de determinados danos articulares ou musculares.

É sempre muito importante que se de atenção ao quanto o indivíduo tolera ou não o exercício, assim como ao número de repetições e a resistência que se impõem quando se executa determinada atividade. Pois, muitas vezes o indivíduo é mais tolerante a dor, mas após a realização exagerada do exercício a dor se manifesta. Atualmente, a grande maioria dos estudos científicos revela que a atividade física moderada  e com acompanhamento apropriado pode reduzir as dores musculares e articulares e promover a melhora da capacidade funcional e dos movimentos dos indivíduos que sofrem por serem portadores de doenças reumáticas.

Fonte: Revista do Fisioterapeuta

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