FISIOTERAPIA OROFACIAL

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Por definição da Câmara Técnica, a Fisioterapia Orofacial é “a especialidade da Fisioterapia com conhecimentos e técnicas específicas para aliviar dores na face, região oral, cabeça e região cervical, além de restabelecer a função das articulações temporomandibulares (ATM), dos músculos mastigatórios e das regiões citadas acima”(1).

Em linhas gerais, a Fisioterapia Orofacial trata os problemas articulares, dores e disfunções musculares, alterações na função e na postura, alterações neurológicas e circulatórias que afetam a face, a cabeça e o pescoço.

A Fisioterapia tem sido escolhida por pacientes e profissionais como primeira opção de tratamento, por oferecer alívio e controle dos sintomas sem utilizar métodos invasivos e por ensinar técnicas e exercícios que o paciente habitua-se a realizar em casa ou no ambiente de trabalho, mantendo os resultados obtidos nas sessões de Fisioterapia. Os exercícios oferecem conforto ao músculo e à articulação, facilitando a função normal.

A Fisioterapia Orofacial é uma nova área da fisioterapia e, por isso, ainda são poucos os profissionais, no Brasil inteiro, que têm formação reconhecida para atuar tratando dos problemas que ela abrange. Infelizmente, a disciplina ainda não existe como obrigatória nas Universidades brasileiras, inexistindo na maioria delas. Isto faz com que os fisioterapeutas, mesmo graduados, não estejam preparados para acompanhar os pacientes com DTM e dor orofacial. Se você souber de algum profissional que esteja atuando na área irregularmente, avise ao Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional .

Para o seu tratamento, procure um fisioterapeuta especializado. Este profissional realizará um exame específico, avaliando minuciosamente as estruturas envolvidas. Para complementar o exame físico, o fisioterapeuta avalia também os exames radiográficos. Assim, se você fez algum exame complementar, mesmo que tenha sido pedido por outro profissional, leve ao fisioterapeuta no dia da avaliação.

Na área de desordens temporomandibulares (DTM) e dores orofaciais, a Fisioterapia atua conjuntamente com profissionais de diversas áreas, como o dentista, o cirurgião buco-maxilo-facial, o ortodontista, o neurologista, o otorrinolaringologista, o psicólogo, o fonoaudiólogo, entre outros. Reconhecidamente, o tratamento multidisciplinar permite reunir o conhecimento de profissionais com visões diferenciadas da mesma patologia, enriquecendo o tratamento e trazendo um resultado melhor e mais rápido para o paciente.

Abaixo, você conhecerá um pouco da visão da Fisioterapia Orofacial sobre o tratamento para diversas situações que causam dor na face. Para conhecer melhor estas doenças antes de ler sobre o tratamento, volte às seções DTM e Dor Orofacial e Outras Desordens e Doenças

Tratamento da Desordem Temporomandibular (DTM)

Os objetivos do tratamento fisioterapêutico para dor miofascial (muscular) são: a identificação dos pontos desencadeadores de dor (pontos-gatilho), sua inativação, e o retorno à função normal sem dor.
Os casos de deslocamento de disco, mesmo aqueles em que o paciente só se queixa de estalido, sem travamento ou dor, devem ser acompanhados. O paciente deve ser instruído sobre possíveis complicações futuras e orientado a diminuir a sobrecarga na região de ATM. Quando há dor ou travamento, a Fisioterapia Orofacial visa aliviar a dor, corrigir a movimentação e recuperar a amplitude mandibular normal, melhorando a condição articular.
As alterações degenerativas da ATM podem apresentar-se com ou sem dor. A preocupação é melhorar a articulação, diminuindo a pressão dentro dela e permitindo a função normal. Com técnicas específicas, é possível favorecer a recuperação do tecido. Havendo dor, o principal objetivo da Fisioterapia Orofacial é o alívio da mesma. O controle do inchaço pode ser necessário em alguns casos.
Como estes problemas podem se apresentar simultaneamente num mesmo paciente, todos eles devem ser identificados e tratados pelo profissional da Fisioterapia Orofacial.

