LESÃO COMO A DO JOGADOR ANDERSON VAREJÃO É RESOLVIDA COM FISIOTERAPIA

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Em 95% dos pacientes, a hérnia de disco lombar é tratada com terapias conservadoras, auxiliadas por equipamentos inovadores e exercícios físicos

Na última quarta-feira (27 de julho), o mundo recebeu a notícia de que o atleta Anderson Varejão, de 33 anos, jogador da seleção brasileira de basquete masculino, não integraria a equipe que vai disputar os Jogos Olímpicos Rio 2016. Varejão foi diagnosticado com hérnia de disco lombar, quando começou a sentir dores nas costas nos treinos da seleção.

De acordo com o fisioterapeuta Giuliano Martins, diretor regional da Associação Brasileira de Reabilitação de Coluna (ABRColuna) e proprietário do ITC Vertebral Ribeirão Preto, os sintomas mais comuns da patologia são incômodos localizados nas regiões onde existe a lesão discal, podendo ser irradiados para outras partes do corpo.

“A hérnia de disco lombar é a saída do líquido pulposo (fluído) através de uma fissura do seu anel fibroso no disco intervertebral, estrutura cartilaginosa que fica entre uma vértebra e outra da coluna vertebral. O fluído é integrado por um componente central, chamado núcleo pulposo ou líquido viscoso, de uma parte periférica, composta de tecido cartilaginoso chamado anel fibroso, e de uma região superior e inferior, chamada placa terminal”, explica Martins.

No caso de Varejão, as dores podem se expandir para as pernas e pés, e ocasionar, até mesmo, formigamentos e dormência nos membros. Nas ocorrências mais graves, o paciente pode perder a força nas pernas e ter incontinência urinária.

A hérnia de disco lombar acomete, geralmente, adultos e idosos, mas alguns fatores colaboram com o aparecimento da patologia. “Má postura, elementos hereditários, traumas de repetição no trabalho e no esporte, fumo, idade avançada, sedentarismo entre outros, causam doenças na coluna”, comenta Martins.

“É difícil analisar o que levou o atleta a ter uma lesão lombar sem conhecer a rotina e estilo de vida dele, mas sabendo dos processos do basquete, que exigem muitos movimentos de rotação de tronco, além de alto impacto devido a quantidade de saltos, posso afirmar que, se ele não teve um bom fortalecimento dos grupos musculares de coluna, tronco e pelve, pode ter desenvolvido o trauma. Claro que o estilo de vida, fatores psicossociais e hereditários também podem estar associados”, avalia o profissional.

Sobre o tratamento da doença, o fisioterapeuta diz que depende de cada caso. “Uma vez diagnosticada a patologia, o paciente deve decidir com calma e segurança o que deve fazer para tratar seu problema. O ideal é apostar nas terapias conservadoras antes de se submeter a uma cirurgia. Hoje, já existem diversas técnicas não invasivas avançadas e eficazes para o tratamento de patologias na coluna vertebral. Estudos apontam que apenas cinco por cento dos casos de hérnia de disco necessitam de tratamento cirúrgico, ou seja, 95% das ocorrências são solucionadas com a fisioterapia manual, exercícios específicos e alguns equipamentos. Mas, de antemão, por se tratar de uma pessoa jovem e um atleta de alto rendimento, a recuperação de Varejão será mais rápida do que de outros adultos”, analisa.
Martins ressalta que muitas pessoas têm hérnia de disco, mas não sentem incômodos. “Se pegarmos a população de uma cidade e realizar exames de imagens em todos, serão descobertos vários casos. Têm pacientes que só descobrem a doença durante uma crise. Para isso, dou preferência, primeiramente, em examiná-lo e colher seu histórico. Não devemos assustar os pacientes com a análise de uma doença, pois só vai agravar seus sintomas, gerando Cinesiofobia (medo de movimento) e atrapalhar a sua reabilitação. Quanto menos ele souber sobre a lesão e se preocupar com a gravidade, mais rápido sairá da crise e retomará suas atividades de vida diária. O paciente deve ser orientado e bem educado pelo fisioterapeuta”, comenta.

Fonte: maxpressnet

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