RECOMENDAÇÕES ATUAIS PARA TRATAR O PÉ PLANO EM CRIANÇAS

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Por definição, pé plano é aquele com ausência ou diminuição do arco medial plantar (curvinha do pé).
Existem várias denominações para o mesmo problema, ou seja, o pé plano também pode ser chamado de pé chato, pé pronado ou pé valgo.
A curvinha do pé normal:
Os pés das crianças nascem planos de forma fisiológica.
É normal, o recém-nascido, ter pés planos, desde que, os movimentos sejam livres e sem rigidez.
Durante o desenvolvimento motor da criança, a curvinha medial do pé vai sendo formada.
Para o seu surgimento é necessário que as articulações do pé estejam bem alinhadas, os músculos e tendões que atuam nos pés estejam funcionantes e que, os ligamentos que unem as articulações estejam com seu tensionamento normal.
Existem prazos de espera, considerados normais, para que a curva do pé apareça.
Por que o pé plano aparece?
Existem diversas situações que favorecem o seu surgimento, sendo que as principais são:
  1.  Frouxidão ligamentar generalizada :
São crianças que apresentam além do pé plano, recurvato dos joelhos (joelhos que esticam demais), hiperextensão dos cotovelos, hiperextensão dos dedos e polegares, deformidade dos joelhos em valgo e, frequentemente, sobrepeso.
O exemplo típico, são as crianças com Síndrome de Down, que apresentam variados graus de frouxidão ligamentar ou, até mesmo, aquelas crianças que apresentam frouxidão ligamentar generalizada idiopática, ou seja, sem causa aparente.
 2.  Desequilíbrio muscular no tornozelo e pé:
O principal problema encontrado é o encurtamento da musculatura da panturrilha.
Para que o movimento do tornozelo seja normal, ou seja, para que o pé possa subir e descer normalmente, é preciso que a musculatura da panturrilha relaxe adequadamente, permitindo ao pé ficar posicionado normalmente para a marcha com o apoio do calcanhar e da planta toda no chão.
Quando isso não ocorre, devido ao encurtamento da panturrilha, ou a criança anda na ponta dos pés ou o pé se torna deformado para compensar a ausência do completo movimento do tornozelo em permitir a elevação do pé na marcha.
Em situações patológicas em que, o encurtamento da panturrilha ocorre, o tornozelo fica impossibilitado de permitir ao pé, subir normalmente para que o calcanhar e a planta do pé fiquem completamente apoiados no chão para a marcha e, com isso, ocorre um mecanismo compensatório e anômalo, realizado no pé, em que ele se torna deformado para permitir a elevação completa fazendo com que  o apoio do calcanhar e da planta fique completamente no solo.
Com essa deformidade nas articulaçõpes do pé,  surge o pé plano por desequilíbrio muscular.
A principal patologia em que esse mecanismo ocorre é a paralisia cerebral, que acomete crianças andadoras ou não e , até mesmo, as crianças com encurtamento congênito da musculatura da panturrilha.
 3.  Encurtamento do osso lateral do tornozelo (fíbula ou, como conhecido no passado, perônio):
O osso lateral do tornozelo representa um apoio para o pé, impedindo que, durante a marcha e o apoio do peso corporal, o pé seja desviado para fora e fique deformado em valgo.
Em patologias congênitas como a hemimelia fibular, onde há uma diminuição do tamanho da fibula ou até mesmo ausência completa do osso, o pé plano valgo, frequentemente é encontrado.
Na mielomeningocele, em que há uma fraqueza da musculatura lateral do tornozelo com consequente encurtamento da fíbula, também é bastante frequente encontramos a deformidade em valgo dos pés.
 4. Sequela de pé torto congênito:
Muitas vezes, encontramos crianças que foram submetidas a correção cirúrgica de pé torto congênito e que, evoluíram para hipercorreção com o surgimento do pé plano valgo.
As queixas apresentadas:
A principal queixa relatada é a presença da deformidade, ou seja, os pais referem que a criança pisa torto ou pisa com a frente do pé para fora.
Na maioria das vezes, não há dor ou, quando ocorre, é vaga, mal definida, temporária e com melhora espontânea, sem o uso de analgésicos.
Muitas vezes, as crianças não tem nenhuma dificuldade com o uso de calçados porém, nas deformidade mais severas, é comum a queixa de desgaste excessivo na parte interna dos calçados.
É frequente os relatos de que, apesar dos pés serem planos, a prática esportiva é normal, a criança consegue correr e não manca.
A avaliação médica:
Tem por objetivo estudar a mobilidade dos pés, analisar a planta dos pé quanto a presença de calosidades dolorosas, ulcerações e, dor com a palpação das articulaçoes do pé.
A análise visual da marcha da criança também é importante pois, reflete o funcionamento do pé quando suporta o peso corporal.
Quais os pés que precisam de tratamento?
Os pés com deformidade acentuada, dolorosos, com calosidades plantares, com desgaste excessivo no solado dos calçados, encurtamento da panturrilha e aqueles que impedem o uso adequado de órteses nas crianças com paralisia cerebral ou mielomeningocele.
As formas de tratamento existentes:
Existem diversas formas de abordar este problema.
Medidas conservadoras como palmilhas com modelagem do arco medial plantar, fisioterapia para alongamento da musculatura da panturrilha, modificações nos calçados.
O tratamento cirúrgico, geralmente fica indicado em casos de falha na resolução dos sintomas com o tratamento conservador e, diversas cirurgias existem para corrigir a deformidade, permitindo a melhor distribuição do peso corporal na sola dos pés, acabando com a dor, calosidades e desgaste excessivo nos calçados.
Atualmente, são predominantes as cirurgias de realinhamento dos ossos do pé com reequilíbrio da forças musculares que atuam nos pés e tornozelos, ao mesmo tempo em que os movimentos são preservados.
Cada caso deve ser avaliado individualmente para que o melhor tratamento seja indicado.
As dúvidas dos familiares devem ser esclarecidas em consulta médica após, exame físico adequado da criança ou adolescente.
Por: Dr. Maurício Rangel -Ortopedista Pediátrico
Fonte: http://www.criancaesaude.com.br/

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