A INTERVENÇÃO DO FISIOTERAPEUTA NA CIRURGIA ESTÉTICA E REPARADORA – ENTREVISTA COM IVONE MOSER

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Ivone Moser é uma referência incontornável na área dermatofuncional no Brasil e uma verdadeira apaixonada por fisiologia da pele. Graduada em Fisioterapeuta pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em 1990, possui 3 Pós graduações, nomeadamente em Fisioterapia DermatoFuncional – 2002 e mestrado em Gestão de Politicas Públicas em Pesquisa e Mapeamento do Cancro de Pele.

Para além de Especialista em ácidos químicos pela UCLA/Harbor Medical Center, Manhatttan Beach, Callifórnia, é Coordenadora e Docente das Pós Graduações em Fisioterapia Dermatofuncional e Cosmetologia e Estética da Faculdade ISEPE/Brasil. Bem como atua como docente na pós-graduação em fisioterapia Dermato Funcional NIAP/INSPIRAR – Maranhão/Brasil, e também IAPS/Paraíba/Brasil. Aliado à sua atividade como docente conta já com larga experiência em investigação em Fisioterapia.

Ivone Moser é também uma formadora experiente na área dermatofuncional, tendo ministrado cursos não só no Brasil mas também no Chile e Espanha, sendo uma presença assídua em Portugal. Dentro da Fisioterapia Dermato-funcional temas como Cirurgia Estética, Psoríase e Peelings Químicos são os seus principais interesses.

  1. Em que se baseia a intervenção do fisioterapeuta Dermatofuncional na Cirurgia estética e reparadora?

A intervenção do fisioterapeuta Dermatofuncional nesta área baseia-se antes de mais nada no conhecimento científico da fisiologia de cicatrização da pele. Dominando este conhecimento compete ao fisioterapeuta zelar pelo bom processo de evolução da cicatrização cirúrgica, através do recurso a técnicas e procedimentos terapêuticos da sua competência, complementando assim o ato médico em si.

  1. Há uma tendência em direcionar a intervenção da fisioterapia só para a fase pós operatória, sendo frequentemente desvalorizada a fase pré-operatória. Na sua opinião, esta segunda é uma fase de intervenção fundamental?

Na minha opinião acredito que as fases pré e pós operatória têm cada uma sua atenção terapêutica distinta. Quando as duas são implementadas de forma adequada, o processo de reabilitação certamente terá uma evolução mais rápida e mais apropriada. Não podemos afirmar que a não realização da intervenção pré-operatória invalide a cirurgia mas podemos com toda a certeza assegurar que o contrário melhora em muito a qualidade do ato cirúrgico.

  1. Qual a importância desta intervenção pré e pós operatória? Quais os benefícios no processo de regeneração tecidular e cicatrização? Poderá diminuir os tempos de recuperação?

Já é cientificamente comprovado que a intervenção fisioterápica no pré e pós operatório é capaz de originar uma resposta tecidual à lesão mais rápida, tanto do ponto de vista de restituição,  como de regeneração do tecido, tornando assim a lesão menos suscetível a processos infecciosos ou transtornos de imobilização.

Controlar e organizar os fatores locais que interferem no processo e acompanhar a evolução dos fatores intrínsecos orgânicos e se necessário intervir nos mesmos é um dos objetivos da Dermato-funcional.

  1. Que técnicas de intervenção poderão ser utilizadas pelo fisioterapeuta para intervir na área cirúrgica?

São várias as técnicas utilizadas pela Fisioterapia na área cirúrgica. Inicialmente a cinesioterapia é a mais utilizada. A manipulação manual é essencial na reabilitação cirúrgica, o intuito é aumentar a oxigenação local, propiciando condições de cicatrização.

Temos também recursos como  a vacuoterapia, a carboxiterapia e a vibroterapia que são grandes aliados na área cirúrgica, bem como os recursos  eletroterapêuticos.

Sem esquecer que a manipulação manual é complementada com a drenagem linfática e técnicas de massagem clássicas.

A formação de equipas multidisciplinares tem sido uma das grandes recomendações nos tempos que correm, no entanto, muitas vezes estas não são seguidas. Na sua opinião que profissionais para além do cirurgião e do enfermeiro poderão integrar uma equipa cirúrgica?

Poderemos dividir o atendimento em pré e pós-operatório.

Para além da preparação da pele pelo fisioterapeuta dermato-funcional para a intervenção cirúrgica, outras áreas da Fisioterapia deverão ser implementadas.

No pré-operatório, o Fisioterapeuta torna-se essencial, no sentido de verificar possíveis alterações posturais do paciente, para que o cirurgião esteja preparado para lidar com estas alterações de alinhamento corporais, de modo a que as mesmas não se tornem mais evidentes no pós-operatório do que já eram, uma vez que não há tempo útil para recolocar as estruturas nos locais expectáveis. Por exemplo: Se não for levada em conta a presença de uma escoliose, esta poderá comprometer a recomposição corporal de uma lipoaspiração de tronco.

Poderá ser ainda necessária a intervenção de um fisioterapeuta da área respiratória para lidar com possíveis défices a este nível.

Creio ser também muito importante a integração de um profissional de nutrição, pois o mesmo será capaz de equilibrar através do aporte nutricional diário, toda a hometasia orgânica, preparando deste modo também o sistema enzimático para atuar no processo de reabilitação da pele.

No pós-operatório, estes mesmos profissionais possuem atuações distintas complementando o ciclo operatório. Nesta fase pode-se também incluir o educador físico, no que se refere ao condicionamento físico do paciente

Fonte:Dermato funcional

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