VOCÊ SABE O QUE É A PUBALGIA?

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A pubalgia se caracteriza pela presença de dor, na região baixa do abdômen e na virilha. Descrita pela primeira vez em um atleta de Esgrima, se popularizou em 1983, quando Willey descreveu o primeiro caso em atleta de futebol. Desde então vem ganhando muito apelo no mundo esportivo, e é cada vez mais frequente em atletas recreacionais e profissionais, sendo uma doença causada basicamente por sobrecarga de exercícios.

A região do púbis é considerada o centro de gravidade do corpo, e a junção dos ossos ilíacos na região anterior da pelve se chama sínfise púbica. Nesta região, ocorre a inserção e consequente tração de diversas forças musculares como os Retos Abdominais superiormente, os Oblíquos do Abdômen numa diagonal superior, os Adutores em sentido diagonal inferior e o Reto Femoral, Íleo-Psoas e Sartório inferiormente.

É considerada uma doença progressiva, crônica, causando inflamação óssea, cartilagem, ligamentos, tendões ao redor da Sínfise Púbica.

De causa multifatorial, não é possível atribuir uma causa única. Geralmente está associado a sobrecarga de exercícios, desequilíbrios musculares, encurtamento muscular, redução de mobilidade das articulações coxo-femoral e sacro-ilíaca, micro-lesão no adutor, enfraquecimento da parede abdominal entre outros.

Muito comum em jogadores de futebol, pelos chutes repetidos e também em esportes com troca de direção constante e contato físico; em 80% dos casos os pacientes referem dor na região adutora e em 40% ao redor da sínfise púbica. Podem também referir dor na região baixa do abdômen (30%), no quadril em 12% e na bolsa escrotal em 8%.

O padrão e característica da dor também são informações importantes. Dor em queimação, irradiada para a região medial das coxas, que piora após a atividade e por vezes contínua. Piora e interfere na performance sexual.

Além da dor, que geralmente tem caráter progressivo, a incapacidade para a prática esportiva é uma característica marcante da doença.

Existe uma categoria de Pubalgia, chamada infecciosa, que ocorre de forma secundária a uma Doença Sexualmente Transmissível (D.S.T.).

Outras causas, como Ginecológicas, Urológicas, Infecciosas e Hérnias intra-abdominais devem ser afastadas, visto que a lista de diagnósticos diferenciais é extensa:

‘Além da dor, que geralmente tem caráter progressivo, a incapacidade para a prática esportiva é uma característica marcante da doença.”
Ortopédicas

Estiramento do músculo  adutor, Estiramento do músculo ileo-psoas, fratura-avulsão, fratura por estresse, patologia intra-articular do quadril (Impacto fêmoro-acetabular, lesão labral, corpo livre, artrose precoce), deformidades congênitas do quadril, radiculopatia lombar, compressão nervosa.

Cirurgia Geral

Apendicite, doença diverticular, bridas e aderências intra-abdominais.

Urológicas

Infecção do Trato Urinário, prostatite, dor tentacular, varicocele.

Ginecológicas

Compressão peri-ligamentar, endometriose, cisto ovariano.

As radiografias convencionais demostram rarefação e esclerose óssea, na sínfise púbica, o que representa um estágio avançado na doença.

A Ultrassonografia define a presença de hérnias intra-abdominais ou inguinais, diagnóstico que deve ser excluído. A Ultrassonografia dinâmica é capaz de detectar defeitos na parede posterior do abdômen, que é uma das principais causas da doença.

A Cintilografia Óssea é notado o aumento de captação do radiofármaco na região do púbis, geralmente maior que a Espinha Ilíaca Ântero-Superior, quanto mais escurecido estiver nesta fase, maior a sobrecarga e o remodelamento ósseo no local. A presença nas fases iniciais do exame estão relacionas a maior inflamação no local.

A  Ressonância Magnética Nuclear identifica em muitos casos, a presença de edema na medular óssea do púbis, assim como possíveis tendinopatias dos adutores e da musculatura abdominal.

Como tratar?

Vários tipos de tratamentos estão descritos para a pubalgia.

Inicialmente, nos quadros agudos, a tentativa de repouso, medicação analgésica e anti-inflamatória e afastamento das atividades físicas associado a crioterapia (gelo), podem gerar melhora inicial parcial, porém os sintomas retornam com a volta a atividade esportiva.

A fisioterapia convencional, osteopatia, alongamentos, fortalecimentos musculares específicos é estimulado nas primeiras 6 semanas para um atleta profissional  e 3 meses para um atleta recreacional. Após este período, caso o paciente não tenha apresentado uma melhora de 80% do estado inicial, é sugerido o tratamento cirúrgico.

Existem muitas críticas na literatura ao tratamento conservador, que em grande parte dos casos, não garante a cura do problema, é dispendioso e muito demorado, podendo perdurar por até 12 meses, além de estar associado a uma alta taxa de recidiva da patologia.

O uso de antibióticos deve ser orientado quando diante de um quadro infeccioso.

Outra opção seria a Radioterapia em doses anti-inflamatórias no púbis, guiada por Tomografia Computadorizada teve algum sucesso no passado, porém está relacionado a um grande número de complicações.

O tratamento, em grande parte dos casos é cirúrgico, e consiste em identificar o local do desequilíbrio e da deformidade e correção desta.

O pós operatório

Uma vez diagnosticada a real causa do problema e submetido ao tratamento cirúrgico, a reabilitação segue algumas fases que, de forma progressiva devem ser respeitadas.

Não é necessário a utilização de muletas e uma fase de repouso relativo de 3 semanas é respeitado. Após esse período, o paciente é estimulado a retornar as atividades físicas como bicicleta, musculação, transport, seguido de corridas, trocas de direção e retorno ao esporte de preferência.

O tempo total de reabilitação gira em torno de 8 a 12 semanas, dependendo do local onde foi corrigida a deformidade.

O paciente retorna para uma re-avaliação com 6 meses. Quando, cerca de 95% dos pacientes se dizem satisfeitos e em um nível superioras pré-operatório quando diz respeito a prática esportiva.

Fonte: pubalgia

 

 

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