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Microfisioterapia: Terapia manual surgida na França está fazendo o maior sucesso

Sabe aquela dor de cabeça que te incomoda há semanas? Ou aquele jeito na coluna que volta e meia se repete? Segundo a Microfisioterapia, essas sensações podem estar ligadas a cicatrizes invisíveis causadas por acontecimentos de seu passado, como um trauma de quando você estava na barriga de sua mãe. Ou aquela vez em que você foi assaltada.

Essas marcas seriam detectáveis num exame de tato e, depois de uma sessão com um fisioterapeuta, podem desaparecer. Sem remédios, sem eletroestimulação, só com um leve toque das mãos do profissional e a reação de seu próprio corpo.

Assim vem acontecendo em consultórios de microfisioterapia, uma forma de terapia manual que está fazendo sucesso em Salvador. Um dos expoentes na capital baiana é o fisioterapeuta Éder Vasconcelos.

A artista Felícia de Castro já faz sessões de microfisioterapia há cinco anos. “Sempre tive muitas crises de coluna por causa de uma protrusão, de não conseguir andar. Como meu trabalho envolve muito o corpo, resolvi fazer”, lembra.

“É mágico, ele [o terapeuta] vai detectar algumas coisas sobre o corpo, vai na origem do evento que deu início aos sintomas e desbloqueia”, continua. Desde que passou a frequentar as sessões, que repete anualmente, Felícia relata que não passou mais por crises de coluna.

Sua fé na técnica a fez voltar ao consultório durante a gravidez a fim de se preparar para o parto, que ela gostaria de fazer em casa. “Acessamos histórias da minha própria gestação”, conta. Além dela, seu filho, de quatro anos também é tratado com a técnica, que não tem restrição de idade. A primeira vez do garotinho foi aos três meses de idade.

A produtora Fernanda Pimentel também é paciente assídua. Há seis anos, uma vez por ano, pelo menos, ela se submete à técnica para tratar determinados sintomas. A primeira visita foi por conta de ansiedade. Ela conta que não chegou a se medicar, mas que se sentia mal e recorreu à técnica.

“Quando ele faz [a micropalpação] encontra sinais que tem a ver com coisas de seu passado, que aconteceram até anos antes. É como se o corpo tivesse uma memória da reação, parece esotérico falando assim, mas não é”, conclui Fernanda.

Em 2018 ela voltou ao consultório para mais uma consulta. Desta vez, a produtora estava com uma enxaqueca que durava semanas. “Era muito persistente, todos os dias, o tempo inteiro, fiz acupuntura, dormi mais, tomava remédios, fiz osteopatia, que ajudou um pouco e não resolveu”, lembra. Ela conta que foi numa consulta e voltou 15 dias depois para a revisão e foi o suficiente para não sentir mais nada.

Como funciona
A microfisioterapia consiste em aplicar leves toques em determinados pontos do corpo do paciente, com o objetivo de fazer com ele promova sua autocura para sintomas específicos.

Para realizar o procedimento, o profissional precisa ser fisioterapeuta. “Consiste em identificar a causa primária de uma doença ou sintoma, para que o corpo reconheça esse agressor e a partir daí ele promova a autocura”, explica Taiana Stolze, que também é habilitada para realizar o procedimento.

“São toques bem sutis e suaves pelo corpo do paciente, daí a gente lê a partir de mapas específicos e identifica uma cicatriz patológica que fica na memória celular. Os toques estimulam o corpo a apagá-la. (Taiana Stolze, microfisioterapeuta)

Mas se engana que é só sair tocando as pessoas para “curá-las”. Segundo Éder, apesar de todos poderem sentir os micromovimentos do corpo, é necessário conhecimento profundo de anatomia humana para um bom tratamento.

O Centro de Formação de Microfisioterapia, que fica na França, somente admite fisioterapeutas em seus cursos. No Brasil, apenas fisioterapeutas podem atuar. “O Conselho Federal de Fisioterapia admite que a técnica tem demanda social e é isso que está acontecendo no Brasil e em 17 países do mundo”, conta Afonso.

