TUBERCULOSE

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A tuberculose (TB) é uma das doenças infecciosas mais mortais do mundo. A cada ano, cerca de 1,5 milhão de pessoas morrem, enquanto outros nove milhões sofrem com a doença, principalmente em países em desenvolvimento.

A tuberculose (TB) é a doença que mais mata pessoas que vivem com HIV na África. Quase 500 mil pessoas desenvolvem cepas resistentes a medicamentos da doença a cada ano.

A TB é frequentemente vista como uma doença do passado, mas atualmente é considerada uma doença reemergente, e há um novo desafio para seu controle, devido à proliferação de cepas resistentes aos medicamentos, que fazem dela um grande problema de saúde pública. Hoje, a tuberculose é uma das três doenças infecciosas que mais mata, junto com a malária e o HIV/AIDS.

Ainda que a taxa de mortalidade global tenha tido uma redução de 47% entre os anos de 1990 e 2015, ainda existem lacunas importantes na cobertura e deficiências graves quando se trata de diagnóstico e acesso ao tratamento.

Além disso, estamos observando um aumento alarmante do número de casos de tuberculose resistente (TB-DR) e multirresistente (TB-MDR) a medicamentos, que não respondem aos remédios usuais de primeira linha.

MSF combate a tuberculose há mais de 30 anos, trabalhando muitas vezes em conjunto com as autoridades nacionais de saúde para tratar os pacientes em uma ampla variedade de ambientes, incluindo áreas de conflito, subúrbios, prisões, acampamentos de deslocados e refugiados e nas zonas rurais. Os primeiros programas de MSF para dar assistência aos casos de TB-DR começaram em 1999, e a organização atualmente é uma das maiores provedoras de cuidados para TB-DR no mundo. Em 2014, com uma atuação em mais de 20 países, MSF forneceu tratamento para 21.500 pacientes, dos quais 1.800 foram tratados para TB-DR.

O que causa a tuberculose?
A doença tuberculose é causada por uma bactéria (Mycobacterium Tuberculosis) que se espalha pelo ar por meio de gotículas quando pessoas com a doença ativa (doentes bacilíferos) tossem ou espirram.

Os doentes bacilíferos, isto é, aqueles cuja baciloscopia de escarro é positiva, são a principal fonte de infecção. Portanto, todas as medidas devem ser realizadas no sentido de encontrar precocemente o paciente e oferecer o tratamento adequado, interrompendo, assim, a cadeia de transmissão da doença.

Ela afeta com mais frequência os pulmões, mas também pode apresentar formas disseminadas e infectar qualquer parte do corpo, incluindo os ossos, sistema nervoso, sistema urinário, entre outros orgãos.

A maioria das pessoas expostas à TB nunca desenvolve os sintomas, já que a bactéria pode viver na forma latente dentro do corpo. Entretanto, se o sistema imunológico enfraquecer, como acontece com pessoas desnutridas, pessoas vivendo com HIV/Aids, e idosos, no curso de tratamentos imunossupressores, a bactéria da tuberculose pode se tornar ativa e causar a doença.

Cerca de 10% das pessoas infectadas com a bactéria vão desenvolver a forma ativa e se tornarão contagiosas em algum momento de suas vidas.

Sintomas da tuberculose

Os sintomas da tuberculose incluem:

•    Tosse persistente (21 dias ou mais);
•    Febre vespertina;
•    Perda de peso;
•    Dores no peito;
•    Falta de ar, que pode levar à morte.
•    Sudorese noturna

Entre as pessoas que vivem com HIV/Aids, a incidência de TB é muito maior e a doença é a principal causa de morte neste grupo.

