FRATURA NO SURFE: ENTENDA A LESÃO DE KELLY SLATER E SAIBA COMO DEVE SER O TRATAMENTO

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Campeão mundial quebrou dois ossos metatarsianos do pé direito e pode ter que parar por até seis meses. Ortopedista explica fratura e fala sobre o retorno ao esporte após cirurgia

Os perigos do surfe foram novamente evidenciados na África do Sul, na última segunda-feira, quando o campeão mundial Kelly Slater sofreu uma grave fratura no pé direito em uma sessão de treinamento em Boneyards e teve que sair da água auxiliado por membros da equipe médica. Slater surfava quando fez uma manobra na onda seguida de uma queda e foi atingido na sequência pela prancha, quebrando dois ossos metatarsianos. O período de recuperação ficará entre quatro e seis meses, o que praticamente elimina qualquer chance de volta antes do fim do Circuito Mundial, em dezembro, no Havaí.

Slater postou no seu Instagram o raio-x do seu pé quebrado e escreveu: “Você já dobrou todo o seu pé para trás? A sensação é como esmagar o pé com um grande martelo o máximo quanto eu posso. Parece que estou dando à luz no meu pé agora.” A descrição do surfista é realmente o que os pacientes se queixam. O mecanismo geralmente é de flexão plantar forçada, com uma carga ou energia grande, seguida de um estalo (a fratura) e de uma dor descomunal. Esse tipo de fratura com desvio (os ossos saem do lugar) precisa de cirurgia para realinhamento, e Slater ainda tinha um voo de 30 horas antes da cirurgia.

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Mas será que existem diferentes tipos de fratura dos metatarsos (ossos do pé)? As quebras (fraturas) se dividem em dois tipos: agudas, quando são causadas imediatamente por uma lesão, e crônicas, quando ocorrem durante um período de tempo mais longo, é o que chamamos de fratura por estresse.

As fraturas agudas do metatarsos podem ser abertas ou fechadas e deslocadas ou não deslocadas:

Aberta ou fechada: uma fratura aberta é aquela em que a pele está lesionada sobre a fratura, de modo que existe uma rota de possível infecção do lado de fora para os ossos quebrados. Este é um tipo mais grave de fratura, com maior dano aos tecidos moles em torno dele, tornando o tratamento e a cura mais complicados. É necessária avaliação especializada.

Deslocados ou não deslocados: uma fratura deslocada é quando os ossos escaparam da linha da cortical e desviaram. Uma fratura deslocada precisa de cuidados especializados, pois os ossos precisarão estar devidamente alinhados e estabilizados.

A fratura aguda do metatarso é geralmente causada por uma ferida súbita e contundente no pé, como cair um objeto pesado no pé, uma queda, chutar contra um objeto duro quando tropeçar, ou por uma lesão esportiva.

Uma fratura de estresse é uma sobrecarga óssea, causada por estresse repetitivo. Isto é, leva a uma fissura ou alteração da estrutura fisiológica do osso. Pode haver uma única fratura no osso, ou múltiplas pequenas. A ruptura ou quebras da cortical geralmente não são deslocadas. No entanto, várias pequenas fraturas de estresse podem se desenvolver em torno da mesma área, ao longo do tempo.

No caso do Slater, a fratura foi aguda, fechada e deslocada, por isso precisou reduzir, realinhar (colocar no lugar) e fixar com cirurgia.

Cuidados de acompanhamento

A fisioterapia e um retorno gradual ao exercício fazem parte dos bons cuidados de acompanhamento.

Quando o atleta volta à atividade após a fratura metatarsiana?

As fraturas agudas do metatarso geralmente levam cerca de seis a oito semanas para curar. No entanto, o tempo pode ser mais longo do que isso para que um esportista esteja completamente em ação, pois depende do quanto perdeu de musculatura.

Sapatos especiais estão disponíveis para ajudar a imobilizar a fratura e apoiar o pé para auxiliar na caminhada.

A cirurgia não é necessária para fraturas de estresse metatarsal (cronicas) ou fraturas sem desvio. Fisioterapia e fortalecimento são sempre a melhor escolha para praticar antes de voltar ao esporte.

Nos últimos anos, Kelly Slater vem se frustrado com inúmeras lesões e revelou que 2017 é a sua última temporada em tempo integral no Tour.

Por:  Ana Paula Simões, São Paulo / Mestre em ortopedia e traumatologia pela Santa Casa de São Paulo. Especialista e delegada regional do Comitê de Traumatologia esportiva, médica assistente do grupo de traumatologia da Santa Casa de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Futebol Feminino e membro da Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva.

Fonte: http://globoesporte.globo.com

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