SHIATSU – INTRODUÇÃO

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Introdução

A palavra Shiatsu deriva do japonês Shi = a dedo e atsu = pressão, ou seja, pressão com o dedo.

Segundo o Ministério da Saúde Japonês pode ser descrito como: “ Forma de manipulação administrada pelos polegares, dedos e palmas, sem o uso de qualquer instrumento mecânico ou de outro tipo, para aplicar pressão à pele humana, corrigir disfunções internas, promover e manter a saúde e tratar doenças específicas”.

O Shiatsu consiste em aplicar pressão sobre determinados pontos chamados de “tsubos” que formam canais energéticos no corpo – os meridianos, que por sua vez relacionam-se entre sí e com os órgãos internos. No interior dos Canais de Meridianos circula dentre outras substâncias a energia vital, chamada de Ki pelos japoneses ou Chi pelos chineses.

Objetivo

O principal objetivo do Shiatsu é manter ou (re)estabelecer o equilíbrio energético, a fim de prevenir ou tratar disfunções que sejam causadas pelo desequilíbrio dessa energia. Segundo a visão da Medicina Oriental as doenças são originadas pela desregulação de energia nos meridianos.

História

Apesar da palavra Shiatsu ser do início do século XX, acredita-se que a técnica seja bem mais antiga, originando-se da combinação de várias técnicas da Medicina Oriental.

Por volta de 530 a.C foi introduzido na China um sistema de promoção de saúde composto por exercícios de automassagem e movimentos corporais; com o objetivo de desintoxicar e rejuvenescer. Este sistema ficou conhecido como Tao-Yinn, que mais tarde foi incorporado à Medicina Tradicional Chinesa, muito popular no Oriente.

No Japão, o Tao-Yinn tornou-se conhecido por sua combinação com diversas técnicas japonesas como o Do-In e o Anmá, que resultou numa sequência de massagem semelhante ao Shiatsu conhecido atualmente.

Em 1919, Tamai Tempaku, um massagista desconhecido à época, publicou o primeiro livro de Shiatsu, intitulado Shiatsu Ho (terapia de pressão com os dedos). Tamai conhecia o Anmá e o sistema de pontos chineses e se especializou em Ampuku, técnica de massagem abdominal chinesa que se tornaria muito popular no Japão. Além disso, ele também conhecia Do-In, anatomia e psicologia ocidental e técnicas de massagens européias.

Em seu livro, Tempaku propôs diversos tratamentos para doenças, integrando o anmá, ampuku, do-in e o sistema de canais de meridianos chineses com a anatomia, psicologia e técnicas conhecidas no ocidente.

Em 1925 foi fundada a Associação de Terapeutas de Shiatsu, com o intuito de diferenciar esta técnica da massagem para relaxamento, e assim, o termo Shiatsu ou digitopuntura foi incorporado às práticas curativas japonesas. Faziam parte dessa associação diversos discíplulos e seguidores de Tamai Tempaku, dos quais se destacaram Katsusuke Serizawa, Tokujiro Namikoshi e a mãe de Shizuto Masunaga (que posteriormente influenciará o filho na criação de um estilo próprio de Shiatsu que se tornará bastante conhecido, o Zen Shiatsu).

O reconhecimento do Shiatsu como técnica independente foi árduo e só ocorreu graças à reestruturação do Governo japonês após a Segunda Guerra Mundial, pois, tendo sido derrotado, o Japão, na ânsia de estabelecer a sua nova identidade nacional, sob a tutela do Governo Americano, começou a investir no conhecimento científico e tecnológico visando à reconstrução do país.

Após a Segunda Guerra, o general americano Douglas Mac Arthur proibiu a prática de todas as técnicas orientais no Japão, fato que gerou grande comoção e protestos no país e até nos Estados Unidos. Posteriormente, foi criada uma comissão para avaliar, classificar e regulamentar a Medicina Tradicional Japonesa e Mc Arthur intimou os praticantes das técnicas orientais a expor a teoria e prática dos métodos terapêuticos.

