ZANETTI INICIA FISIO NO OMBRO E PLANEJA NOVA SÉRIE: “OBJETIVO JÁ É TÓQUIO 2020”

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As argolas estavam bem do lado, à vista de Arthur Zanetti . Subir no aparelho? Nem pensar. Depois da prata na Olimpíada do Rio de Janeiro e de uma cirurgia no ombro esquerdo , o campeão olímpico de 2012 retornou ao ginásio de São Caetano do Sul, mas para iniciar a fisioterapia, primeiro passo de uma longa caminhada Tóquio 2020. Livre das dores que até o fizeram pensar em um adeus ao fim dos Jogos de 2016, o ginasta renovou fôlego e motivação para buscar a terceira medalha olímpica.

– Meu objetivo já é Tóquio 2020. Hoje estou livre das dores. Ainda tenho um pouco de limitação no ombro esquerdo, mas é normal. Ainda não começou a ganhar a amplitude total (de movimento), mas pelo menos dá para fazer tudo em casa. Estou fazendo fisio há duas semanas. Está bem no início. São exercícios que parecem até ridículos para a gente, mas como passei muito tempo parado, perdi musculatura, acaba sendo bem difícil. Apalpando o braço já sente a perda muscular, tanto no volume como na flacidez. Parece que estou murcho (risos). É esquisito – contou o ginasta, que foi operado no dia 24 de agosto.

Arthur Zanetti iniciou trabalho de fisioterapia após cirurgia no ombro esquerdo (Foto: Marcos Guerra)

Duas vezes por dia durante duas horas, Zanetti faz os exercícios sob a orientação de Maria Eugênia Ortiz, a Gege. São movimentos que arrancam do ginasta as mesmas caretas de dor de um elemento de força nas argolas. A fisioterapia não é moleza, mas o campeão olímpico já está bem familiarizado com o tratamento. Ele também passou por uma artroscopia para corrigir ruptura de tendão em 2010, só que no ombro direito. Por isso, não tem o medo comum a um atleta de não recuperar a forma depois de uma cirurgia.

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Zanetti ainda não recuperou todo o movimento do ombro esquerdo  (Foto: Marcos Guerra)

Está mais rápido e está melhor desta vez. Na de 2010, eu fiz a cirurgia e fiquei com dor no ombro direito por uma semana. É normal. No ombro esquerdo, acordei depois da cirurgia já sem dor alguma. Tirei a tipoia faz uma semana e a amplitude do meu braço está quase total. A recuperação está menos dolorosa. Acredito que a cirurgia foi excelente. Já sei como funciona. Já sei o que tenho de fazer.

Nova série
O objetivo de Zanetti é ser o primeiro ginasta da história a ganhar três medalhas olímpicas nas argolas. Para isso, ele vai mudar a série que lhe rendeu do ouro no Mundial de 2013 à prata nos Jogos do Rio. Além de uma adaptação ao novo código de pontuação, que será confirmado em fevereiro, o ginasta e seu técnico Marcos Goto planejam aumentar a nota de dificuldade de 6,8 para 7,0.

– Vai ter que mudar minha série. Já queria mudar. No novo código, não pode ter dois elementos do mesmo grupo de força, e eu tinha. São modificações que vão dar uma cara nova para a série. É importante mudar porque o árbitro acaba viciando. Às vezes nem está olhando sua prova e dá o mesmo desconto de antigamente. Ele pensa: “Nas dez últimas competições ele teve esse desconto, então agora ele vai ter de novo”. Às vezes não tem. Acaba viciando o árbitro. Se você dá uma cara nova para a séria, acaba chamando a atenção.

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Prata na Rio 2016 motivou Zanetti a fazer mais um ciclo olímpico rumo a Tóquio 2020 (Foto: Agência Reuters)

Zanetti e Goto queriam mudar a série já para os Jogos do Rio, mas optaram pelasegurança da apresentação antiga. Agora, As mudanças serão progressivas, e a série só deve ficar pronta em 2018 ou 2019. O ginasta pode trocar a acrobacia da saída do aparelho e voltar a incluir o elemento de força que batizou com seu sobrenome. Um cenário animador bem diferente de alguns dias anteriores à Olimpíada. As dores no ombro o fizeram pensar em se despedir da ginástica ao fim da Rio 2016.

Era um sonho poder continuar, mas iria depender de muitas coisas, que foram acontecendo e dando certo. Isso acabou motivando mais ainda para continuar.  O que me motivou foi o resultado da Olimpíada, a estrutura dos ginásios… Esses fatores que me fizeram continuar.

Momento de extravasar
Por causa da recuperação do ombro, Zanetti só deve voltar a competir no meio de 2017. O planejamento ainda não está fechado, mas certo mesmo é que ele vai ficar fora dos torneios deste ano, como o Campeonato Brasileiro, em novembro. Ele aproveita o tempo sem treinos para tentar concluir o curso de bacharelado em educação física – já tem licenciatura – e para curtir pequenos prazeres proibidos às vésperas da Olimpíada.

– Já que não posso ter mais nenhuma competição durante este ano, posso aproveitar de outros modos.  Aproveitar um pouco a vida. Algumas coisas que não podia e agora posso. Viajei para alguns compromissos, mas tive dias de folga em Manaus e em Monte Verde, com minha namorada. Extravasei na alimentação. Eu engordei, aí emagreci, aí engordei de novo. Teve uma semana que comi bastante. Eu gosto de churrasco, pizza e doces. Eu peso geralmente 61kg. Agora devo estar com 64kg.

Zanetti vai ter tempo para recuperar o ombro e a boa forma até seu próximo grande desafio. Ele acredita que estará 100% antes do Mundial de Montreal, entre 2 e 8 de outubro. Passo a passo, ocampeão olímpico caminha sem pressa em sua recuperação.

– Ainda estou em um momento para descansar. Às vezes vejo os moleques fazendo tudo errado nas argolas e até penso: “Vou subir lá para ensinar”. Mas sei que não pode. Ainda não bate a saudade das argolas.

Fonte: Jornal Floripa

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