PRECONCEITO ATRAPALHA DIAGNÓSTICO PRECOCE DE DOENÇAS DO INTESTINO

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Médica alerta que a detecção dos males chega a demorar até um ano

Desconhecimento e preconceito ainda contribuem para o atraso do diagnóstico de diversas doenças, impedindo o tratamento adequado e trazendo como consequência até mesmo a morte. Esse é o caso das doenças que atingem o intestino grosso e o ânus – as chamadas doenças proctológicas. Uma em cada três pessoas no mundo pode desenvolver essas enfermidades sem saber, segundo alerta da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A médica coloproctologista Hilma Nogueira da Gama, coordenadora de colocproctologia do Hospital Madre Teresa, em Belo Horizonte, afirma que um paciente pode levar até um ano até receber o diagnóstico – desde o aparecimento dos primeiros sintomas até a detecção da patologia. “Até 70% dos meus pacientes deixaram de procurar um profissional de saúde após terem apresentado alguns sintomas, por causa do preconceito. É preciso falar sobre isso, porque é natural”, ressalta.

A médica aponta que a falta de divulgação da coloproctologia, especialização da medicina responsável por essas áreas, contribui para o desconhecimento da população. Já o preconceito, explica, está associado à vergonha na hora de se falar quando os sintomas aparecem nas regiões do intestino e do ânus.

Sinais de alerta. Os sinais que mais exigem atenção no ânus são o sangramento intenso na hora de evacuar – mesmo que aconteça apenas uma vez –, dor intensa, desconforto e, algumas vezes, secreção purulenta. Já quanto ao intestino grosso, vale ficar de olho se ele está solto (diarreia) ou preso (prisão de ventre) demais.

O diagnóstico é feito, inicialmente, pela anamnese dirigida – uma entrevista em que o médico ajuda o paciente a relembrar todos os fatos que se relacionam com a doença e à pessoa doente.

Em seguida, há o exame especializado, que pode ser inspeção, palpação, toque e endoscopia. “Eles costumam ser indolores e apresentar somente um leve incômodo. Mas vale pagar esse preço para salvar a vida”, ressalta.

A médica diz que, entre as doenças colorretais mais comuns, estão as hemorroidas, o câncer de intestino grosso, o câncer de ânus e as fissuras anais.

As hemorroidas, inclusive, são a principal causa de desconforto anal. Mesmo não se desenvolvendo para uma doença mais grave, ela causa dor e pode atingir até 50% dos brasileiros, segundo o Ministério da Saúde.

A especialista garante que, tanto nesses casos quanto nas demais patologias, o tratamento geralmente é baseado em repouso, muita hidratação e uso de medicamentos.

Cirurgia. Somente 20% dos pacientes com doenças colorretais são tratados com cirurgia, segundo a médica Hilma Nogueira. Mesmo assim, diz, apenas quando se tratam de casos mais graves.

Alimentação balanceada ajuda na prevenção e no tratamento

A ingestão de determinados alimentos contribui para prevenir e até tratar a maior parte das doenças proctológicas. De acordo com a médica Hilma Nogueira, certas comidas possuem elementos que facilitam o processo, sendo que o principal deles é a fibra.

Os alimentos com maior concentração dessa substância são lentilha, aveia, pera, arroz integral, maçã, banana, figo seco, uvas-passas, pão integral amêndoas e sementes de linhaça. “A fibra é importante porque acelera o processo de eliminação de resíduos tóxicos e mantém o pH ideal no intestino, o que previne que micróbios produzam substâncias malignas que possam levar ao desenvolvimento de câncer colorretal”, explica.

Além disso, frutas, verduras e legumes, em geral, são indicados para pacientes em tratamento. Outro fator determinante também é a hidratação do corpo. “Ingerir muita bebida, principalmente água, ajuda na recuperação do paciente. Sucos e vitaminas de algumas frutas também são sugeridos pelos profissionais”, aponta Hilma.

Conscientização. A partir de 1° de setembro, o Hospital Madre Teresa, em Belo Horizonte, fará uma campanha de 30 dias para conscientizar a população sobre o exame colorretal, com consultas e exames.

Por: THUANY MOTTA

Fonte:  http://www.otempo.com.br

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