PARALISIA CEREBRAL E FISIOTERAPIA MOTORA EM RECÉM NASCIDOS

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Paralisia cerebral é o termo utilizado para definir um conjunto de distúrbios motores decorrentes de lesão no cérebro durante os primeiros estágios de desenvolvimento. Pode ocorrer também alteração mental, visual, auditiva, da linguagem e do comportamento. A lesão é estática: não muda e não se agrava, ou seja, o quadro não é progressivo. No entanto, algumas características podem mudar com o tempo.

O cérebro é o órgão que controla todo o funcionamento do organismo. É muito sensível e sofre logo com a falta de combustível (oxigênio) que mantém suas células vivas. A falta de oxigênio para o cérebro é uma das maiores causas de lesão cerebral e traz prejuízo para o desenvolvimento normal e pode acontecer antes, durantes ou depois do parto.

* Antes do parto (causas pré-natais): infecções como rubéola, sífilis, listeriose, citomegalovirose, toxoplasmose e SIDA; uso de drogas, tabagismo, álcool; desnutrição materna; alterações cardiocirculatórias maternas (todos os nutrientes, inclusive o oxigênio da criança advêm da mãe).
* Próximo do parto (causas perinatais): anóxia (falta de oxigênio no cérebro), hemorragias intracranianas (trauma obstétrico).
* Após o parto (causas pós-natais): traumas na cabeça, meningites, convulsões, desnutrição, falta de estimulação, hidrocefalia.

O Sistema Nervoso Central (SNC) é formado pelo cérebro e medula espinal. O desenvolvimento do SNC se inicia dentro do útero e continua até os 18 anos de idade. Por isso, dependendo da etapa de desenvolvimento do cérebro, uma lesão tem efeitos diferentes. Após a lesão, o SN continua a se desenvolver às custas das partes não lesadas.

O diagnóstico é clínico, ou seja, deve ser feito através da história e exame físico da criança realizado por médico habilitado. Os exames complementares, como tomografia computadorizada, podem não ter correlação com a gravidade do quadro (não irão determinar se o quadro é grave ou não, mas apenas constatar a presença da lesão), mas são importantes para determinar a etiologia. O diagnóstico precoce é fundamental para que o tratamento seja estabelecido de forma precoce.
São as alterações que ocorrem na vida de uma pessoa desde seu nascimento. Ocorre no sentido da cabeça para os pés. O padrão de normalidade é definido a partir da média de uma população considerada normal.

Quando a família percebe que uma criança apresenta alteração no seu desenvolvimento (por exemplo, demora a sentar, andar ou falar) deve procurar logo o pediatra.

Os dados abaixo representam o que a maioria dos bebês consegue fazer:

RECÉM-NASCIDO

Ao nascer, o bebê mantém uma relação muito forte com a mãe, sentindo-se como fazendo parte do seu corpo. Nesta fase, o bebê deita em posição fetal (corpo encolhido), mantendo as mãos fechadas. Reage ao som, a luz e ao toque.

AOS TRÊS MESES

O bebê consegue sustentar a cabeça, ficar com os braços soltos e as mãos abertas. Começa a sorrir e seguir com os olhos e a cabeça objetos e sons apresentados. Presta atenção ao que está a sua volta e já tenta pegar os objetos mostrados, apesar de não conseguir.

AOS SEIS MESES

O bebê já é capaz de pegar objetos que vê, combina os movimentos das mãos e olhos, passa os objetos de uma mão para outra. Se colocado de bruços (deitado de barriga para baixo), vira de lado e de barriga para cima sem ajuda. Arrasta-se de barriga para baixo.

Começa a descobrir o próprio corpo (é quando leva o pé à boca). Reconhece objetos, manipulando-os e colocando-os na boca.
A partir do sexto mês o bebê é capaz de ficar sentado sem apoio.

AOS NOVE MESES

Nesta fase, o bebê emite sons o tempo todo. Senta sem apoio. Engatinha e fica em pé com apoio.

AOS DOZE MESES (1º aniversário)

Ao completar 1 ano de vida, a criança pode andar sem ajuda. Começa a falar as primeiras palavras e entende ordens simples. Imita o que vê e mostra o que quer com o dedo. É capaz de perceber coisas que estão escondidas. Gosta de brincar de “esconder” e tentar encaixar e empilhar objetos.

