PROTOCOLO DE FISIOTERAPIA PARA A TENOSSINOVITE DE QUERVAIN

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A tenossinovite de Quervain é comumente conhecida como uma inflamação dos tendões extensor curto e abdutor longo do polegar. No entanto, a nova investigação sugere que nesta condição se dá uma degeneração dos tendões que fazem desta patologia uma tendinose e não uma tendinite. Os principais sinais/sintomas são:

  • Dor
  • Edema devido à inflamação
  • Diminuiu a extensão do polegar e da força de desvio radial
  • A diminuição do movimento

Apesar da patologia, o uso excessivo do polegar e o desvio radial repetitivo fazem com que os dois tendões deslizem continuamente sobre a apófise estiloide do rádio, fazendo com que as forças de atrito conduzam a inflamações pontuais.

O Guide for Physical Therapy Practice da APTA sugere que 80% dos pacientes com tenossinovite de  Quervain irá atingir os seus objetivos esperados para o tratamento dentro de 2 a 4 meses (entre 6-24 consultas de fisioterapia).

Protocolo de fisioterapia para a tenossinovite de Quervain

Não existe evidência indicando um protocolo padrão para o tratamento da doença de Quervain, mas existem sugestões de várias investigações sobre que intervenções utilizar na fase aguda e na fase crônica.

Intervenções na fase aguda

(objetivo: aliviar a dor, diminuir o inchaço, melhorar a amplitude de movimento):

  • Imobilização do polegar Será geralmente prescrita uma tala para imobilização do polegar durante até 6 semanas. A taxa de sucesso documentada para esta intervenção ronda os 19%, quando comparada com injeções de corticóides e uso de AINEs, mas o sucesso aumentou para 88% com a utilização de talas e AINEs em conjunto.
  • Injeção de corticosteróides Injecção de corticosteróide e/ou anestésico na bainha do tendão extensor do polegar teve sucesso variável, entre 62% e 93%.
  • Anti -inflamatórios não esteróides (AINEs) Geralmente combinado com outras intervenções terapêuticas. Verificou-se que tem resultado a aliviar a inflamação dos tendões extensor curto e abdutor longo do polegar.
  • Gelo/calor Geralmente combinado com outras intervenções terapêuticas. O calor pode ajudar a relaxar e a alongar a musculatura encurtada, e o gelo pode ser usado para ajudar a aliviar a inflamação da bainha do tendão extensor.
  • Tratamento de McKenzie para o punho O paciente é instruído a realizar o desvio cubital e a flexão do polegar com distração em casa 10-20 vezes pelo menos a cada 3 horas. O paciente também é orientado a evitar o desvio radial. O autor verificou que o desvio cubital com distração radiocarpal promove uma recuperação mais rápida e com sucesso. Há pouca ou nenhuma pesquisa apoiando o sucesso e a eficácia desta intervenção.
  • Massagem Massagem profunda na eminência tenar pode ajudar a relaxar a musculatura que provoca dor. (Veja o vídeo de exemplo abaixo)
  • Alongamento Alongar os músculos da eminência tenar em extensão e abdução do polegar pode relaxar e alongar essa musculatura que causa dor. (Veja o vídeo de exemplo abaixo)
  • Educação Sobre os fatores de risco, atividades agravantes e educação para a adaptação de actividades agravantes.

Intervenções fase crônica:

  • Calor
  • Massagem
  • Exercício terapêutico (incluindo programa de exercícios para casa)
  • Alongamento
  • Reforço muscular (Veja o vídeo abaixo para cada exercício)
  • Educação para a adaptação de actividades agravantes (continuação).
  • Injeções de corticóide (se as intervenções de fase aguda não funcionaram)
  • Reiniciar a actividade/exercício físico

Qualquer dos alongamentos acima, assim como o fortalecimento muscular, usar gelo e calor, técnicas de auto-massagem e, se for escolhido como intervenção, os exercícios de McKenzie podem ser realizados pelo próprio paciente em casa como forma de prevenir recidivas.

Referências: 

Kutsumi K, et al. Finkelstein’s test: A biomechanical analysis. The Journal of Hand Surgery. 2005;30(1):130-135.
Andreu J-L, et al. Hand pain other than carpal tunnel (CTS): The role of occupational factors. Best Practice & Research Clinical Rheumatology. 2011;25:31-42.
Gonzalez-Iglesias J, Huijbregts P, Gernandez de las Penas C, and Cleland JA. Differential diagnosis and physical therapy management of a patient with radial wrist pain of 6 months’ duration: A Case Report. J Ortho and Sports Phys Ther. 2010;40(6):361-368.
Ilyas AM. Nonsurgical treatment for de Quervain’s tenosynovitis. J Hand Surg. 2009;34(5):928-929.
Kaneko S, Takasaki H, and May S. Application of mechanical diagnosis and therapy to a patient diagnosed with de Quervain’s disease: A Case Study. J Hand Surg. 2009;22:278-284.
Fonte: http://fisioterapiajoaomaia.blogspot.com.br

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