REABILITAÇÃO FÍSICA É ALTERNATIVA À CIRURGIA PARA PACIENTES COM ” COTOVELO DE TENISTA”

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Em casos de inflamação crônica no cotovelo, a reabilitação física tem efeito sobre a redução da dor semelhante ao da intervenção cirúrgica, mostra pesquisa australiana feita com 26 pacientes

Tratar a inflamação crônica dos músculos e tendões do cotovelo com métodos não invasivos pode ser tão eficaz quanto a cirurgia que corrige o problema. De acordo com um estudo apresentado na reunião anual da Sociedade Ortopédica Norte-Americana de Medicina do Esporte, a reabilitação física tem efeito semelhante na percepção de dor dos pacientes comparados àqueles que se submeteram ao procedimento cirúrgico. O trabalho, contudo, foi feito com um número pequeno de pessoas, observaram os autores.

A epicondilite lateral, popularmente chamada de cotovelo de tenista, é uma condição que afeta até 3% da população, independentemente de sexo. As faixas etárias dos 40 e 50 anos são aquelas em que há mais ocorrência de lesão, explica o ortopedista Alexandre F. Paniago, da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e da Sociedade Americana de Cirurgiões Ortopédicos. O médico esclarece que essa patologia é provocada por microlesões nos tendões. Ao tentar curá-las, o organismo desencadeia um processo inflamatório que pode se tornar crônico. “É como uma ferida aberta. Toda vez que a pessoa tentar movimentar o braço, ela vai criar mais lesões”, observa.

A primeira fase do tratamento, segundo Paniago, inclui imobilização por pouco tempo, uso de anti-inflamatórios (o gelo é o melhor deles), medicamento oral e local. Em seguida, o paciente é encaminhado à fisioterapia, que vai ajudar a tirar a dor e aumentar a flexibilidade dos tendões e músculos. “Oitenta por cento melhoram com esse tratamento. As lesões traumáticas são mais fáceis de tratar do que as degenerativas. Nós fazemos tudo para não operar, mas há casos em que o paciente só melhora com a cirurgia”, observa.

No estudo apresentado no congresso norte-americano, investigadores do Instituto de Pesquisa Ortopédica de Sydney, na Austrália, avaliaram a evolução de dois grupos compostos por 13 pessoas cada um, que foram submetidas tanto à cirurgia quanto a uma falsa operação. Todas elas sentiam dor havia mais de seis meses e tinham tentado abordagens como fisioterapia, acupuntura e enfaixamento, sem sucesso. Para que nem pacientes nem médicos soubessem qual o procedimento usado, todos os participantes receberam uma incisão no braço. Em metade deles foi feita a cirurgia aberta, que consiste na retirada do tecido morto; na outra metade, o cirurgião apenas fez o corte, sem mexer na lesão. Os pesquisadores que conduziram o estudo não ficaram sabendo quais, de fato, operaram. Depois do experimento, os pacientes tinham de completar questionários indicando frequência e severidade da dor em repouso e em atividade, além de dificuldade para segurar e girar objetos. “Nossos dados mostraram que ambos os grupos tiveram melhora significativa 26 semanas depois, especialmente na questão da dor”, conta Martin Kroslak, principal autor do estudo. “Os participantes foram acompanhados de um a quatro anos depois e, mesmo nesse período, não teve diferença no resultado”, observa. Os 26 pacientes entraram em um programa pós-cirúrgico, que incluiu aplicação de gelo e alongamentos.

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Ed Alves/CB/D.A Press
Primeiro, Neisser tratou a epicondilite lateral com fisioterapia. Depois, teve que recorrer à cirurgia: “Não sinto mais nada” (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

Kroslak lembra que o número de participantes foi muito pequeno e que, para verificar se realmente a cirurgia pode ser evitada, seria necessário incluir uma quantidade bastante superior de pacientes. Ele destaca, porém, a necessidade de continuar a investigação de opções não invasivas. “Acredito que nosso trabalho evidencia os desafios de se traçar um plano de tratamento para uma quantidade significativa da população ativa que enfrenta esse problema”, diz.

Para o servidor público Neisser Cardoso Minervino, de 58 anos, a cirurgia foi a única maneira de tratar um problema que o acompanhou por um ano. Ele não sabe o que desencadeou a epicondilite no braço direito, mas, em 2015, começou a sentir uma dor constante, que dificultava seus movimentos. “Fiz fisioterapia, deu certo e a dor sumiu totalmente”, conta. Porém, no ano seguinte, voltou pior. “Era insuportável. Eu não conseguia passar a mão pela cabeça, não conseguia escovar os dentes. Pedi pelo amor de Deus para ser operado”, conta.

Em maio do ano passado, o médico avaliou que era hora de Neisser encarar a cirurgia. Os primeiros quatro meses de recuperação foram bastante sofridos. O servidor chegou a ficar com dois dedos dormentes. A dor do cotovelo passou para o antebraço. Porém, vencido esse período, ele recuperou a função do braço e não sentiu mais desconforto. “Não me arrependo nem um pouco de ter feito a cirurgia. Não sinto mais nada”, comemora.

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Michael Gurven/Divulgação
(foto: Michael Gurven/Divulgação)

Coração em forma Os chimanes da Bolívia, um grupo indígena amazônico, têm as artérias mais saudáveis do mundo devido à alimentação pobre em gorduras e a uma atividade física intensa, segundo estudo divulgado na revista The Lancet. A aterosclerose é uma degeneração das artérias que se manifesta pela formação de placas que podem desacelerar ou obstruir o fluxo sanguíneo e que provoca doenças coronárias e infartos. Os membros dessa comunidade, formada por cerca de 6 mil pessoas, têm cinco vezes menos chances de desenvolver aterosclerose do que os americanos. Quase nove em cada 10 pessoas da etnia (85%) não tinham nenhum risco de doença cardíaca, 13% tinham risco baixo e apenas 3%, moderado ou alto. E enquanto nos países industrializados a população passa mais da metade das horas acordada em modo sedentário, no caso dos chimanes, essa taxa é de apenas 10%. A vida de subsistência, que inclui caçar, pescar e se dedicar à pecuária, faz com que eles passem entre seis e sete horas diárias fisicamente ativos, no caso dos homens, e entre quatro e seis horas no caso das mulheres.

Por:  Paloma Oliveto

Fonte:  Portal Uai

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