AOS DEZOITO MESES

A criança anda com segurança, porém corre desajeitadamente. Quer subir, abrir e mexer em tudo o que vê. Começa controlar “xixi/cocô” e usar o piniquinho. Fala mais palavras do que no primeiro ano de vida.

AOS VINTE E QUATRO MESES (2º ano de vida)

A criança corre com segurança, cria situações e histórias novas em suas brincadeiras. Gosta de rabiscar e é capaz de folhear as páginas de um livro.

Peso (meninos e meninas)

* nascem com ± 3Kg ( até 2,5Kg pode ser normal, mas merece atenção)
* até 6 meses aumentam de 20 a 30g por dia
* de 6 a 12 meses aumentam 15 a 25g por dia
* De 12 a 24 meses ganham mais 2 a 3Kg

Altura (meninos e meninas)

* nascem com 49 a 51cm de comprimento
* aos 3 meses tem ± 58 a 60cm de comprimento
* aos 6 meses tem ± 64 a 68cm de comprimento
* de 6 a 12 meses ganham 10cm a mais de comprimento
* De 12 a 24 meses ganham mais 10cm de comprimento

Perímetro Cefálico ( meninos e meninas)

* nascem com ± 33 a 35cm
* até 3 meses aumentam 2cm por mês
* de 3 a 6 meses aumentam 1cm por mês
* de 6 a 12 meses aumentam 0,5cm por mês
* De 12 a 24 meses aumentam mais 2cm

Há vários tipos de paralisia cerebral, dependendo da alteração motora predominante,são classificada da seguinte forma:

* Espástico: É o tipo mais comum. Ocorre lesão do córtex cerebral com diminuição da força muscular e aumento do tônus muscular. Tônus é o grau de tensão muscular. Ocorre um aumento da tensão que pode ser sentido à palpação ou como uma maior resistência à movimentação de uma parte do corpo.
* Atetóide: ocorrem movimentos involuntários que a criança não consegue controlar.
* Atáxico: dificuldade na coordenação motora (tremores ao realizar um movimento).
* Mistos: características de 2 tipos ao mesmo tempo (por exemplo: espástico e atetóide)

Dependendo da distribuição das partes do corpo afetados, teremos:

* Tetraparesia: pernas e braços igualmente comprometidos.
* Diparesia: as pernas são mais comprometidas do que os braços.
* Hemiparesia: um lado do corpo é afetado.
* Monoparesia: apenas um membro é afetado.

São decorrentes da lesão neurológica da criança: convulsões, alterações visuais e/ou auditivas, alteração do comportamento, hiperatividade, déficit de atenção, alteração da deglutição, mastigação, atraso na linguagem, alterações dentárias, etc. Cada distúrbio deve ser diagnosticado e tratado adequadamente. O comprometimento mental é muito variável; nem todo portador de PC tem deficiência mental.
da criança depende do seu potencial e da resposta ao tratamento realizado.

A reabilitação da criança com paralisia cerebral deve abranger todos os aspectos do desenvolvimento: motor, psicológico, comunicação, social e cultural. Deve ser realizada por equipe interdisciplinar com a participação de diferentes terapeutas, sendo o envolvimento da família essencial para a realização e sucesso do tratamento. Os familiares não se tornarão terapeutas ou técnicos, mas devem aprender noções básicas de como lidar com a criança e como realizar sua estimulação em casa. Os exercícios são a medicação que a criança deve “tomar” todos os dias em casa. O objetivo do tratamento varia para cada paciente, mas deve sempre visar a maior independência e melhor qualidade de vida possível.

A equipe de reabilitação deve ser composta por técnicos de diferentes áreas: fisiatria, odontologia, serviço social, psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional, enfermagem, fonoaudiologia. Dependendo das particularidades de cada criança pode haver necessidade do acompanhamento de outros profissionais: neurologista, ortopedista, psiquiatra, pneumologista, gastroenterologista, otorrinolaringologista e nutricionista.

A criança necessita antes de tudo do carinho e afeto da família. Todos nós precisamos nos sentir amados para conseguirmos nos desenvolver e crescer; a criança portadora de necessidade especial também.