“Diariamente, nosso corpo luta contra agressões de toda natureza e, geralmente se autocorrige em silêncio. Quando essas agressões não são identificadas ou quando são fortes demais, ele pode não reagir de maneira eficaz e a agressão produz uma ‘cicatriz’ nos tecidos”, conta Éder. São essas memórias acumuladas que fazem a dor surgir, uma doença se desencadear ou o corpo enfraquecer. “Assim, desenvolvem-se dores e doenças crônicas”, pontua. Esses são os principais problemas tratados com microfisioterapia.

Uma sessão dura cerca de 45 a 60 minutos e é feita com o paciente completamente vestido deitado em uma maca. O terapeuta localiza e identifica as cicatrizes que obstruem o corpo e relata tudo ao paciente, que pode se sentir cansado e sonolento ao longo da sessão. Após a aplicação da técnica é aconselhável dois dias sem realizar esforço físico e se hidratando bem.

De acordo com Éder, ela é indicada para diversos sintomas, como lesões traumáticas, dores musculares, disfunções gastrintestinais, distúrbios do sono e enxaquecas. No entanto, a terapia não significa que tratamentos médicos devem ser abandonados.

É científico mesmo?
Apesar de ser uma técnica de terapia manual, a microfisioterapia está longe de ser unanimidade na comunidade científica. Para o fisioterapeuta Herman Henrique Silva Santana, especialista em Terapia Manual, para que ela seja melhor aceita entre pesquisadores ainda são necessários estudos que comprovem de fato a eficácia.

Herman conta que a maioria das pesquisas de microfisioterapia envolvem estudos de caso, que são formatos pequenos e menos generalizáveis. “Seriam melhores se fossem ensaios clínicos com uma grande amostra, comparando o tratamento com outros”, conta o profissional, que também é pesquisador.

Segundo os profissionais que trabalham com o método, tudo é amparado cientificamente. “O embasamento inicia pelo estudo e revisão criteriosa da embriologia, ontogenia, filogenética e anatomia”, explica Éder. Embriologia diz respeito à ciência que estuda a formação dos órgãos e sistemas a partir da fecundação. A ontogenia estuda o desenvolvimento de um organismo. A filogenética, a história evolutiva dos seres vivos e a anatomia deles. “Por meio desses estudos, Daniel e Patrice desenvolveram mapas corporais específicos, que refletem traços de uma disfunção causada por um agente agressor e que o organismo não conseguiu recuperar”, conta.

Segundo ele, essa informação fica armazenada no tecido e atrapalha o bom funcionamento corporal. “Depois de identificar a causa primária do trauma, a gente utiliza gestos manuais específicos, denominados de micropalpação por causa da maneira suave como é aplicada”, completa.

Afonso defende que “existem efeitos que não conseguem ser provados com facilidade, mas a técnica tem muitos artigos em publicações com respaldo acadêmico”. Além de aplicar a técnica, ele é professor com PhD em Neurociências e conta que pesquisas mais detalhadas enfrentam barreiras éticas. “Não dá, por exemplo, para pegar pessoas em depressão e submeter a esses experimentos”, opina.

História
A técnica foi criada há cerca de 30 anos por dois fisioterapeutas e osteopatas franceses, Daniel Grosjean (79) e Patrice Benini (80). “Quando eles estavam no quinto ano de medicina osteopática viram que poderíamos ter uma técnica que promovesse uma ação ampla no corpo”, explica Afonso, que é paranaense e foi um dos primeiros brasileiros a utilizar microfisioterapia como tratamento no país. A prática se espalhou e, segundo ele, 2.500 profissionais já foram formados por seu instituto.

Informe-se

Indicações: Dores musculares e articulares; disfunções gastrointestinais, hormonais e sexuais; incontinência urinária; alergias e problemas de pele; enxaquecas; distúrbios de sono, peso e somato-emocionais (depressão, pânico…)

Preço médio: R$ 300/sessão

Quanto tempo dura: Três a quatro sessões espaçadas de 45 a 90 dias. E uma sessão anual preventiva.

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