FISIOTERAPIA OROFACIAL – PREVENÇÃO NA INFÂNCIA

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Embora as crianças dificilmente venham a procurar a Fisioterapia Orofacial por dores na face, já que normalmente estes sintomas começam a aparecer na adolescência ou na fase adulta, muitos pacientes estão iniciando tratamento conosco, com queixas de dor, estalo e dificuldade para mastigar, que possivelmente estão sendo causadas por maus hábitos adquiridos ainda na infância. Muitas vezes é possível melhorar ou corrigir estes hábitos, mas eles poderiam ser corrigidos mais facilmente se detectados no início, como forma de prevenção.

Assim, é fundamental que pais e responsáveis observem seus filhos para detectar possíveis hábitos que, mais tarde, poderão se tornar um problema. A correção ainda quando criança, além de mais fácil, traz bons resultados por evitar que os hábitos sejam reforçados com o tempo e que sejam prejudiciais ao desenvolvimento da face, dentes, músculos, etc.

Para citar alguns maus hábitos, listamos:

Mascar chiclete: talvez seja o pior e o mais comum. Mascar chiclete não é proibido, mas os pais devem permitir muito raramente! Sem discutir a questão do excesso de açúcar, a criança fica por horas com o chiclete na boca, mastigando o tempo todo (o que cansa a musculatura e sobrecarrega a articulação), além de ter uma preferência de lado na hora de mascar, o que leva a um desequilíbrio de toda a face e mordida. O excesso de mastigação pode levar a um desgaste precoce de todo o conjunto, causando limitação de movimentos e dor.

Posição incorreta para dormir: muitos adultos desenvolvem problemas posturais por dormirem, desde criança, numa posição incorreta, assimétrica ou sobrecarregando uma ou outra parte do corpo. O correto é dormir de lado, pernas levemente dobradas, com a cabeça bem apoiada num travesseiro que não deve ser alto nem baixo, deixando o pescoço reto. O rosto não deve ficar forçado contra o travesseiro nem a mão deve ficar abaixo do rosto ou do travesseiro, pois isto força a mandíbula. Almofadas e travesseiros extras podem ajudar na hora de corrigir a posição, deixando a nova postura mais agradável para o sono chegar. Deitar de barriga para baixo está proibido! Pode trazer problemas na face, pescoço, etc. 

Respirar pela boca: Muito comum na infância, este hábito pode indicar um problema real, que impede a passagem de ar pelo nariz (o que deve ser investigado e tratado), ou apenas um hábito. Este costume pode começar somente pelo fato de ser mais fácil respirar pela boca, ou após um período de problemas respiratórios (como uma gripe). Entretanto, quando o problema persiste, altera todo o crescimento da região oral, inclusive o desenvolvimento dos dentes, além de criar um quadro de fraqueza da musculatura dos lábios e da língua, o que mais tarde pode tornar ainda mais difícil manter a boca fechada. Quando os pais orientam que a criança não fique de boca aberta, estão ajudando a corrigir este mau hábito, conscientizando a criança da posição correta e evitando, inclusive, problemas respiratórios futuros.

Assistir às aulas com a cabeça apoiada no queixo, ou assistir à TV deitado no apoio do sofá: posições usadas no dia-a-dia que forcem a mandíbula ou um posição incorreta da cabeça podem atrapalhar o desenvolvimento da criança e causar assimetrias que alteram a coluna e toda a musculatura à sua volta, assim como atrapalham a mastigação. Corrija a posição mostrando à criança qual seria o correto, deixando o corpo reto e não forçando o rosto.

Segurar lápis/caneta na boca, ou roer unhas: para segurar objetos na boca, a musculatura precisa estar contraída, assim como o hábito de roer as unhas exige grande atividade muscular. Estes hábitos sobrecarregam o sistema mastigatório, e isto, como já foi dito, pode levar a um desgaste precoce de músculos e articulações. Quanto aos objetos, orientar a criança pode ser suficiente. Roer unhas pode ser um hábito mais difícil de eliminar, pois, muitas vezes, tem um envolvimento emocional por estresse ou ansiedade.