A evolução da criança depende do seu potencial e da resposta ao tratamento realizado.

Sem estimulação não há desenvolvimento!

A paralisia Cerebral é um tema de extrema importância para a Fisioterapia.

O tratamento é altamente individualizado, dependendo das capacidades da criança, do tipo de paralisia cerebral e das afecções associadas.A metas são:

* Maximizar o desenvolvimento de capacidades de movimento e evitar contraturas.Intervir cedo com mobilidade e atividades evolucionárias, em resposta a sinais sutis de desequilíbrio muscular nas crianças. Simular experiências motoras grosseiras e finas apropriadas para a idade;
* Abordar a função motora oral no contexto da função motora total da criança;
* Identificar e responder a anormalidade do tônus, a fim de aumentar as oportunidades para os movimentos auto-iniciados;
* Minimizar ou prevenir seqüelas do alinhamento precoce ou problemas neuromotores através de uma intervenção pronta;
* Integrar intervenções ás atividades cotidianas da criança a fim de maximizar os resultados educacionais e neuromotores;
* Utilização de estimulação muscular direta para obtenção de ganho funcionais relacionados ao grupo muscular estimulado:
* Utilização de órteses termoplásticas moldadas sob medida, quando necessário.

A utilização do método Bobath :

Bobath é uma abordagem terapêutica e de reabilitação, desenvolvida para o tratamento de adultos, crianças e bebês com disfunções neurológicas. Tudo começou como parte do trabalho de Berta (fisioterapeuta) e Dr. Karel Bobath (neuropediatra) nos anos 1940-50 desenvolvido inicialmente a partir de experiências clínicas, tendo como base à compreensão do desenvolvimento normal, utilizando todos os canais perceptivos para facilitar os movimentos e as posturas seletivas que aumentam a qualidade das funções. Atualmente este método de tratamento baseia-se em estudos científicos nas áreas da ciência do desenvolvimento, biomecânica, estudos eletromiográficos e ciência da aprendizagem motora; tendo como princípio não só o modelo do SN mas também a sensação do movimento, a postura, os reflexos, o tônus e os problemas cinesiológicos. Através de uma abordagem holística da criança neuropata, busca avaliar e tratar o indivíduo de maneira global, apartir de uma interação entre o terapeuta e a criança, considerando-se as relações psico-sociais da mesma.

O método Bobath tem como objetivo estimular a função muscular e inibir movimentos anormais em crianças e adultos com disfunções neurológicas. Oferecendo uma grande melhora nas atividades da vida diária.

A criança aprenderá a se mover através da percepção do movimento normal, processo no qual as mãos e o corpo do terapeuta constituem ferramentas de grande importância.Um dos objetivos do tratamento é o aprimoramento da qualidade da função. Isso exige uma preparação sistemática, prevenindo-se contraturas e deformidades ou inibindo a atividade tônica reflexa.

Através do método Bobath quanto mais precoce se inicia o tratamento, se estabelecerá sua melhora mais eficaz do paciente tanto motora, sensorial ou postural.

Utilização da fisioterapia respiratória:

Proporcionando a manutenção de boas condições cárdio-respiratórias da criança, evitando complicações pulmonares que venham a retardar seu processo de reabilitação.

Como em alguns caso o paciente apresenta excursão pulmonar limitada em virtude da perda de função dos músculos respiratórios e ao controle postural deficitário, predispõe à infecção torácica. Técnicas: drenagem postural, reeducação postural para melhor entrada de ar, ensinar tosse produtiva, exercícios respiratórios.

A fisioterapia realizada nesses pacientes visa a prevenção e o tratamento de doenças respiratórias e alterações que acompanham as doenças neurológicas, ortopédicas, cardiovasculares e clínicas em geral.

 

Bibliografia:

Long,T.M., Cintas,H.L., Manual de fisioterapia pediátrica,Editora Revinter, – Rio de Janeiro, 2001.

http://www.acadef.com.br/saudexdeficiencia.html#Paralisia%20Cerebral

http://tmmp.sites.uol.com.br/

http://www.foa.org.br/vitalsampol/ Artigos/Artigo31-40/artigo31/artigo31

 

Fonte: http://daisycirne.blogspot.com.br

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