PACIENTE TETRAPLÉGICO E FISIOTERAPEUTA SUPERAM DIFICULDADES E VIVEM HISTÓRIA DE AMOR NO ES

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Felipe e Letícia na noite do casamento (Foto: Arquivo Pessoal/Felipe Barbosa Ramos)

Felipe mal sabia que na clínica, entre um exercício e outro, ele iria construir uma amizade que resultou em uma linda história de amor com Letícia Cabral.

O dia 26 de junho de 2007 transformou a vida do atleta Felipe Barbosa Ramos, hoje com 33 anos. De casamento marcado para aquele ano, ele sofreu um acidente na estrada de Itaúnas, no Norte do Estado, e ficou tetraplégico. Felipe foi fazer fisioterapia em uma clínica e mal sabia que ali, entre um exercício e outro, iria construir uma amizade que resultou em uma linda história de amor.

Quem também nem sonhava com essa possibilidade é a fisioterapeuta Letícia Cabral, de 36 anos. “Em outubro de 2007, ele foi para a clínica, mas não era meu paciente. Quando a fisioterapeuta dele não podia atendê-lo, eu atendia e ele acabou fazendo a reabilitação comigo”, conta.

Com a convivência, Felipe ficava de 8h às 12h – de segunda a sexta-feira no local -, e os dois se tornaram amigos. “A gente viajava para ele fazer um tratamento. Fomos para Campinas, Belo Horizonte, eu o acompanhava como fisioterapeuta.”

Até agosto de 2009, eles continuaram assim: apenas bons amigos. E os dois contam que não tinham interesse nenhum um no outro. “Ele chegou a me apresentar a amigos dele”, lembra Letícia. “Eu tenho muito amigos, e chamava ela para ir em alguns churrascos. Não tinha nada”, afirma Felipe.

Mas, após o fim do noivado de Felipe em 2009, a situação foi mudando, os dois se aproximaram e viajaram para a China para ele fazer um tratamento com células-tronco.

“Nós viajamos no início de agosto. Fomos eu, ele e um amigo nosso. Fui mais para ser tradutora dele, pois falo inglês. Acabou rolando. Demos o primeiro beijo no refeitório do hospital. Ficamos um mês lá e voltamos como namorados.”

Sobre o que despertou o amor depois de tanta convivência, Letícia explica. “Na verdade, eu nunca enxerguei o Felipe na cadeira de rodas. Eu o via como uma pessoa sem deficiência nenhuma. Mas realmente não imaginava me envolver com um paciente. Quanto mais ele, eu sabia muito da vida dele e ele da minha.”

Tivemos um carinho a mais e as coisas foram acontecendo. Nosso relacionamento foi mais tranquilo, porque ela já sabia a minha rotina. Não tinha que ficar explicando as coisas, tudo muito natural”, diz Felipe.

Em 2013, os dois se casaram e, em maio de 2016, a filha Laura nasceu. “Estou muito feliz. Já era um sonho ter um filho, agora estou mais que realizado”, comemora.

Como Letícia tinha 35 anos, o casal recorreu à inseminação para engravidar. “Com a idade, a qualidade dos óvulos vai piorando. Desde que a gente casou, queríamos ter filho. Mas a gente queria se estabilizar, terminar de montar o apartamento. Tem muita gente que pergunta se temos relação sexual. Temos sim. Acho até mais legal porque tem que ter uma troca de carinho maior para acontecer. Depende muito da cabeça da pessoa”, avalia.

Rotina

O dia a dia do casal, segundo Letícia, exige uma programação, que é bem resolvida por eles. “Se a gente vai a um restaurante, procuramos saber antes se tem um banheiro adaptado, por exemplo. Antes de ir ao trabalho, acordo um pouco mais cedo, para deixar uma fruta cortada para ele. Tenho que deixar algumas coisas esquematizadas.”

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Felipe praticando esporte (Foto: Reprodução/Facebook)

Felipe não caminha, mas já conquistou muitas vitórias desde o acidente. Dedicado ao tratamento, consegue mexer os braços, dirigir e segurar a filha no colo.

Ele, que era técnico da Petrobras e se aposentou por invalidez após a batida, encontrou no esporte um motivo a mais para viver. “Sempre gostei muito de esporte, mas só jogava futebol. Agora sou atleta de paraciclismo e rugby. Eu treino todos os dias. Depois do acidente comecei na natação e acabou que o treinador me convidou para a equipe de alto rendimento. Comecei a treinar todos os dias para competir. Depois conheci o ciclismo e o rugby.”

Superação

Felipe recorda como conseguiu chegar até aqui. “Foi bem difícil. Mas eu tive muito apoio de amigos e familiares. Não tive depressão, o que acaba acontecendo com algumas pessoas. Fui procurando me reabilitar. Perguntei: ‘Qual é a forma?’. Se é fisioterapia, então vamos fazer.”

Por:  Laila Magesk, Gazeta Online

Fonte: http://g1.globo.com/espirito-santo

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