Como o Shiatsu já era ensinado em diversas escolas no Japão desde 1925, Tokujiro Namikoshi, citado anteriormente como discípulo de Tamai Tempaku, conseguiu enfim, em 1964, obter a legalização do Shiatsu pela recém formada Instituição de Saúde do Governo Japonês.

Além da referida normatização, a guerra contribuiu também para a difusão do Shiatsu pelo mundo, através dos imigrantes que ajudaram a introduzir a cultura japonesa nos países ocidentais, vinculando a prática da massagem às artes marciais como o caratê e o Aikidô.

Indicações:

Por ser uma técnica que visa (re)estabelecer o equilíbrio e funcionamento do organismo, o Shiatsu possui diversas indicações e aplicações sobre os diferentes sistemas do corpo humano. Citamos a seguir as principais:

  • Sistema muscular:
    • Alívio das tensões, contraturas e dores musculares;
    • Benefício à postura e tônus muscular;
    • Melhora da dor e sensibilidade dos pontos gatilhos (trigger points);
    • Auxílio ao tratamento de fibromialgia, tendinites, tenossinovites e paralisia muscular.
  • Sistema respiratório:
    • Auxílio ao tratamento de gripes, resfriados, bronquite asmática;
    • Alívio das crises de rinite e sinusite.
  • Sistema digestório:
    • Alívio das dores em casos de espasmos gástricos, cálculos biliares e gastrite;
    • Auxílio ao tratamento da gastrite nervosa, viroses e diarréia;
    • Facilita o peristaltismo intestinal, sendo indicado nos casos de constipação.
  • Sistema cirulatório:
    • Auxílio em combate à hipertensão arterial e arritmia cardíaca;
    • Melhora da circulação sanguínea e linfática;
    • Ajuda no combate às varizes e varicosas.
  • Sistema urinário:
    • Alívio e diminuição das dores em casos de cólica renal;
    • Auxílio ao tratamento da incontinência urinária e fecal;
    • Auxílio ao tratamento de bexiga caída.
  • Sistema reprodutor:
    • Auxílio ao tratamento de impotência sexual, frigidez;
    • Alívio das cólicas menstruais;
    • Complemento ao tratamento de distúrbios menstruais;
    • Alívio dos sintomas da menopausa como fogacho, sudorese e cansaço.
  • Outros:
    • Relaxamento físico, mental e emocional;
    • Auxílio ao tratamento da depressão, síndrome do pânico, enxaqueca, artrose, artrite reumatóide e nevralgias;
    • Alívio dos sintomas do bruxismo e distúrbios da ATM como dor na face, cansaço dos músculos da mastigação e dor de cabeça.

Contraindicações:

  • Inflamações agudas
  • Doenças com febre
  • Doenças contagiosas
  • Suspeita de fraturas e/ou luxações
  • Gravidez (antes do 3º mês).

Referências:

– ANDERSON, S.K. The Practice of Shiatsu. Philadelphia: Elsevier, 2008.
– BERESFORD, C.C. TEORÍA Y PRÁCTICA DEL SHIATSU. Barcelona: Paidotribo, 2001.
– DUBITSKY, C. BodyWork Shiatsu: Bringing the Art of Finger Pressure to the Massage Table. Editora:Inner Traditions, 1997.
– JARMEY, C. &MOJAY, G. Shiatsu: Guía completa. Barcelona: Paidotribo, 2002.
– MENEZES, C.R.O.; MOREIRA, A,C,P & BRANDÃO, W.B. Base neurofisiológica para compreensão da dor crônica através da Acupuntura.Rev Dor. n.11; v.2, 2010.
– SOHAKU & BASTOS R.C. Shiatsu Tradicional: Fundamentos, Prática e Clínica de Shiatsuterapia. 2.ed. São Paulo: Sohhaku-in Gasho, 2000.

Fonte: itiomassagem

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