PILATES NO TRATAMENTO DA PARALISIA CEREBRAL

0
2031

Nós sabemos que o método Pilates oferece diversos benefícios, e nesse texto vamos falar sobre um deles, o benefício no tratamento da paralisia cerebral. Vamos fazer uma análise sobre a deficiência, quais suas causas, exercícios e uma entrevista exclusiva com minha aluna, Viviane Nariyoshi, que é portadora de Paralisia Cerebral.

Entenda a Paralisia Cerebral

paralisia-cerebral-1

O termo Paralisia Cerebral (PC) engloba um vasto conjunto de afecções que comprometem o Sistema Nervoso Central (SNC) imaturo e que tem em comum o distúrbio motor como uma de suas manifestações mais evidentes.

A definição mais aceita hoje em dia é a que classifica a PC como um grupo não progressivo, mais frequentemente mutável, de distúrbios motores (tônus e postura), secundários a lesão do cérebro em desenvolvimento. A lesão pode ocorrer em qualquer momento, desde a fase embrionária ate os dois anos de idade.

Os pacientes com PC geralmente evoluem com deformidades musculoesqueléticas, em decorrência do tônus muscular alterado, da diminuição da amplitude do movimento, da pouca mobilidade e de determinadas posturas por tempo prolongado.

Causas para a Paralisia Cerebral

paralisia-cerebral-2

A Paralisia Cerebral tem múltiplas causas e fatores de risco, incluindo desde fatores relacionados a características da mãe antes da gravidez, características familiares, até os fatores que ocorrem durante o nascimento e nos dois primeiros anos de vida, alguns fatores associados com a PC, podem ser consequências do processo, levando à doença e não a sua causa.

Os mecanismos de lesão do S.N. C que resultam na Paralisia Cerebral são: hemorragia, hipóxia, isquemia transitória ou irreversível resultando em necrose celular secundária à formação de radicais livres ou hipóxia relacionada a alterações metabólicas da morte celular.

Causas:

  • Pré-natais: Genéticas e hereditárias, maternas, circulatórias (fenômenos hipóxicos isquêmicos, hipotensão), eclampsia, hemorragias com ameaça de aborto, desprendimento prematuro da placenta, má posição do cordão umbilical, infecções (rubéola, toxoplasmose, lues, HSV- herpes), metabólicas (diabetes e desnutrição), tóxicas (medicamentos, drogas), malformações congênitas físicas (radiações e raios-X).
  • Perinatais: Parto distócico, asfixia (hipóxia ou anóxia), hemorragia intracraniana, prematuridade e baixo peso, Icterícia grave (hemolítica ou por incompatibilidade), Infecções pelo canal do parto.
  • Pós-natais (aqueles casos em que se diagnostica dano encefálico entre a segunda semana de vida e o segundo aniversário, numa criança saudável): Meningencefalites bacterianas e virais, traumatismos crânio encefálicos, encefalopatias desmielinizantes (pós-infecciosas ou pós-vacinais), processos vasculares, desnutrição, síndromes epilépticas (West e Lennox-Gastaut), Status epilépticos.

Benefícios do Pilates no tratamento

paralisia-cerebral-5

O tratamento fisioterapêutico nestes casos visa minimizar as consequências e promover a máxima função possível, utiliza de técnicas para diminuir a hipertonia muscular, minimizar os problemas secundários, como encurtamentos e contraturas, aumentar a amplitude de movimento, maximizar o controle motor seletivo, a força muscular e a coordenação motora além de melhorar a qualidade de vida.

A prática de exercícios pelos portadores de Paralisia Cerebral colabora para aumentar a resistência e descobrir potencialidades. Estimula também a autonomia e assim melhora a autoestima e promove a socialização.

Perante o quadro da Paralisia Cerebral, o método Pilates atua possibilitando a execução de exercícios e treinamento que combina corpo e mente. Ele considera todos os segmentos corporais em harmonia, em vez de visar apenas às áreas comprometidas.

Pilates é um sistema moderno de manutenção corporal, que como vocês sabem tem como princípios básicos:

  • concentração
  • controle de centro
  • respiração
  • controle
  • fluidez
  • precisão

Para o tratamento obter sucesso deve-se trabalhar na linha média do corpo buscando o alinhamento, além disso:

  • exercícios que promovam a estabilidade do tronco, como por exemplo as séries com a short box no Reformer;
  • movimentos de mobilidade de quadril – footwork ou série de pés na Chair são possbilidades;
  • a descarga de peso;
  • estimulação proprioceptiva e estratégia de equilíbrio, que você pode fazer praticamente nos 4 aparelhos;
  • ganho de força;
  • coordenação motora – swimming, leg pull front, bicycle, etc.
  • relaxamento.