Ranger os dentes ao dormir: também ligado ao estresse e à ansiedade, este hábito chamado de bruxismo é mais frequente em crianças do que em adultos, sugerindo que o problema possa desaparecer com o tempo. Entretanto, o bruxismo pode desgastar os dentes, afetar a musculatura e as articulações. Pouco pode ser feito para impedir que o bruxismo aconteça, mas muito pode ser feito para diminuir sua frequência e intensidade, proporcionando à criança um dia-a-dia tranquilo e identificando situações que podem estar comprometendo emocionalmente. Crie no quarto um ambiente propício ao sono relaxante: escuro, sem barulho, temperatura agradável, pijama confortável e roupas limpas. Não deixe a criança fazer, antes de dormir, atividades agitadas, como jogar vídeo game, brincar de correr/pular, assistir a filmes de ação ou terror. “Desacelere” o ritmo da criança à noite para que o corpo entenda que é hora de descansar. Procure observar o que pode estar incomodando ou preocupando a criança, e garanta um ambiente agradável em família. Se persistir o bruxismo, um profissional especializado precisará acompanhar para intervir (relaxando a musculatura, por exemplo) e diminuir os danos causados por ele.

Abrir muito a boca para comer maçã ou sanduíche: alimentos muito grandes exigem uma grande abertura de boca, levando os músculos e articulações ao seu limite, o que, com frequência, pode ser prejudicial. O ideal é achatar um pouquinho o tão “adorado” sanduíche, e partir a maçã com a ajuda de uma faca, já que ela é um excelente alimento e não deve ser retirada da alimentação. Da mesma forma, pedaços grandes de comida dentro da boca devem ser evitados. Corte alimentos mais duros, como bifes, em pedaços pequenos, para que a criança consiga mastigar com facilidade.

Mastigar só de um lado: por que mastigar de um lado só, se temos dois lados para dividir esta tarefa? Incentive seu filho a mastigar um pouco de cada lado, alternando. Este ato que parece simples distribui as forças na mandíbula de forma correta, exigindo um pouco de cada lado, favorecendo inclusive a boa formação das articulações, músculos e dentes. Não dê à criança somente comidas pastosas, a não ser que ela tenha uma orientação profissional para isto. Mastigar, desde que corretamente, é um excelente exercício para desenvolver todo o rosto.

Ainda na infância, é necessário também observar a criança que sofreu tombos com bicicleta, skate, patins… e que tenha batido com o rosto no chão, principalmente a mandíbula (ou o queixo). Nestes casos, mesmo quando não há fraturas de dentes ou no rosto, pode haver uma inflamação na articulação e a criança poderá começar a se queixar de estalos, dores e dificuldade para abrir a boca ou mastigar normalmente. A observação dos pais é importante, pois a criança sem dor pode não se queixar, mas começar a apresentar alguns maus hábitos, como a preferência por mastigar de um lado só. Os estalos, por exemplo, não devem ficar sendo repetidos pela criança, mesmo sem dor, como forma de brincadeira.

Detectando algum destes maus hábitos, estes conselhos podem ser seguidos para amenizar ou até mesmo corrigir o problema, evitando complicações futuras. Se o problema persistir, ou se a criança já apresentar alguma queixa (como dor, estalo, ou alguma dificuldade), um profissional especializado deve ser procurado para avaliar a criança, sugerindo um possível tratamento. A Fisioterapia Orofacial tem recursos para ajudar em todas as situações citadas, se for o caso, sendo um tratamento seguro e não invasivo.
Felizmente, detectado precocemente, os problemas são mais facilmente resolvidos e garantem um bom crescimento até a fase adulta. Bons hábitos implicam numa melhor consciência de funções corretas, como postura, mastigação e respiração.

Pais e responsáveis atentos garantem às crianças um futuro mais saudável.

 

Fonte: Stumpf Branco Saúde

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