Tratamento da Hipomobilidade e Anquilose Articular

Quando a diminuição do movimento articular é acompanhada por dor, destruição da articulação ou comprometimento da função, deve ser instituído o tratamento. Além de utilizar técnicas para alívio da dor, a Fisioterapia Orofacial também utilizará técnicas para prevenir que se instale a anquilose – a ausência de movimento naquela articulação.
A anquilose é progressiva, exigindo tratamento. É preciso facilitar a recuperação do movimento articular sem dor. Mesmo após a alta da fisioterapia, o paciente deve ser acompanhado por 2 a 3 anos, com avaliações semestrais para observar a evolução do caso.
Os procedimentos cirúrgicos devem ser evitados, pois a própria cirurgia pode ser causadora da restrição de movimento.

Tratamento da Hipermobilidade Articular ou Hipermobilidade Sistêmica

São freqüentes os casos de pacientes com DTM que apresentam frouxidão dos ligamentos articulares, tanto na ATM quanto em outras articulações. Se o problema foi identificado, mas não há dor ou queixas por parte do paciente, este deve ser orientado a evitar a movimentação das articulações (inclusive a ATM) em amplitudes máximas. Se a hipermobilidade facilitar o aparecimento da DTM, a Fisioterapia Orofacial pode ser a primeira opção de tratamento.

Tratamento das Parafunções Orais (Bruxismo do Sono e Apertamento Dentário)

O bruxismo do sono (“ranger dos dentes”) é motivo de muita pesquisa na área médica, já que ainda não se sabe ao certo sua causa e, portanto, uma maneira definitiva de tratá-lo. O que se sabe é que o bruxismo pode levar a problemas nos músculos, articulações e dentes, devendo ser tratado logo após ser descoberto.
A proteção dentária é feita pelo dentista especializado, através de uma placa de acrílico a ser usada durante o sono. Terapias com medicamentos também são usadas, mas nenhuma destas opções elimina o bruxismo, podendo somente reduzir sua freqüência e intensidade.
O tratamento do bruxismo baseado em relaxamento leva os músculos a um nível considerado como repouso. Assim, a proposta da Fisioterapia Orofacial é a de relaxar e alongar a musculatura mastigatória.
Os pacientes com bruxismo devem evitar fatores de risco, como situações estressantes, abuso de álcool, cafeína e tabaco.
O relaxamento muscular também é fundamental para o paciente que faz o apertamento dentário. O paciente deve ter atenção e disciplina durante o dia, principalmente durante atividades que favorecem esta atividade incorreta.

Tratamento da Fibromialgia

Por se tratar de um problema reumatológico, o paciente com fibromialgia deve ser acompanhado por um reumatologista, fazendo uso de medicação apropriada. É freqüente a identificação desta doença em pacientes diagnosticados com DTM. Isto porque, muitas vezes, a principal queixa de dor (senão a única) é na face, o que leva o paciente a procurar o tratamento da Fisioterapia Orofacial. Embora sejam usadas diversas técnicas locais para o alívio da dor, o paciente também necessitará de um acompanhamento específico, global, diminuindo a dor muscular e permitindo ao paciente um dia-a-dia com menor dor e desconforto e maior disposição.

Tratamento das Doenças Articulares

Por ser uma doença progressiva e causar graves limitações ao paciente, a artrose deve ser tratada o quanto antes para que se possa tentar retardar seu progresso. O repouso da articulação é fundamental. No caso da ATM, o repouso é conseguido com dieta de alimentos moles e o controle de movimentos amplos. A Fisioterapia Orofacial trata os distúrbios articulares, abordando todos os aspectos da articulação e das estruturas envolvidas.

Tratamento das Desordens da Coluna Cervical

A correção da postura exige o acompanhamento do fisioterapeuta e, geralmente, é baseada em exercícios. Estes aumentam o conforto muscular e articular e facilitam a função normal.
O paciente com espondilite anquilosante precisa manter a postura e as atividades normais, realizando exercícios físicos de alongamento. Especificamente para a ATM, é fundamental o alívio da dor, a manutenção da função normal e a prevenção de limitações articulares que podem vir a impedir funções vitais.
Quanto à dor muscular no pescoço, os exercícios visam restaurar as fibras musculares, possibilitando movimentação normal, sem dor.
Quando há um diagnóstico estabelecido de cefaléia cervicogênica, trata-se a origem da dor. O tratamento pode envolver medicação, bloqueio anestésico da estrutura causadora da dor, ou até mesmo cirurgia por radiofreqüência, que só deve ser utilizada em casos mais severos. A Fisioterapia constitui uma opção conservadora para o tratamento da cefaléia cervicogênica, abordando os músculos, articulações e nervos que podem gerar as crises. É fundamental melhorar a musculatura do pescoço como um todo, assim como a própria coluna cervical. O fisioterapeuta deve ajudar o paciente a identificar os fatores que desencadeiam a crise. Várias técnicas fisioterapêuticas são utilizadas para conseguir alívio da dor e melhora da movimentação do pescoço.

