LUXAÇÃO CONGÊNITA DO QUADRIL

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Definição

A luxação congênita de quadril (LCQ) é a perda do contato da cabeça do fêmur com o acetábulo ao nascer. O quadril é uma das articulações do corpo que pode sofrer conseqüências de um mal posicionamento intra – uterino e assim as estruturas como cápsula e ligamentos tendem a ficar com uma frouxidão que leva a uma luxação ou sub-luxação durante o parto.

Etiologia

A etiologia está associada a dois fatores:

1) Hereditário – Displasia ou frouxidão capsular predisponente;

2) Mecânico – Posicionamento intra-uterino.

Classificação

  • Típica – a luxação ocorre ao nascer devido a frouxidão existente;
  • Teratológica – a luxação ocorre ainda dentro do útero e tem associação com outras alterações caracterizando – se como uma síndrome.

Incidência

As mulheres tem uma incidência maior que os homens numa proporção de 8:1 e isto , embora não comprovado, pode estar associado a fatores hormonais que induziriam uma frouxidão.

Diagnóstico

O diagnóstico vai depender da idade com que é feito, parece mais fácil a medida que a criança vai crescendo contudo, o tratamento tem melhores resultados e é menos agressivo quando iniciados ainda no recém – nascido. Deve-se atentar em fazer um diagnóstico diferencial para outras patogêneses do quadril como a instabilidade quadril e displasia de quadril, duas entidades que podem existir sem ter luxação mais com a evolução pode determiná-la.

1) Recém-nascido

Neste período, duas manobras podem dar o diagnóstico de LCQ :

  • Manobra de Ortolani – manobra para detectar a existência da luxação e consiste em uma sensação tátil sentida pelo examinador quando se faz a abdução das coxas da criança a partir de uma flexão de joelho e quadril. A sensação mencionada é como um “click “ e significa a redução da luxação ou o encaixe da cabeça femural com o acetábulo;
  • Manobra de Barlow – esta manobra serve para determinar se há instabilidade de quadril e consiste em provocar ativamente o deslocamento femural unilateralmente então, o “click “ acontece. Ambas manobras só serão válidas para as primeiras semanas de vida , pois a partir dos dois meses o quadril se estabiliza na posição anatômica ou a luxação se torna definitiva devido ao encurtamento muscular presente.

O Rx do recém-nascido não mostra nada porque o esqueleto da criança nesta fase é predominantemente cartilagem. O ultra-som seria então, uma boa indicação.

2) A partir dos dois meses

Nesta fase, a luxação presente faz com a cabeça do fêmur fique para cima e lateralizada, o que leva a um encurtamento muscular, estiramento capsular. A redução da luxação não é mais possível. A mobilidade do segmento diminui e uma tensão muscular é encontrada.

O sinal Peter – Bade é encontrado e consiste em uma assimetria das pregas cutâneas entre as duas coxas, sendo a afetada em maior número onde a prega inguinal e glútea estará elevada. Outro sinal encontrado é o de Hart onde haverá uma limitação da abdução do lado afetado devido ao encurtamento dos adutores.

O Rx será significativo apenas no sexto mês, onde o esqueleto estará ossificado em boa parte.

3) Após o início da marcha

Nesta fase os sinais motores serão bem evidentes como:

  • A marcha será retardada;
  • Se a luxação for unilateral, o lado afetado ficará encurtado. Se for bilateral, a visualização ficará difícil;
  • Bacia alargada devido lateralização das epífises femurais;
  • Hiperlordose;
  • Marcha jogada ou Anserina;
  • Telescopagem, isto é, hipermobilidade da coxo-femural.

A imagem ao Rx será a cabeça do fêmur lateralizada, acetábulo raso, cabeça femural pequena e sem esfericidade.

Tratamento e Abordagem Fisioterápica

O tratamento será eficaz o quanto mais precoce for iniciado e será de acordo com a idade da abordagem.

1) 0 á 02 meses – É a melhor idade para tratar e ter resultados positivos. O tratamento consistirá em uma “centração dinâmica “, ou seja, a cabeça do fêmur será centrada no acetábulo através da posição de rã. No primeiro mês coloca-se fraldas entre as pernas e a partir do segundo mês, coloca-se a ortese de abdução. A fisioterapia deve atuar : na mobilização do tronco e cabeça brevemente, correção e adaptação postural, prevenir e evitar os encurtamentos do adutores e ileopsoas.

2) 02 aos 18 meses – Já não é possível reduzir a luxação passivamente, o encurtamento muscular presente não permite a descida da cabeça do fêmur , a cápsula e o ligamento redondo estão alargados. A redução é feita sob anestesia geral e sempre precedida de tração cutânea para alongar a musculatura acometida. Um suspensório próprio para alongar é colocado uma semana antes para depois fazer a redução ou abdução sob anestésico onde aparelho de gesso pelvi-podálico será colocado na posição de rã. O aparelho gesso dura 06 semanas onde, os joelhos serão liberados e com mais 06 semanas, todo aparelho é retirado e coloca-se uma órtese de abdução. Caso esta conduta não seja positiva é por que há alguma coisa interpondo e então, o tratamento será cirúrgico.

A fisioterapia nesta fase consistirá em :

  • Durante o uso do suspensório – a criança fica deitada com os MMII na vertical então, deve-se mobilizar o tronco, as cinturas, o pescoço , os pés, os MMSS. A postura deve ser corrigida.
  • Durante a fase do gesso – tentar fazer isometria da musculatura dos MMII por dentro do gesso. Trabalhar o tronco com flexão , extensão e lateralizações. Fortalecer abdominais e paravertebrais. Estimular o diafragma. Quando liberar o joelho, inicia-se sua mobilização.
  • Durante o uso da órtese – com uso da órtese, a criança tem liberdade de movimento então, alonga-se a musculatura MMII, fortalece a musculatura de forma global, inclusive a do tronco. Atentar para dissociação de cinturas (escapular e pélvica).

3) 18 meses aos 06 anos – Tração esquelética associada a tenotomia de adutores e ileopsoas, depois aparelho gessado e observar a evolução. Caso não seja positivo, tratamento será cirúrgico. A fisioterapia nesta fase terá ênfase no pré – cirúrgico onde um trabalho de alongamento e fortalecimento muscular global deve ser feito. Após a cirurgia o tratamento dependerá do da situação em que o paciente se encontrar.

4) Acima dos 06 anos – A abordagem cirúrgica deve-se ser criteriosa devido a possibilidade invalidez determinada pela possibilidade de luxação completa. Espera-se a evolução natural até adulto e se mais tarde houver artrose grave é que se indica a cirurgia. A fisioterapia atuará em ensinar e promover a adaptação do paciente as condições anormais provenientes da luxação o tornando mais funcional possível.

Bibliografia

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Hebert, S. K., Xavier, R.. Ortopedia Pediátrica: Um texto básico. Portro Alegre : artes médicas, 1992.

Macnicol, M.F.. Results of a 25 year screeening programme for neonatal hip instability. J Bone Joint Surg., v. 72-b, n.6, p.1047,1990.

Pavlik, A. Stirrups as na aid in the treatment of congenital dysplasias of the hip in children. J Pediatr. Orthop., v.9, n.2, p. 157-159, 1989.

Por: Patrícia Vieira Fernandes

Fonte:Interfisio

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