Diagnóstico da tuberculose
Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) voltados para novas e mais eficientes ferramentas de diagnóstico emedicamentos para tuberculose estão em falta há décadas.
Em países onde a doença é mais prevalente, diagnósticos dependem, em sua maioria, do mesmo teste arcaico utilizado nos últimos 120 anos: a microscopia do esfregaço, exame microscópico do catarro, ou fluido do pulmão, para identificar os bacilos da TB. O teste só é exato na metade das vezes e aefetividade é ainda menor se os pacientes testados viverem com o vírus HIV. Isso significa que muitos pacientes iniciam o tratamento da tuberculose tardiamente, se é que um dia conseguem começar.

Crianças, que frequentemente não conseguem produzir escarro, precisam urgentemente de novas ferramentas de diagnóstico, principalmente por serem particularmente vulneráveis à morte se desenvolverem a forma ativa da doença.

Um promissor e novo teste de diagnóstico, o Xpert MTB/RIF, foi introduzido em 2010 e tem sido utilizado em muitos programas de MSF desde então. Não é aplicável em todos os contextos, assim como não é efetivo para diagnóstico de crianças ou de pacientes nos quais a tuberculose ocorre fora dos pulmões (tuberculose extrapulmonar). Por isso, MSF continua pressionando por mais investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para diagnóstico e tratamento de TB.

Como tratar a tuberculose?
O curso do tratamento para tuberculose sem complicações leva, no mínimo, seis meses. Na maior parte dos casos, o tratamento é feito com dois antibióticos poderosos de primeira linha – rifampicina e isoniazida.

Quando as bactérias são resistentes aos antibióticos, considera-se que os pacientes tenham desenvolvido a TB-MDR ou TB-XDR, tuberculose multirresistente a medicamentos e tuberculose extensivamente resistente.

A multirresistência é a resistência a, pelo menos, dois medicamentos: rifampicina e isoniazida.

•    A TB-MDR é possível de tratar, mas o tratamento é complexo, pois exige a ingestão de uma grande quantidade de medicamentos;

•    O tratamento pode levar até dois anos e causar diversos efeitos colaterais graves, como, por exemplo, a surdez. Além do tratamento ser muito caro, a taxa de cura é baixa;

•    Ela afeta cerca de 480 mil pessoas e, ainda assim, apenas 30% dos pacientes com esse tipo da doença são diagnosticados e tratados;
•    Em 2012, foi lançado o primeiro medicamento contra tuberculose em mais de 50 anos, abedaquilina, o que representava uma oportunidade de aumentar a taxa de cura da TB-MDR;

•    Em 2014, um segundo medicamento, a delamanida, também foi aprovada para uso.

•    Porém, até hoje, menos de mil pessoas em todo o mundo puderam ter acesso aos novos medicamentos, ou seja, apenas uma fração dos pacientes que necessitam urgentemente deles.

A tuberculose extensivamente resistente, TB-XDR, manifesta-se quando, além dos os medicamentos rifampicina e isoniazida, também há resistência a uma fluoroquinolona e a um medicamento injetável de segunda linha (amicacina, canamicina ou capreomicina). Esta forma da doença tem menos de 20% de chance de cura.

•    Os pacientes sofrem com a falta de ferramentas para diagnóstico precoce da doença e ostratamentos disponíveis são limitados, devido às poucas alternativas em termos de remédios para tratá-la;

•    Informações de MSF apontaram resultados promissores com base no uso de um antibiótico de alta resistência, chamado linezolida, como parte do regime para TB-XDR;

•    A linezolida não está amplamente disponível em alguns países, pois é extremamente cara e foi patenteada. Além disso, o produto disponível não está registrado como tratamento para tuberculose, o que dificulta o acesso por meio dos estabelecimentos públicos.

Em muitos lugares onde trabalhamos, supervisionar todos os pacientes com tuberculose durante seus tratamentos é quase impossível. É preciso oferecer monitoramento médico e psicossocial adequados, com suporte à adesão ao tratamento e acompanhamento dos efeitos colaterais.

Em 2014, MSF admitiu 21.500 pacientes para tratamento de primeira linha para TB e 1.800 para tratamento de segunda linha para TB-MDR.

Esta página foi atualizada em março de 2016.

Fonte: msf.org

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