Deverá visar à melhora da propriocepção da criança, estimulando de maneira lúdica e divertida o prazer por se movimentar. O desafio deve ser constante, variando as posições do corpo no espaço. Estes pacientes possuem pouca estabilidade da coluna, podendo ou não apresentar encurtamento muscular e neural tanto de membros superiores como inferiores, associado à falta de força e controle.  Tudo isso somado a falta de equilíbrio provoca constantes quedas do paciente, podendo provocar lesões tanto ósseas quanto musculares.

As limitações de movimento, os encurtamentos, os diferentes graus de tônus muscular e fraqueza influenciam no repertório de exercícios, adaptando a terapia para cada paciente. Assim o Pilates promove a melhora do alongamento e a mobilidade dos portadores de PC, o que os ajudam no desempenho das atividades da vida diária.

Os equipamentos do Pilates proporcionam uma variada gama de estímulos para que a diferentes partes do corpo trabalhem ao mesmo tempo em sincronia.

Na AACD – Associação de Assistência à Criança Deficiente, o método Pilates é usado como terapia na prevenção, habilitação e reabilitação de crianças, adolescentes e adultos com deficiência física.

Em um estudo analítico experimental realizado com portadores de PC, o Pilates foi realizado como terapia em três pacientes com faixa etária de 10 a 14 anos. Verificou-se que o método Pilates mostrou-se eficaz no ganho da função motora na postura sentada, ortostática e na marcha, além do aumento da amplitude de movimento. No entanto, não interferiu no grau de hipertonia desses pacientes no período da realização do estudo.

O método deve ser utilizado em portadores de PC que tenham o cognitivo preservado para conseguir entender os exercícios e executá-los mesmo que sejam com adaptações.

Experiência própria

paralisia-cerebral-4

Viviane Nariyoshi 33 anos, portadora de Paralisia Cerebral com diagnóstico de hemiparesia, faz Pilates desde 2008.

“Eu tive paralisia cerebral na hora do parto, iniciei o tratamento desde pequena, a primeira cirurgia foi aos três anos de idade e a outra foi mais ou menos com sete ou oito anos. Comecei a andar e falar com uns seis anos, fazendo muita fisioterapia e fono. Aos 11 anos, descobri que tinha Epilepsia e desde então faço tratamento com remédio controlado. Depois de alguns anos parei de fazer tudo. Só depois da adolescência que voltei a fazer fisioterapia de novo por motivos de dores.”

O que mais a incomoda hoje é a falta de equilíbrio e dificuldade motora do lado direito. Apesar das dificuldades geradas pela PC, Viviane leva uma vida normal, é formada em hotelaria e hoje trabalha na área de TI em um banco.

“Aos 24 engravidei, e depois da gravidez o corpo não é mais o mesmo, em 2008 descobri o Pilates assistindo TV e achei interessante, pois a professora era fisioterapeuta e eram poucos alunos por aula. Fui fazer aula experimental, adorei e desde então, faço Pilates.” Segundo ela, as quedas eram muito frequentes antes do Pilates.

“Em 2009 conheci a Gabriela Zaparoli, fisioterapeuta/professora do Studio de Pilates, ela me ajudou muito em vários sentidos, primeiro: “eu consigo”, segundo: me incentivou a fazer vários exercícios e terceiro: me fez descobrir o meu abdômen, e que ele me ajuda no meu equilíbrio contraindo-o sempre! Assim eu fico ereta e a possibilidade de cair é menor.”

No início das aulas ela tinha muita dificuldade de contrair o abdômen e de manter a posição ereta, mas com o passar das aulas isso melhorou muito.

“Depois do Pilates, cair parou de ser uma rotina na minha vida, a cada dia que passo eu supero as minhas expectativas, fazendo todos os exercícios e cada vez melhor. Eu me sinto muito bem, pois tenho a segurança de uma profissional como fisioterapeuta.”

Ela faz Pilates duas vezes por semana e também fisioterapia domiciliar uma vez na semana. Já fez aplicação de botox para melhorar a movimentação e o controle muscular e diminuir as dores.

“Eu preciso fazer alguma atividade física, já tentei natação, mas enjoei academia sempre tive vontade, mas tinha medo de fazer algum movimento errado e piorar a minha condição. Já no Pilates, faço vários exercícios diferentes e específicos para o que eu preciso. O que me deixa mais feliz é que posso fazer quase todos os tipos de exercícios que a Gabriela passa para os outros alunos, e nunca me deixa de fora. Esse é um fator que me incentiva muito. Hoje eu sei que não posso parar de fazer Pilates, pois é a única atividade que não enjoa e que mexe com o corpo todo.”

Fonte: http://blogpilates.com.br/

SEM COMENTÁRIOS

O QUE ACHOU DESTE CONTEÚDO? DEIXE SEU COMENTÁRIO.

*