FISIOTERAPIA OBSTÉTRICA: A GESTANTE E O PARTO NORMAL

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Durante a gestação a mulher passa por diversas mudanças em sua estrutura física e psicológica, daí porque se faz necessário a aplicação do conhecimento técnico por parte do profissional da área”

É certo que no âmbito social há uma ideia equivocada sobre a fisioterapia obstétrica. Costumeiramente diz-se que a mulher só deveria procurá-la em caso de algum tipo de desconforto – dor ou incontinência urinária -, quando, na verdade, o acompanhamento fisioterapêutico durante a gestação deveria ser uma atitude preventiva da mulher, realizado de forma corriqueira, juntamente com o pré-natal. Contudo, infelizmente, essa realidade científica não faz parte do Brasil. Apesar disso, a procura pela fisioterapia especializada em obstetrícia está em ascensão, posto que esse tipo de acompanhamento, feito de forma específica, será sempre capaz de prevenir e de tratar as principais queixas decorrentes da gestação, preparando o corpo da mulher para o trabalho de parto, e até para o pós-parto (puerpério).
Como se sabe, durante a gestação a mulher passa por diversas mudanças em sua estrutura física e psicológica, logo percebidas, daí porque se faz necessário a aplicação do conhecimento técnico e científico por parte do profissional da área, com acompanhamento individual e cuidados específicos para a preservação da saúde da mulher e do nascituro. Essa conduta fisioterapêutica comumente é traçada a partir de uma avaliação minuciosa, onde cada gestante é acompanhada de forma exclusiva pelo fisioterapeuta, buscando uma conscientização corporal profunda e eficaz, além de incutir na parturiente informações úteis sobre as funções básicas do seu corpo, tudo com o fim de adaptá-la, sem traumas, à nova realidade das previsíveis alterações causadas pela gestação.

Cumpre ressaltar que essa atitude fisioterápica há de ser dividida de acordo com a fase gestacional: no primeiro trimestre, no início do tratamento, as técnicas são de conscientização corporal e de assoalho pélvico – AP (grupo muscular responsável pela manutenção da continência, atividade sexual e parto), além de exercícios com poucos gastos energéticos e massagens relaxantes, associadas ao uso de compressas quentes ou frias, para prevenção de dores lombopélvicas, desconforto respiratório, edema (inchaço) de membros inferiores e cãibras.

Depois disso, no segundo trimestre, há uma atuação maior da fisioterapia obstétrica, pois há necessidade de adaptar a mulher às principais mudanças corporais, através de posturas específicas, exercícios globais com treinos de condicionamento respiratório e fortalecimento dos músculos do AP, com o uso aparelhos denominados biofeedback. Já no terceiro trimestre, o trabalho será totalmente voltado para a preparação da mulher para o parto normal. São realizados exercícios e posturas específicas para relaxar os músculos do AP, com o início de treinos técnicos de relaxamento e expulsão, associados à respiração, para que a mulher possa entender o que irá acontecer com ela durante o trabalho de parto. Sem dúvidas, isso preparará a gestante fisicamente e psicologicamente para o instante do parto.

 Em conclusão, pode-se afirmar que a fisioterapia obstétrica está conquistando o espaço merecido, já que as mulheres estão cada vez mais bem informadas, em busca de uma gestação saudável.
Por Joana Nunes de Melo Neta
Especialista em fisioterapia obstétrica, sócia do GRAP (Grupo de Reabilitação do Assoalho Pélvico)
Fonte: Diario de Pernambuco

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