Tratamento da Cefaléia do Tipo Tensão e da Migrânea

Para o tratamento de qualquer dor de cabeça (cefaléia), os procedimentos mais invasivos só devem ser utilizados em casos mais severos.
É comum que pacientes com DTM também apresentem cefaléia do tipo tensão associada ao quadro de dor. Algumas técnicas podem ser usadas para melhorar a musculatura desta região, trazendo alívio para os sintomas da cefaléia. As crises tornam-se progressivamente mais fracas e menos freqüentes, até que são abolidas.
A migrânea (ou enxaqueca) é comum entre os pacientes com dor facial. Muitas vezes, as crises de migrânea acabam ocasionando crises de dor na face, agravando o problema, ou vice-versa: uma crise de dor forte na face leva o paciente a uma nova crise de migrânea. O paciente apresenta sensibilidade na cabeça e, às vezes, também na região cervical. A Fisioterapia Orofacial pode diminuir o desconforto nestas regiões, trazendo alívio para o paciente.

Tratamento da Paralisia Facial

O tratamento fisioterapêutico da paralisia facial deve ser iniciado o quanto antes, tão logo seja constatada a paralisia, para recuperar a função da mímica facial, prevenir a diminuição da força muscular e reabilitar as funções orais. É necessário, também, fazer o controle da dor na fase aguda e buscar sempre a simetria dos movimentos. É fundamental a utilização da eletroterapia no tratamento.
Em crianças, a preocupação deve estar voltada também para a correta estimulação dos ossos da face, através do bom funcionamento muscular, possibilitando um crescimento normal.

Tratamento da Neuralgia do Trigêmeo

O paciente com neuralgia do trigêmeo pode não ter alívio total dos sintomas com o tratamento medicamentoso, necessitando da intervenção da Fisioterapia Orofacial. É necessário utilizar técnicas específicas para corrigir a função do nervo trigêmeo, proporcionando ao paciente alívio dos sintomas.

Tratamento da Sinusite

A avaliação da face pelo fisioterapeuta deve considerar a avaliação dos seios faciais, à procura de sinais e sintomas de sinusite, que provoca dor aguda e muitas vezes é confundida com a própria DTM, conforme sua localização. A Fisioterapia Orofacial trata o paciente com sinusite com diversas técnicas locais que ajudam na drenagem da secreção acumulada nos seios da face, aliviando a dor e evitando complicações.

Tratamento da Respiração Bucal

A Fisioterapia oferece melhor qualidade de vida ao respirador bucal, corrigindo a maior parte dos problemas estruturais e funcionais causados pela respiração bucal. Para tanto, a Fisioterapia Orofacial vai além de um trabalho respiratório, na intenção de solucionar os problemas causadores e causados por este padrão respiratório incorreto e inadequado. A preocupação é voltada também para o desenvolvimento da face (ossos e músculos) e para a melhora das mucosas que revestem internamente o nariz e os seios da face.

Tratamento do Zumbido

Sendo sintoma freqüente entre os pacientes com DTM, o fisioterapeuta especializado deve abordá-lo. Com técnicas direcionadas para a articulação temporomandibular, é possível reduzi-lo até que não seja perceptível pelo paciente em seu dia-a-dia. Quando é possível identificar uma causa, esta deve ser solucionada.

Tratamento da Síndrome de Eagle

É mais conhecida a atuação da fisioterapia no pós-cirúrgico da Síndrome de Eagle. Entretanto, atualmente este quadro vem sendo modificado, já que a fisioterapia tem grande atuação conservadora, podendo reduzir os sintomas associados.
O tratamento só deve ser realizado por profissional especializado, já que a movimentação do pescoço pode piorar o problema, irritando estruturas vizinhas ao ligamento calcificado ou provocando a fratura deste ligamento.

Por: Carla Stumpf Branco e Raquel Stumpf Branco

Fonte: Câmara Técnica de Fisioterapia Orofacial

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