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Fisioterapia no tratamento da síndrome miofascial

Você já ouviu falar em ponto-gatilho? Eles provocam dores profundas, em queimação e, às vezes, pontadas levando à sensação de cansaço. Saiba como tratar o problema.

A dor e a síndrome fascial são causadas em sua maior parte pela desorganização por má utilização muscular, às vezes por excesso de força, movimentos repetitivos ou bruscos, imobilidade, estresse ou tensão emocional. Uma das formas de tratamento é a liberação miofascial, técnica manual realizada por fisioterapeutas. Para entender mais o assunto, o iSaúde conversou com a fisioterapeuta Taissa R. Soares da Cunha Prisco. Acompanhe a entrevista.

iSaúde – O que podemos entender por dor miofascial? Há diferença entre dor e síndrome miofascial?

Taissa R. Soares da Cunha Prisco – Dor miofascial é o termo usado para descrever uma condição clínica de dor muscular regional, frequentemente associada à presença de um ou mais pontos dolorosos, chamados de pontos-gatilhos. É uma dor profunda, em queimação, às vezes com pontadas e sensação de cansaço.

Quando essa dor está associada a alterações motoras como diminuição de força muscular e de amplitude de movimento, sensoriais como desequilíbrio e distorção do peso dos objetos ou autonômicas como sudorese e piloereção, é considerada uma Síndrome.

iS – O que ocasiona esse problema? Por que os pontos-gatilhos se formam?

Taissa R. Soares da Cunha Prisco – A fáscia é um tipo de tecido conjuntivo. É o menos denso deles, com mais líquido que os outros, e está em todo o nosso corpo. Ela é como uma grande teia delgada que ocupa muitos espaços do corpo. Uma de suas funções é formar um envelope para os músculos, possibilitando que eles se movam e ajudando na transmissão de força entre eles enquanto nos movemos.

Quando há uma desorganização por má utilização muscular, às vezes por excesso de força, movimentos repetitivos, movimentos bruscos, imobilidade, estresse ou tensão emocional, o ácido hialurônico presente no líquido intersticial (entre os planos fasciais) se densifica, causando aderência entre os planos. Uma vez aderido, os movimentos dessa região ficam mais difíceis, pesados, presos e os músculos passam a ter que fazer mais força para realizar os movimentos do dia a dia. Ou seja, ficam sobrecarregados, as fibras musculares se desorganizam e ficam contraturadas, criando nódulos sensíveis e dolorosos. Esses são os pontos-gatilhos.

iS – Como ela pode ser diagnosticada?

Taissa R. Soares da Cunha Prisco – O diagnóstico é feito clinicamente, através da palpação dos pontos-gatilhos e da banda muscular tensa, além da coleta de informações no relato do paciente buscando as informações sobre os sintomas.

iS – Como essa dor pode ser tratada?

Taissa R. Soares da Cunha Prisco – Essa dor deve ser tratada de forma multidisciplinar. Seria muito interessante a reunião do reumatologista, fisioterapeuta, psicólogo e nutricionista.

Já que ela é multifatorial, pode causar distúrbios de ansiedade e depressão, diminuição do metabolismo, ganho de peso e alteração do sono. Seguindo depois para a manutenção da qualidade de vida com atividade física frequente acompanhada por um educador físico.

“Já que ela [a dor] é multifatorial, pode causar distúrbios de ansiedade e depressão, diminuição do metabolismo, ganho de peso e alteração do sono.”

iS – Como é realizada a liberação miofascial? São necessárias muitas sessões?

Taissa R. Soares da Cunha Prisco – A liberação miofascial é realizada através de compressão e tensionamento mecânico de um plano fascial sobre o outro. Através desse trabalho, consegue-se que volte a ter hidratação e movimento das moléculas de ácido hialurônico no líquido intersticial. Assim, os planos fasciais voltam a deslizar de forma fluida e leve uns sobre os outros. Consequentemente, os músculos terão a função reequilibrada e os sintomas desaparecerão.

O número de sessões variará de acordo com a necessidade de cada paciente.

iS – Como a formação dos pontos-gatilhos pode ser evitada?

Taissa R. Soares da Cunha Prisco – A formação dos pontos-gatilhos pode ser evitada fugindo das posturas viciosas como ficar sentado por muito tempo na frente do computador, usar telefone celular para leitura ou apoiado no ombro, ficar parado em pé. É importante manter uma atividade física equilibrada, bem acompanhada e fugir do estresse.

Vale lembrar sempre: a dor é resultado de uma sobrecarga mecânica no nosso corpo.

Autores: Taissa R. Soares da Cunha Prisco / Crefito 128488-F
Fisioterapeuta, Especialista em Integração Estrutural-Rolfing

Fonte: iSaúde Bahia

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